“Milhões de gente boa”, por Berta Silva Lopes

A bebé Matilde sobre de atrofia muscular espinhal na forma mais grave (tipo 1) e só terá esperança de sobreviver com o medicamento mais caro do mundo, que só está aprovado nos EUA. Foto: DR

Dois milhões de euros. Conseguimos juntar dois milhões de euros em apenas duas semanas. Que façanha tremenda! Alguém tem dúvidas de que a boa vontade é a força mais poderosa do universo?

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Façanha tremenda parece-me pouco, na verdade. Isto é épico, é brutal, é mais do que isso: é orgulho e alegria e felicidade, tudo ao molho, e ao mesmo tempo é sentir que estas palavras não chegam para descrever a nobreza desta conquista.

Depois disto, temos mesmo de inventar uma palavra nova que case bem com fé e esperança e bondade e união e magia. Uma palavra que traduza tudo isto e tenha a força do olhar da Matilde. Uma palavra que traduza tudo isto, tenha a força do olhar da Matilde e a fé de tanta gente boa.

É urgente inventá-la porque ainda não existe, e faz falta. Chega de falar do apelo dos pais desta bebé, desesperados, numa aflição que acreditamos poder compreender, mas não, sejamos honestos, é dor inconcebível e indecifrável. Como se lida com um diagnóstico destes? Como se continua a viver com o medo, a angústia, o desespero e a revolta?

Felizmente é mais fácil inventar palavras do que medicamentos, não são precisos béqueres nem provetas, tubos de ensaios, pipetas, testes em laboratório ou autorizações especiais. Ainda assim, é empreitada mais difícil do que parece.

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E agora, como é que termino esta crónica? Não sei por que razão me pus a escrever sobre isto se me faltam as palavras. Olha, fica assim, quero lá saber do número de caracteres. Muita sorte da boa, Matilde. Ponto final.

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Define-se como uma mulher da aldeia a viver na cidade, assim uma espécie de amor para sempre por uma e amor à primeira vista pela outra. Gosta de Lisboa e tem Queixoperra no coração. Casada, com duas filhas, trabalha em Comunicação e Marketing há quase 20 anos e com escritores há 10. Não vive sem livros. Gosta de jazz e de música instrumental. Adora o cheiro da terra molhada, do arroz-doce acabado de fazer e do poejo fresco. Não gosta de canela, nem de favas, nem de bacalhau com natas. Troca facilmente a praia pelo campo. Sente-se sempre muito feliz em cozinhas grandes e cheias de luz. Cozinhar é uma terapia e gosta de experimentar pratos novos quando recebe amigos em casa – para grande ansiedade do marido, mas nada que os bons enchidos, o queijo e a broa de milho da sua aldeia não resolvam. Gosta de boas conversas regadas com vinho tinto. Como diz a sua querida Helena Sacadura Cabral, gosta dos pequenos prazeres da vida. E gosta de gostar disso.

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