Mação | União de Freguesias aplica projeto para limpar e preservar ribeiras do território

Foto: DR

A União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira tem estado a desenvolver a primeira fase um projeto que pretende manter, limpar e preservar espaços adjacentes às principais linhas de água do território, proporcionando a sua fruição por parte da comunidade e associações que promovam provas ou atividades de desporto ao ar livre. O projeto, com uma candidatura aprovada, já envolve ações de voluntariado previstas.

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José Fernando Martins, presidente da União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira (UFMPA), explicou que houve uma primeira candidatura feita em 2016 ao PDR2020 e que foi reformulada de modo a ser integrada na nova medida ao abrigo dos incêndios do verão de 2017, a Medida 8 – Proteção e Reabilitação de Povoamentos Florestais.

Deste modo, foi aprovada a candidatura à Operação 8.1.4. Restabelecimento da floresta afetada por agentes bióticos e abióticos ou por acontecimentos catastróficos – Estabilização de emergência pós incêndio.

“Fizemos esta candidatura para todas as ribeiras da União de Freguesias, fizemos levantamento de todos os locais onde era necessário intervir. Reinventámos o projeto e reorganizámos, e direcionámos para as áreas mais necessitadas entre as áreas ardidas, e apresentámos nova candidatura e otimizando o trabalho que já tínhamos feito”, contextualizou.

Este processo levou ainda a negociação com a Câmara, uma vez que também a autarquia tinha áreas de intervenção que pretendia candidatar a medidas de apoio pós-incêndio, e houve retirada de algumas áreas “para que a CM Mação pudesse apresentar um projeto dentro destes termos, mas noutros âmbitos, mas houve um trabalho conjunto”, disse José Fernando Martins.

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A UF acabou por apresentar uma candidatura “mais reduzida” mas que “contempla grande parte das linhas de água”, e ainda que não tenha sido aprovada na totalidade, conta com uma verba de 44 mil euros.

Assim, foi lançado concurso e assinado contrato com a empresa Silvapor, de Idanha-a-Nova, que tem estado no terreno com a freguesia a levar a ação a cabo nos espaços envolventes da “Ribeira de Aboboreira até Carregueira, Ribeira do Codes (de Chão de Codes até Louriceira), e parte da Ribeira de Eiras e Ribeira do Caratão”, enumerou o presidente de junta, indicando-os como sendo “pontos com interesse”, onde o trabalho de limpeza se verificou ser imperativo.

Os trabalhos em causa são, numa primeira fase, a desmatação e o abate de árvores secas, ardidas, e que estão a ser retiradas, e ainda limpeza de monos deixados nas imediações das linhas de água.

Depois, será desenvolvida uma segunda e uma terceira fase “que poderá ser com recurso a outro tipo de equipamento, que inclui a possibilidade de desassoreamento, arranjo de açudes, e plantação de árvores”, adiantou o mesmo responsável.

Este projeto pretende que exista uma gestão sustentável dos espaços junto das principais linhas de água da União de Freguesias, reaproveitando troncos e árvores removidos por impedirem o curso natural da água para formação de estruturas de proteção. Foto: DR

A espécie privilegiada para plantação nestas áreas será o Freixo, mas estão em vista outras espécies que possam “fazer de estanque a barreiras e evitar desvio dos cursos de água, e sirvam como linhas de corta-fogo em caso de catástrofes semelhantes às de 2017, criando um arvoredo resistente”.

Também serão feitas algumas estruturas, com recurso aos troncos das árvores que estão a ser removidas, com objetivo de evitar derrocadas para a linha de água e que esta siga o seu curso normal, sem que seja desviado e em caso de cheia invada as áreas de cultivo das comunidades.

Por outro lado, está garantida uma parceria com associações do concelho. Nesta primeira fase estão incluídas as associações de cariz desportivo, nomeadamente que organizam eventos todo-o-terreno, btt, trails, e numa segunda parte pretende a União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira chegar às associações que fazem regularmente passeios pedestres e que utilizam igualmente este tipo de espaços.

A UF estabeleceu parceria com associações de cariz desportivo do concelho, para garantir a abertura de trilhos e manter circuláveis não só as zonas incluídas no projeto financiado, mas também outras que ficaram de fora. Foto: DR

O objetivo, além da limpeza, é “abrir percursos e trilhos que toda a gente possa utilizar ao longo do ano e assim manter e preservar estas áreas”, mantendo-se igualmente vigilância dos mesmas.

“Se conseguirmos manter a utilização destes espaços, temos a certeza que se vai mantendo limpo, e estas parcerias e trabalho conjunto que tentamos fazer com as coletividades vai nesse sentido”, justificou José Fernando Martins.

Segundo o presidente da junta, a comunidade aderiu prontamente à chamada para fazer renascer o território após a destruição causada pelos fogos e está já agendada para início de março uma “grande ação promovida pela União de Freguesias e pelas associações, em que os voluntários vão connosco para o terreno, e vamos limpar alguns espaços que não estão contemplados neste projeto financiado, mas que têm o interesse para a realização das várias provas desportivas que se realizam ao longo do ano”, concluiu.

Pretende-se com este projeto “restabelecer e recuperar o contributo ambiental das Galerias rípicolas da freguesia e criar no terreno uma infraestrutura ecológica de importância estratégica para a valorização ambiental com uma gestão sustentável, promovida em parceria com os proprietários”, pode ler-se no edital publicado pela UFMPA.

 

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