Mação | Sábado há concentração ibérica de cidadãos em defesa do Tejo

O Movimento pelo Tejo – proTEJO, assinala no sábado, dia 7 de setembro, uma década de atividade em defesa do rio Tejo com um conjunto de ações de mobilização de cidadãos de Portugal e de Espanha em torno dos temas ambientais. Foto: DR

O Movimento pelo Tejo – proTEJO, assinala no sábado, dia 7 de setembro, uma década de atividade em defesa do rio Tejo com um conjunto de ações de mobilização de cidadãos de Portugal e de Espanha em torno dos temas ambientais. Na manhã desta iniciativa decorrerá uma descida em canoa para “Vogar contra a indiferença”, com início a jusante da Barragem de Ortiga-Belver (Mação) e cuja expedição tem como destino Mouriscas (Abrantes), culminando com um almoço em restaurante da Ortiga ou em picnic convívio, à escolha dos participantes.

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Durante este percurso fluvial pretende-se realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no município de Mação, refere o movimento ambientalista em nota de imprensa, em especial as tradicionais pesqueiras do rio Tejo, cuja construção assenta na técnica de execução designada na região por de “pedra ao alto”.

Segundo o proTEJO, tal técnica revelou-se de extrema eficácia na resistência à natural força das correntes de água, tando que viria a ser utilizada por Juan Bautista Antonelli, em 1583, na construção dos caminhos de sirga e no então criado e ainda hoje existente Canal de Alfanzira, em Mouriscas, no âmbito do projeto de navegabilidade do rio Tejo, no início do reinado de Filipe I.

Às pesqueiras, para serem utilizadas como suporte da pesca à Varela, ao criarem as correntes de água adequadas ao exercício, com sucesso, daquela técnica, junta-se outro equipamento, o barco picareto, construído pelos calafates locais, imprescindível para a pesca com recurso ao tresmalho ou à tarrafa.

E porque “não é indiferente à cultura material e imaterial dos ecossistemas e comunidades taganas, bem pelo contrário”, os ambientalistas do movimento pelo Tejo manifestar-se-ão igualmente “contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido”.

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Neste sentido, irá proceder-se à leitura da Carta Contra a Indiferença na qual se evidencia a necessidade de “defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos novos projetos de construção de novos açudes e barragens – Projeto Tejo e a Barragem do Alvito – e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas, a par de um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos e de uma continuidade fluvial proporcionada por passagens para peixes eficazes”.

Segundo o movimento ambientalista, pretende-se “consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar”.

A tarde será dedicada a uma Concentração Ibérica “Em defesa do Tejo”, na praia fluvial da Ortiga, pretendendo apresentar-se um “Manifesto em defesa da bacia do Tejo/Tajo” aos candidatos dos partidos políticos às eleições legislativas de 2019.

Segundo o movimento pelo Tejo, “está prevista uma mobilização significativa de grupos de cidadãos de ambos os lados da fronteira, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade”.

Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Mação, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e da NATUR Z.

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