Médio Tejo: ACES lança aviso de proteção para ‘onda de calor’

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A Região do Médio Tejo foi pioneira na homologação do Plano Prévio de Intervenção para as Ondas de Calor, pela Autoridade Nacional de Proteção Civil. As ondas de calor são extremamente perigosas e, se não se tomarem as devidas precauções, podem causar lesões irreversíveis no corpo humano devido a desidratação e, em algumas situações, pode causar a morte. Rui Calado, Delegado de Saúde do Médio Tejo apresenta o Plano que considera “fundamental para uma melhor atuação de todas as entidades, na procura da minimização dos riscos perante factores atmosféricos adversos”.

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Rui Calado. Foto: DR
Rui Calado. Foto: DR

É declarada Onda de Calor, segundo o Instituto do Mar e da Atmosfera quando no intervalo de 6 dias consecutivos, a temperatura máxima do ar é superior em 5ºC ao respectivo valor médio diário da temperatura máxima no período de referência.

O Plano Prévio de Intervenção para as Ondas de Calor (PPIOC) foi assinado por diversas entidades da Região, com área de influência geográfica que inclui os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

No âmbito deste plano, e no momento da sua ativação, importa que todas as instituições possam estar coordenadas e em contacto permanente com representantes das seguintes instituições: ACES Médio Tejo, Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, Câmaras Municipais, Serviços Municipais de Proteção Civil, Juntas de Freguesia, Corpos de Bombeiros, Cruz Vermelha Portuguesa, GNR, PSP e Centro Hospitalar do Médio Tejo e Corpo Nacional de Escutas.

O PPIOC, além das tarefas de cada instituição, tem também definidos os tipos de alerta e os abrigos públicos temporários e/ou permanentes disponíveis em toda a Região.

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O Plano de Intervenção para minimizar os efeitos de temperaturas extremas adversas regula a resposta sistematizada a operações de socorro, promovendo uma articulação entre as instituições e uma intervenção correta junto das populações.

Rui Calado, Delegado de Saúde do Médio Tejo, alerta para a importância das medidas a tomar pela população em circunstância de ondas de calor, considerando fundamental a existência deste plano pois nele estão previstas, de forma objectiva, as tarefas que cada entidade tem de executar no âmbito do PPIOC e estão identificados os grupos populacionais mais vulneráveis que necessitam de intervenção.

Rui Calado chama, no entanto, a atenção para a ação das famílias junto dos seus elementos mais vulneráveis, crianças e idosos.

“É muito importante que os familiares estejam atentos e tenham uma intervenção atempada. A família deve ser o primeiro meio de alerta e intervenção sempre que possível.

Há um esforço e trabalho no terreno para se identificarem os idosos que vivem isolados e em más condições de habitação. A maioria das pessoas institucionalizadas tem acesso à informação, a preocupação maior é com os idosos que estão muitas vezes negligenciados ou abandonados pelas famílias. Os grupos mais vulneráveis são claramente os idosos”, afirma Rui Calado. “Há também um histórico muito trágico de crianças que morrem por negligência, nomeadamente quando ficham fechadas em carros”, sublinhou.

Ondas de Calor

A exposição a períodos de calor intenso, durante vários dias consecutivos – ondas de calor – constitui uma agressão para o organismo, podendo conduzir à desidratação, ao agravamento de doenças crónicas, a um esgotamento ou a um golpe de calor, situação muito grave e que pode provocar danos irreversíveis na saúde, ou inclusive levar à morte.

São mais vulneráveis ao calor:

  • As crianças;
  • As pessoas idosas;
  • Os portadores de doenças crónicas (nomeadamente doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes, alcoolismo);
  • As pessoas obesas;
  • As pessoas acamadas;
  • As pessoas com problemas de saúde mental;
  • As pessoas a tomar alguns medicamentos, como anti-hipertensores, antiarrítmicos, diuréticos, anti-depressivos, neurolépticos, entre outros;
  • Os trabalhadores expostos ao sol e/ou ao calor;
  • As pessoas que vivem em más condições de habitação.

Prevenção dos efeitos do calor intenso:

  • Aumentar a ingestão de água, ou sumos de fruta natural sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede.
  • As pessoas que sofram de doença crónica, ou que estejam a fazer uma dieta com pouco sal, ou com restrição de líquidos, devem aconselhar-se com o seu médico, ou contactar a Linha Saúde 24: 808 24 24 24.
  • Evitar bebidas alcoólicas e bebidas com elevados teores de açúcar.
  • Os recém-nascidos, as crianças, as pessoas idosas e as pessoas doentes, podem não sentir, ou não manifestar sede, pelo que são particularmente vulneráveis – ofereça-lhes água e esteja atento e vigilante.
  • Devem fazer-se refeições leves e mais frequentes. São de evitar as refeições pesadas e muito condimentadas.
  • Permanecer duas a três horas por dia num ambiente fresco, ou com ar condicionado, pode evitar as consequências nefastas do calor, particularmente no caso de crianças, pessoas idosas ou pessoas com doenças crónicas. Se não dispõe de ar condicionado, visite centros comerciais, cinemas, museus ou outros locais de ambiente fresco. Evite as mudanças bruscas de temperatura. Informe-se sobre a existência de locais de “abrigo climatizados” perto de si.
  • No período de maior calor tome um duche de água tépida ou fria. Evite, no entanto, mudanças bruscas de temperatura (um duche gelado, imediatamente depois de se ter apanhado muito calor, pode causar hipotermia, principalmente em pessoas idosas ou em crianças).
  • Evitar a exposição directa ao sol, em especial entre as 11 e as 17 horas. Sempre que se expuser ao sol, ou andar ao ar livre, use um protector solar com um índice de protecção elevado (igual ou superior a 30) e renove a sua aplicação sempre que estiver exposto ao sol (de 2 em 2 horas) e se estiver molhado ou se transpirou bastante. Quando regressar da praia ou piscina volte a aplicar protector solar, principalmente nas horas de calor intenso e radiação ultravioleta elevada.
  • Ao andar ao ar livre, usar roupas que evitem a exposição directa da pele ao sol, particularmente nas horas de maior incidência solar. Usar chapéu, de preferência, de abas largas e óculos que ofereçam protecção contra a radiação UVA e UVB.
  • Evitar a permanência em viaturas expostas ao sol, principalmente nos períodos de maior calor, sobretudo em filas de trânsito e parques de estacionamento. Se o carro não tiver ar condicionado, não feche completamente as janelas. Levar água suficiente ou sumos de fruta naturais sem adição de açúcar, para a viagem e, parar para os beber. Sempre que possível viajar de noite.
  • Nunca deixar crianças, doentes ou pessoas idosas dentro de veículos expostos ao sol.
  • Sempre que possível, diminuir os esforços físicos e repousar frequentemente em locais à sombra, frescos e arejados. Evitar actividades que exijam esforço físico.
  • Usar roupa larga, leve e fresca, de preferência de algodão.

Usar menos roupa na cama, sobretudo quando se tratar de bebés e de doentes acamados.

  • Evitar que o calor entre dentro das habitações. Correr as persianas, ou portadas e manter o ar circulante dentro de casa. Ao entardecer, quando a temperatura no exterior for inferior àquela que se verifica no interior do edifício, provocar correntes de ar, tendo em atenção os efeitos prejudiciais desta situação.
  • Não hesitar em pedir ajuda a um familiar ou a um vizinho no caso de se sentir mal com o calor.
  • Informar-se periodicamente sobre o estado de saúde das pessoas isoladas, idosas, frágeis ou com dependência que vivam perto de si e ajudá-las a protegerem-se do calor.
  • As pessoas idosas não devem ir à praia nos dias de grande calor. As crianças com menos de seis meses não devem ser sujeitas a exposição solar e deve evitar-se a exposição directa de crianças com menos de três anos. As radiações solares podem provocar queimaduras da pele, mesmo debaixo de um chapéu-de-sol; a água do mar e a areia da praia também reflectem os raios solares e estar dentro de água não evita as queimaduras solares das zonas expostas. As queimaduras solares diminuem a capacidade da pele para arrefecer.

 

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