Mação | Vasco Estrela satisfeito com “bom senso” da Celtejo no caso Arlindo Marques

Rio Tejo em Ortiga. Foto: Joana Santos

A empresa Celtejo anunciou esta semana que pôs termo ao diferendo que a opunha a Arlindo Marques e reafirmou estar “absolutamente comprometida” com a defesa “intransigente” do rio Tejo. O presidente da Câmara de Mação, concelho de onde é natural o ambientalista e que era sua testemunha no processo, comentou o assunto com o mediotejo.net e disse que “há um rio Tejo antes do Arlindo e um rio Tejo após Arlindo”, defendendo a importância do exercício da cidadania.

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O presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, regozija-se com o “bom senso” demonstrado pela Celtejo, discordando do comentário tecido pela empresa, “um bocadinho rebuscado e forçado quase dando a entender que era um favor que faziam ao Arlindo e para este não se aproveitar da situação. Era desnecessário!”, notou.

No entanto, para o presidente “é bom” que o processo tenha terminado. Vasco Estrela integrava o rol de testemunha de defesa de Arlindo Marques estando previstas as sessões de audiência para os dias 18 e 25 de junho de 2019.

Presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela. Créditos: mediotejo.net

“É importante que o trabalho feito pelo Arlindo, reconhecido nacional e internacionalmente, sirva de exemplo: não vale tudo e as câmaras têm de ter essa noção. Em Mação temos! E que vale a pena exercer a cidadania naquilo que entendemos ser importante para a defesa dos nossos interesses pessoais ou coletivos. Nem sempre os ativistas têm razão mas, no caso concreto, o Arlindo tinha toda a razão!”.

Por outro lado, também considera importante a ponderação. “Apesar do que a Celtejo disse, o Arlindo em todo este processo teve alguma ponderação. Há coisas que são evidências e factos contra os quais não vale a pena dizer o contrário. Há um antes e um após Arlindo, há um antes e um após intervenções profundas que a Celtejo fez na fábrica em Vila Velha de Rodão”, frisou.

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Vasco Estrela espelha uma opinião generalizada: “Toda a gente diz que o rio Tejo hoje é completamente diferente. Segundo os pescadores que convivem com o rio diariamente, há espécies que voltaram para o rio, o aspeto e o cheiro do rio é outro. Pode acontecer que seja tudo coincidência mas é um bocadinho estranho se assim for”, observa.

Poluição à parte, o autarca manifesta-se preocupado com os baixos caudais do rio. “Circunstâncias que estão a acontecer no mundo. Acontecem em Espanha e tem de nos fazer refletir quanto ao futuro para percebermos se há pelo menos condições do caudal ecológico ser mantido e isso tem acontecido, muito fruto das descargas do rio Ocreza e do rio Zêzere para o Tejo. Mas há muitas reflexões para o futuro que nos vai convocar para este problema”, insiste.

Arlindo Marques é conhecido como o Guardião do Tejo. Foto: DR

Vasco Estrela lembra que este ano os pescadores “não conseguem apanhar lampreia mais acima no rio Tejo porque não sobe. Não choveu, não há água suficiente e o problema é que a cada quatro anos há um de chuva e três de seca e começa a ser a regra. Há uma nova realidade, temos de a perceber para aprender a viver com ela”, concluiu.

A Celtejo tinha instaurado, em dezembro de 2017, um processo a Arlindo Marques, do movimento proTEJO, por este associar os episódios de poluição no Tejo à empresa, reclamando esta o pagamento de 250 mil euros por danos atentatórios do seu bom nome. Arlindo Consolado Marques é natural de Ortiga, Mação, e cresceu à beira Tejo.

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