Mação | ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga com um proTEJO “mais maduro na abordagem dos problemas da bacia do Tejo”

Sétimo 'Vogar contra a Indiferença' em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

No momento em que assinala o seu décimo aniversário, o proTejo (Movimento Pelo Tejo) realizou este sábado, em Ortiga, Mação, a sétima edição do “Vogar contra a Indiferença”, o qual, através da modalidade de canoagem e uma concentração ibérica com cidadãos dos dois lados da fronteira, mais um vez alertou para a necessidade de defesa do rio Tejo em toda a sua extensão. Durante esta década de ação cívica, Paulo Constantino garante que “valeu a pena” e que o Movimento tem hoje uma maior “maturidade” na defesa do Tejo.

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Antes da descida de canoa, os cerca de 70 participantes reuniram-se na praia fluvial de Ortiga, Mação, onde puderam escutar pela voz de Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO, a ‘Carta Contra a Indiferença’, a qual evidencia a necessidade de se “defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos novos projetos de construção de novos açudes e barragens – Projeto Tejo e a Barragem do Alvito – e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem”.

A descida em canoa para “Vogar contra a indiferença” decorreu na manhã deste sábado, com início a jusante da Barragem de Belver tendo como destino Mouriscas, já em Abrantes, culminando num almoço de convívio. A iniciativa comportou ainda a leitura de uma segunda Carta especialmente dirigida aos candidatos dos partidos políticos às eleições que se avizinham, as legislativas de 2019, e um debate entre os participantes onde puderam sugerir soluções e partilhar ideias.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

A Carta surgiu em nome do mesmo Tejo que “une toda esta bacia de Espanha a Portugal, que une todas as populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecemos e o vivemos da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário”, leu Paulo Constantino.

O documento notou a importância da iniciativa decorrer em Ortiga “onde se pretende realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no município de Mação, em especial as preciosas pesqueiras do rio Tejo, autênticas obras de arte, cuja construção assenta na técnica de execução designada na região por ‘pedra ao alto’ e de tal eficácia na resistência à natural força das correntes de água que viria a ser utilizada por Juan Bautista Antonelli, em 1583, na construção dos caminhos de sirga e no então criado e ainda hoje existente Canal de Alfanzira, em Mouriscas, no âmbito do projeto de navegabilidade do rio Tejo, no início do reinado de Filipe I”, lembrou o dirigente ambientalista.

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Falando das pesqueiras e das atividades agrícolas e comerciais ligadas ao Tejo, o movimento proTEJO insiste na urgência de um rio Tejo “livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens – Projeto Tejo e a Barragem do Alvito”, e defende a “exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos, um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas, e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações”.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

O movimento garante continuar “a combater a sobre exploração da água do Tejo que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear”, reclamando ainda “a unidade e integridade do Tejo e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza”, disse Paulo Constantino.

Assim, numa unidade de cidadãos portugueses e espanhóis, reivindicam “a necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo com base no princípio da unidade da sua gestão; o cumprimento da Diretiva Quadro da Água, nomeadamente a garantia de um bom estado das águas do Tejo, o estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na atualização da Convenção de Albufeira, que permitam o bom funcionamento dos ecossistemas ligados ao rio e, consequentemente, dos serviços que prestam à comunidade; a monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ecológicos aí definidos; a informação pública do cumprimento do convénio luso-espanhol relativamente aos rios ibéricos; e a recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água”

Pretendem ainda “garantir caudais no rio Tejo e seus afluentes em qualidade e quantidade suficientes para garantir o bom estado das massas de água e a viabilidade dos diversos usos lúdicos e recreativos; acompanhar a monitorização e verificar o cumprimento das licenças de descargas de efluentes das indústrias, como as celuloses instaladas em Vila Velha de Ródão, exigindo a tomada de medidas de proteção ambiental com base no princípio da precaução; a realização de ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente; e a valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo”.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

A propósito do aniversário, em declarações o mediotejo.net, Paulo Constantino confirmou a grande participação dos cidadãos da zona ribeirinha do Tejo e dos afluentes, nomeadamente o Almonda.

“Tem sido uma evolução positiva e gradual. E portanto estamos com mais maturidade na abordagem dos problemas da bacia do Tejo” tendo como objetivo “encontrar as melhores soluções para termos um rio Tejo mais vivo com mais qualidade e mais vivido”.

Para Paulo Constantino a ação do proTejo durante estes dez anos “valeu a pena! Penso que se conseguiu chamar a atenção para os problemas do rio Tejo, infelizmente uma parte foi pelos três anos de poluição que o rio Tejo sofreu de 2015 a 2018 mas serviu para consciencializar as pessoas que é necessário ter rios, ter águas e que precisamos delas quer para a indústria, agricultura ou turismo mas temos que as utilizar e devolver em boa qualidade” frisou.

O proTejo surgiu “principalmente pelos problemas de quantidade de água mas também por outras questões relacionadas com a qualidade e obstáculos à conectividade fluvial nomeadamente pela transposição pelas espécies migratórias que, caso haja muitos obstáculos, não podem chegar, por exemplo, a esta zona da Ortiga”, disse referindo-se à intenção de construção de seis açudes até Abrantes.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

A iniciativa contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, dos vereadores Vasco Marques e Margarida Lopes e do deputado municipal João Filipe, entre outras individualidades.

Em nome do município de Mação, associado do proTejo, Vasco Estrela considerou um movimento “que tem tido ao longo dos anos da sua existência uma extraordinária importância na nossa região e que ficou bem vincado através das lutas que tivemos e tiveram de travar para que o Tejo hoje pudesse ser um rio muito mais saudável do que que era há alguns anos a esta parte”.

O autarca salientou o movimento de cidadania como congregador “de pessoas dos mais variados quadrantes políticos, sociais e económicos em prol de um objetivo. É importante que a nossa sociedade, e a nossa região, tenha movimentos como o proTejo. É igualmente importante não baixar a guarda porque novas lutas podem surgir e há situações que ainda carecem de resolução”, acrescentou, falando no combate conjunto à poluição no rio Tejo “numa congregação de esforços com a qual foi possível reverter a situação”.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

O objetivo do percurso fluvial passou, então, por “realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município de Mação”, ao mesmo tempo que os participantes se manifestaram contra a sobre exploração do rio Tejo.

No local, já após o almoço, foi apresentado uma Carta de Compromisso para Candidatos a Deputados da Assembleia da República nas eleições legislativas de 2019. Ou seja, um “manifesto em defesa da bacia do Tejo/Tajo”, especialmente dirigido aos candidatos dos partidos políticos às eleições que se avizinham, em outubro.

Para o proTejo existe atualmente “uma necessidade premente de defender uma gestão razoável, sustentável, transparente, transfronteiriça e participativa da bacia hidrográfica do Tejo, para garantir o cumprimento da regulamentação comunitária em vigor e a proteção do rio Tejo e seus afluentes, a fim de assegurar a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de qualidade, conforme previsto na Constituição Portuguesa e exigido pela Diretiva Quadro da Água, tanto para nós como para as gerações futuras, bem como a possibilidade de desfrutar das suas águas e praias limpas e de alta qualidade”.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

Consideram igualmente “urgente assegurar que o caudal do rio Tejo seja aproximado ao que a Natureza requer para assegurar a manutenção dos ecossistemas aquáticos, acabar com a crescente poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas” e defendem a reposição da sua conectividade fluvial através da adaptação ou remoção de barragens sem uso.

Por isso, desafiam os candidatos às eleições legislativas de 2019 a assumirem alguns compromissos, nomeadamente “a revisão da Convenção de Albufeira entre Portugal e Espanha; a rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens – Projeto Tejo e a Barragem do Alvito em virtude das suas consequências negativas em termos ambientais, nomeadamente, o incumprimento da Diretiva Quadro da Água, e da necessidade de preservação de um rio Tejo livre e com dinâmica fluvial (os únicos 200 km), privilegiando o turismo de natureza, as atividades piscatórias tradicionais e a gastronomia de espécies piscícolas regional; a recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água; a conceção de um projeto com vista ao desassoreamento do rio Tejo e à sua navegabilidade; a gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo que assegure a qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, no sentido de garantir os diversos usos, em cumprimento da Diretiva Quadro da Água; o apoio a ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente; e a valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo”.

O sétimo “Vogar contra a Indiferença” foi uma atividade organizada pelo proTejo – Movimento Pelo Tejo, contando com o apoio do Município de Mação, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, da Quercus e da NATURZ.

Sétimo ‘Vogar contra a Indiferença’ em Ortiga, Mação. Créditos: mediotejo.net

VEJA AQUI O VÍDEO (de Arlindo Consolado Marques):

Publicado por Arlindo Consolado Marques em Sábado, 7 de setembro de 2019

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