Médio Tejo | “Projeto Maria” une municípios contra a violência doméstica

Foto: DR

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) encontra-se a promover, com o apoio no desenvolvimento da Associação Igualdade.Pt, o “Projeto Maria”, uma iniciativa financiada por fundos europeus que visa criar uma estratégia integrada de intervenção para a área da violência doméstica e de género no Médio Tejo, com enfoque nas mulheres.

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Ainda em fase de planeamento, o projeto foi apresentado na segunda-feira, dia 29 de abril, no 10º Fórum de Recursos Sociais de Alcanena, e tem por objetivo criar um conjunto de atividades de sensibilização e combate à violência contra mulheres, grupo maioritariamente afetado pela violência doméstica nos seus variados subgéneros e faixas etárias.

Em 2018 morreram 28 mulheres vítimas de violência doméstica. Em 2019, só desde janeiro, já morreram 16.

A violência doméstica foi o tema central da edição deste ano do Fórum de Recursos Sociais de Alcanena, com a presença de várias entidades e assinatura de protocolos. No âmbito dos trabalhos, a CIMT deu a conhecer oficialmente o “Projeto Maria”, um dos vários projetos que a instituição possui em curso neste âmbito, como os protocolos atualmente a ser finalizados entre oito municípios e a Comissão para a Igualdade de Género (CIG).

Na sua intervenção, Miguel Pombeiro, secretário executivo da CIMT, comentaria o papel da comunicação social na banalização da violência, nomeadamente em canais de informação que apostam sobretudo na notícia do crime. “O agressor acaba por ser uma pessoa famosa”, constatou, destacando que o tratamento excessivo destas temáticas, que arrasta os órgãos de comunicação de referência, acaba por vulgarizar a questão da violência.

Bruna Tapada, da Associação Igualdade.Pt, apresentou o projeto ao lado do secretário executivo da CIMT, Miguel Pombeiro. Foto: mediotejo.net

A apresentação em concreto do “Projeto Maria” ficou a cargo de Bruna Tapada, da Associação Igualdade.PT, que está a criar o plano a ser implementado a nível regional. Segundo explicou aos presentes, apenas três concelhos no Médio Tejo – Alcanena, Abrantes e Ourém – tinham estruturas municipais organizadas de resposta à violência doméstica, sendo que os restantes municípios possuíam apenas os mecanismos tradicionais, centrados nas forças de segurança. “Surge assim o Projeto Maria, para criar estruturas e redes locais de resposta integrada”, esclareceu.

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“Maria”, explicou, porque a maioria da violência doméstica (cerca de 80%) é perpetrada contra mulheres, desde a adolescência à terceira idade, dos contexto de namoro e de relacionamento conjugal até ao de filhos contra mães, na vida idosa.

Apesar das variadas campanhas, ao longo dos anos, o problema da violência doméstica não tem parado de crescer. Foto: APAV

As ações do “Projeto Maria” vão desde campanhas de sensibilização de estudantes e formação de docentes, melhoria dos recursos humanos dos municípios para intervir na área (a nível do apoio psicológico, social e jurídico), organização de um manual comum de procedimentos de intervenção, criação de um guia de recursos intermunicipal (com contactos das linhas de apoio e de segurança), entre outras.

O projeto pretende ainda canalizar recursos para o apoio às vítimas e, em específico, possíveis vítimas. Não obstante os distritos de Santarém e de Castelo Branco, onde se insere o Médio Tejo, terem baixa incidência de casos de violência doméstica, o número, na prática, pode traduzir-se no facto de as vítimas não conseguirem, por motivos vários, fazer queixa junto das autoridades, explicou Bruna Tapada. “Era por isso importante acompanhar as vítimas que não conseguem oficializar a queixa”, adiantou.

O “Projeto Maria” prevê também a realização de workshops sobre temas como as questões legais, a problemática das vítimas idosas ou portadoras de deficiência, entre outros temas.

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