Médio Tejo | Agricultores querem caça ao javali no verão para minimizar estragos

Os produtores de milho e os proprietários rurais estão preocupados com os “avultados e crescentes” prejuízos agrícolas decorrentes do “aumento descontrolado” da população de javalis e pedem que as autoridades tomem medidas, inclusive caçar durante o verão, o que é atualmente proibido, no sentido de minimizar os estragos nas culturas do milho. Os acidentes rodoviários também são motivo de preocupação.

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“A expansão da população de javalis tem provocado acidentes rodoviários no distrito de Santarém e todos anos provoca prejuízos significativos nas culturas do milho na região do Médio Tejo, nomeadamente junto ao rio Tejo. Com a propagação da espécie resulta menos caça menor, porque o javali destrói a população de perdizes e coelhos, disse ao mediotejo.net Luís Damas, presidente da direção da Associação de Agricultores dos concelhos de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal.

“Ainda assim, a população de javalis não provoca mais prejuízos porque a caça é mantida. Decorre em épocas de lua cheia, durante 10 dias de caça, oito antes da lua cheia e um depois. Inclusive já temos pedido ao ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) para caçar durante o verão, que é proibido, no sentido de minimizar os estragos nas culturas do milho”, notou.

“Claro que na região não é comparável ao que se passa, por exemplo, na Arrábida, onde os javalis entram no perímetro urbano. Trata-se de uma zona protegida onde não se pode caçar, ou seja, não têm predadores, porque o único predador natural é o lobo e não há lobos”, disse Luís Damas, tendo feito notar que, no entanto, “há relatos de quem tenha visto javalis à noite na rotunda do Rossio ao Sul do Tejo e circula um vídeo na internet que mostra um javali, à noite, junto ao Tribunal de Abrantes”.

Contactado pelo mediotejo.net, Manuel Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, disse “não ter conhecimento de qualquer registo de ocorrências no concelho provocadas por javalis. Sabemos que a população está em crescimento de ano para ano, que destroem culturas, mas nada de novo, além disso”, afirmou.

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O Comandante do Destacamento Territorial de Abrantes da GNR, Capitão Flambó, corroborou a informação relativamente a acidentes rodoviários: “não há registo na região de Abrantes, tal como em Mação, Constância e Sardoal, de qualquer acidente rodoviário provocado por javalis”, disse ao nosso jornal.  Contactada a Guarda Nacional Republicana nacional, esta disse ter registos de “cinco acidentes de viação que envolveram javalis, no distrito de Santarém, e 13 no distrito de Leiria. Em causa estão, em todos eles, apenas danos materiais”, acidentes que decorreram no período entre 1 de janeiro a 24 de março de 2019.

Segundo Armindo Pereira, do Clube de Caçadores de Fátima, Ourém, “o aumento de javalis tem vindo a progredir ao longo dos anos. Cada vez há mais. Hoje na freguesia de Fátima não se pode semear uma baga de milho porque os javalis destroem tudo”, notou, tendo afirmado ser “rara a semana que não haja acidentes (provocados por javalis) tendo apontado como estradas mais criticas a estrada de Minde, estrada Ramila – Outeiro das Matas, e estrada de Alvega (Ourém).

”É uma situação complicada, algumas pessoas comunicam a GNR, mas a maior parte não diz nada”, afirmou, tendo observado que a caça ao javali decorre na época da lua cheia. “São 10 dias de caça no formato de espera. Cada caçador pode matar dois javalis por época. No parque da Serra de aire é Candeeiros é proibido caçar. Aquilo torna-se um viveiro de javalis, porque têm uma grande fertilidade e é um grande predador. E enquanto se propaga esta espécie há menos caça menor, porque eles apanham tudo, do coelho as perdizes”, notou.

Armindo Pereira defendeu igualmente “que se aumente o período de caça ao javali para controlar a espécie.

Contactado pelo mediotejo.net, Humberto Silva, presidente de Junta de Freguesia de Fátima, disse que “há acidentes todas as semanas. Tem sido uma praga autêntica e vai-se agravar por altura da bolota. Falámos como o Parque Natural para se organizarem montarias e esperas, mas não foram muito abertos. Os javalis saem em torno do parque”, notou. Luís Albuquerque, presidente de Ourém confirmou que existe “um problema”, tendo feito notar que, no entanto, “em termos reais, ainda não chegou qualquer reclamação.

Para o Núcleo da Quercus de Ourém, segundo Domingos Patacho “não temos tido queixas. Há sobretudo muitos comentários de café, mas que não se formalizam. Ou é autorizada a caça ou torna-se um problema para a agricultura”, defendeu.

O grupo parlamentar do CDS quer que o Governo adote várias medidas de controlo sobre os javalis e sugeriu recentemente o recurso às receitas da caça – 10 milhões por ano – integrada num conjunto de recomendações sobre o controlo da população de javalis em Portugal.

Desde logo, o CDS sugere que sejam implementadas as necessárias medidas, legislativas ou outras, “por forma a, com urgência, delinear estratégias para a elaboração de um plano ágil de redução e controlo a longo prazo da população de javalis em território nacional, de acordo com a legislação ambiental nacional e da União Europeia, incluindo os requisitos de proteção da natureza”.

Os deputados centristas querem ainda que seja feito imediatamente um estudo sobre a densidade, dimensão e distribuição territorial da população de javalis em território nacional, e que, para tal, o Governo recorra ao recém-criado Centro de Competências para o Estudo, Gestão e Sustentabilidade das Espécies Cinegéticas e Biodiversidade.

*c/Cláudia Gameiro e Paula Mourato

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