Mação | Sistema MacFire vai integrar aplicação SIRESP-GL e ser alargado a todo o distrito

António Louro é o mentor do sistema MacFire. Foto: José Oliveira

O sistema MacFire, ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, vai integrar a partir de quarta-feira o programa de dados do SIRESP e ser implementado em todo o distrito de Santarém.

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O MACFIRE – Gestão de ocorrências – foi operacionalizado em concertação com o CDOS de Santarém, as duas CIM do distrito de Santarém (Médio Tejo e Lezíria do Tejo) e o Município de Mação. Desde então, o processo tem vindo a possibilitar um maior desenvolvimento da aplicação, estendendo-se o uso da mesma a todos os Corpos de Bombeiros do distrito.

Ao longo do ano de 2018, foi executada a implementação deste projeto piloto a nível distrital, no âmbito da criação de sistema de suporte à decisão no combate aos incêndios florestais em articulação com o Comando Distrital de Operação e Socorro (CDOS) de Santarém, o denominado MACFIRE (Mac de Mação, Fire de fogo) que, no dia 10 de julho, passa a utilizar os dados do SIRESP-GL.

Nesse sentido, esta quarta-feira, dia 10 julho, às 11:00, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, a CIM da Lezíria do Tejo e a Câmara Municipal de Mação vão proceder à assinatura do Protocolo de Cedência de Dados da Aplicação SIRESP-GL com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

A cerimónia realiza-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Mação e tem a presença anunciada do Secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

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O MacFire (Mac de Mação, Fire de fogo), sistema desenvolvido por técnicos informáticos de Mação em 2004 e por especialistas de uma empresa do ramo das novas tecnologias, permite levar a informação existente sobre a zona de combate a incêndios rurais para o Posto de Comando móvel existente em cada sinistro.

Autarquia de mação concebeu o sistema em 2004, tendo investido cerca de 125 mil euros no MacFire. Foto: José Oliveira

Na base do sistema está a cartografia militar, mas também as cartas de risco de incêndio e os hortofotomapas (fotos aéreas retificadas no solo).

A novidade introduzida por António Louro, vice-presidente e responsável pela Proteção Civil em Mação, foi integrar esta informação e sobrepor os mapas, permitindo visualizá-los todos ao mesmo tempo. A tudo isto, junta-se a tecnologia GPS, dando a localização exata das viaturas no terreno, bem como a posição das frentes de fogo e o valor rigoroso da área atingida, o que permite prever a sua provável evolução, além de fazer o histórico de cada sinistro, para avaliação futura.

Sistema MacFire alarga-se de Mação a todo o distrito de Santarém. Foto: DR

O sistema, em que a autarquia de Mação investiu cerca de 125 mil euro em 2004, está instalado no que parece ser uma vulgar carrinha, tendo no seu interior seis monitores encaixados nas paredes que transmitem informação em tempo real da situação no terreno, com informações vitais para a tomada momentânea da decisão, como seja o posicionamento dos bombeiros, onde anda o fogo e em que dimensões, onde é prioritário intervir, os melhores acessos e os pontos de água mais próximos.

A situação no terreno é acompanhada a par e passo, ficando ainda disponíveis informações importantes sobre a localização, características e operacionalidade de todas as infraestruturas florestais relevantes no combate aos incêndios, como tanques, charcas e estradões, além do registo histórico de cada sinistro, que permitirá análises futuras do comportamento do fogo em cada momento.

O sistema, que funciona em Mação há mais de uma década, alarga-se este ano a todo o distrito de Santarém devido ao “desafio lançado ao comandante distrital” e “oportunamente também às duas Comunidades Intermunicipais (CIM) do distrito”, disse António Louro, sublinhando que, “com a junção de esforços de todos, foi possível fazer a expansão do MacFire” para todo o distrito, composto por 21 municípios e com grande histórico de incêndios.

“A colaboração das CIM do Médio Tejo e da Lezíria foi indispensável, pois houve um apoio significativo cedendo ‘software’, instalações logísticas e até procedendo à aquisição de algum equipamento que era importante para instalar nas viaturas”, disse o vice-presidente.

António Louto, vice-presidente da CM Mação e coordenador da proteção civil municipal. Foto: mediotejo.net

O MacFire, no entanto, “não apaga fogos”, frisou o mentor do sistema, engenheiro florestal de profissão.

“É uma ferramenta que ajuda numa situação complexa como em grandes incêndios florestais, é uma ferramenta de apoio à decisão, para quem tiver de decidir o consiga fazer de uma forma mais acertada e num tempo mais curto. Penso que é um passo importante para todo o distrito”, afirmou, notando que o sistema viu uma candidatura aprovada de 400 mil euros para processo de investigação.

Sistema MacFire esta instalado em carrinhas móveis e posto de comando. Foto: DR

Nesta fase, e através deste protocolo pretende-se que os dados da ANEPC, de todos os rádios SIRESP, possam ser incorporados no sistema MACFIRE – Gestão de Ocorrências – operacionalizando ainda mais o sistema de suporte à decisão no distrito de Santarém.

No âmbito da preparação do dispositivo para 2019, foi realizada uma apresentação do projeto na Secretaria de Estado da Administração Interna com vista a ser solicitado o acesso aos dados (localização) dos rádios SIRESP-GL, evitando assim o custo na aquisição/aluguer de localizadores.

No decorrer do processo, foi também realizada uma reunião no passado dia 18 de abril, nas instalações da ANEPC, com vista à operacionalização da cedência dos dados dos rádios SIRESP-GL.

O ano passado, foi atualizada pela CIM do Médio Tejo, a aplicação tecnológica de sistema de informação geográfica, a qual proporciona o apoio à decisão, uma vez que permite aos operacionais no terreno “o desenho” nos dispositivos móveis, em tempo real, do que estão a observar no teatro de operações.

Já a CIM da Lezíria do Tejo efetuou a aquisição de dois drones equipados com câmara de vídeo e câmara térmica, permitindo fazer um reconhecimento aéreo do teatro de operações.

A minuta de protocolo a celebrar com a ANEPC, com a CIM do Médio Tejo, a CIM da Lezíria do Tejo e o Município de Mação para a Gestão de Ocorrências, no âmbito da cedência de dados da aplicação SIRESP-GL, já tinha sido aprovada no dia 9 de maio em Conselho Intermunicipal.

C/LUSA

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