Mação | Conhecer os cantos e encantos de Ortiga de GPS em punho (C/VIDEO e FOTOS)

A atividade é partilhada a nível global, e tem muitos adeptos em Portugal. Provavelmente, no local onde passa todos os dias estará algures estrategicamente escondida uma cache, que só poderá ser encontrada com recurso a coordenadas GPS. Desde julho de 2018 é possível descobrir Ortiga (Mação) através do Geocaching, numa rota em 8 e com cerca de 20 km de extensão, indo desde o mais central, no Largo da Liga, e subindo à Formosa, vendo a terra do alto do picoto. Cerca de uma centena de participantes, de norte a sul do país, renderam-se aos cantos e encantos da freguesia, e nós não quisemos perder a viagem. Contamos-lhe tudo de seguida, numa reportagem de Joana Santos que hoje recuperamos.

Começou com o planeamento de um evento pelos “jogadores” ou “geocachers” que dão pelo nome de Clube das Sandes (Porto), JOLUI (Proença-a-Nova), RBJLEMOS (Envendos). Do Clube das Sandes, surge um ortiguense de gema, Leonel Mourato, que apesar de viver atualmente no Porto, não perde a oportunidade de voltar à terra quando pode. Desta vez, decidiu pôr em prática uma ideia que amadurecia há algum tempo: fazer um evento de geocaching, registando um percurso com caches oficiais na freguesia.

Um evento dito “normal” que reuniu cerca de 100 participantes que, através da plataforma, rapidamente acederam com “Will Attend”. E na manhã deste sábado, pelas 8h30, o movimento que se fazia sentir era atípico, com substancial volume de carros estacionados pelas ruas. Rapidamente o Largo da Liga, o ponto de encontro das coordenadas N 39° 29.072′ W 008° 01.199′, encheu.

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Entre os participantes dava para distinguir os mais expert na matéria, os acompanhantes e familiares, aqueles que vêm pelo puro convívio. O ingrediente principal? A boa disposição. Meio caminho andado para uma rota de sucesso.

Dadas as boas-vindas, e bênção dada tanto pelo autarca Vasco Estrela, como pelo presidente de Junta de Freguesia de Ortiga, Rui Dias, com discursos marcados pela gratidão e pelo convite para que desfrutassem daquela terra, com a promessa de terra que tem por hábito ser boa hospitaleira.

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E depois da foto da praxe, lá se fizeram ao caminho, a partir do Largo e a sair junto à estátua de João de Oliveira Casquilho, seguindo para a antiga Fonte Velha, com destino à Barragem. O percurso vai-se fazendo sem pressa, mas a passo regular, para não se perder tempo e chegar a horas ao almoço que seria confecionado com apoio da Liga de Melhoramentos e da Junta de Freguesia.

Cerca de 100 participantes aderiram ao evento promovido em Ortiga. Foto: mediotejo.net

Paragem junto do Parque de Campismo, em direção ao mítico restaurante Lena da Barragem, e paragem junto à Praia Fluvial depois de atravessarem com cautela a passagem de nível. À sombra, os participantes ouviam as indicações de Leonel, mas depressa as atenções foram viradas para a águia-pesqueira que, em atléticos voos a pique, tentava apanhar algo à tona da água. Peixe, talvez. E logo se ouvem os disparos de máquinas fotográficas entre os suspiros de quem torcia para que o animal dali saísse vitorioso.

Hora de prosseguir. Atravessando a praia fluvial e chegando junto aos telheiros, no espaço de merendas e churrasqueira, depois de uma passagem pelo o bar, porque “Há tempo para tudo, vamos ali num instantinho”, e onde da parte da tarde se concentraram para beber algo refrescante ou comer um gelado com os mais novos.

Junto aos telheiros, uma cache já antiga, colocada por um geocacher de Mação, de seu nome GRALUZ. Continha um pequeno bloco de notas, onde constavam assentes várias passagens de outros geocachers da região, do país, quem sabe do mundo!

Tentámos perceber de onde vinha todo o à-vontade entre participantes, sabendo que vinham de pontos tão distintos como a Maia de Tomar, Porto, Aveiro, Ponte da Barca, Espinho e de Mação. “Nós ao longo de todo o ano encontramo-nos, seja pessoalmente, seja através da Internet, seja através do site de Geocaching ou através dos “logs” que são os registos em papel… vamo-nos encontrando. De uma forma ou outra, todos nós nos conhecemos”, contou-nos Leonel.

Estes eventos são feitos” de vez em quando, não só para dar a conhecer os locais por onde passamos, como também para nos encontrarmos”, acrescentou.

“Fizemos um trilho de 29 caches e à tarde iremos fazer outro trilho com cerca de 30; ao longo do percurso, vamos apanhando pontos que vão dar uma coordenada final que é a chamada “bónus”. O objetivo é ir a essa bónus, e a partir daí o evento acaba e cada qual vai à sua vida. Ao longo de todo o percurso vão existindo outras caches de outros jogadores e onde vamos registando o nosso nome”, os tais ‘logs’ de que falou acima.

Uma das caches deixadas por um geocacher, junto à praia fluvial de Ortiga, bloco de notas para fazer ‘log’ e registar a passagem. Foto: mediotejo.net

A Rota das 3 Províncias aconteceu após cinco meses de maturação da ideia e cinco dias de marcação do trilho. “Foram sendo deixadas caches nos vários sítios, e através de um GPS marcamos uma coordenada geográfica. Depois, pedimos autorização ao revisor, a nível nacional, que vai ver se aquele ponto cumpre todos os requisitos”, entre os quais, se não está numa propriedade privada, se não está situado num local onde o geocacher possa destruir um bem público ou património.

Leonel explicou que “a cache tem de estar ou num sítio público, ou num sítio privado com autorização e só depois esse revisor publica a cache, e é divulgada no site mundial. Cada jogador, onde está, ‘puxa’ um mapa [Google Maps] e naquela zona vê as que tem”.

A Rota das 3 Províncias, com este nome porque abrange vistas sobre estas três regiões distintas que confluem no concelho de Mação, ficará disponível “para sempre” e “caso venham outros geocachers, não integrados neste evento, percorrerão os mesmos locais que nós”, afirmou o ortiguense.

Uma ‘tradição’ comum entre eventos: a passagem de um adereço com um código que deverá registar-se na plataforma, e que agora se encontra na posse de Leonel Mourato. Deverá passar a outro ‘jogador’ no próximo evento em que participe, e assim sucessivamente. Foto: mediotejo.net

Também na iniciativa, Vasco Estrela não deixou de dar as boas-vindas ao concelho, convidando os presentes a “desfrutar”, nomeadamente daquela freguesia, e que pudessem “ficar fãs do concelho de Mação”, esperando que a caminhada lhes pudesse “despertar os sentidos para cá regressarem e quem sabe poderem desfrutar de outros pontos de interesse”.

O autarca deixou agradecimento a Leonel Mourato, reconhecendo no longo tempo em que falava e acreditava sobre o potencial deste evento, que passou de mera ideia à sua concretização. Para Vasco Estrela “o Leonel personifica aquilo que temos dito: é importante que todos nós possamos dar um pouco de nós mesmos para ajudar a renascer e a reconstruir o nosso concelho”, disse.

“É com alegria que vejo um filho da terra, do concelho, a não perder as suas raízes e pelo contrário a querer ajudar a sua terra e o seu concelho, e ajudar estas pessoas a recuperar um pouco daquilo que foi a tragédia que aconteceu no verão passado, também nesta freguesia, e em todo o concelho de Mação. E em grande parte do nosso país”, terminou o presidente de Câmara.

Para Rui Dias, presidente da Junta de freguesia, este evento foi “um sucesso” e a prova de que se tem de “inovar e trazer gente de fora, queremos pessoal a agitar o Interior, para não deixarmos morrer a nossa região”. O presidente de junta não deixou de lembrar a forte aposta no âmbito do desporto, nomeadamente pela recente marcação de um percurso BTT de cerca de 30 km de extensão.

“É uma forma de rentabilizarmos o território, e é nosso objetivo rentabilizar a praia fluvial, um ícone do concelho. É o objetivo principal, temos ali melhor qualidade de água, temos de arranjar as infraestruturas e potenciar para trazer cá as pessoas. Temos boas acessibilidades, quer autoestrada, quer transporte ferroviário,… Faço o convite a todos, para que, pelo menos, nos dêem uma oportunidade ao vir visitar-nos. A Ortiga sabe receber”, afirmou Rui Dias, visivelmente satisfeito por este evento dinamizado na sua freguesia.

O percurso, feito em 8, tem no seu coração o jardim da Liga de Ortiga, onde se deu a partida e onde foi servido o almoço, partindo-se para a segunda parte da rota. “A zona da Estação, toda a zona do campo junto ao rio Tejo, para dar conhecer a Ortiga do lado sul”, disse.

“Na Ortiga temos alojamentos locais quer a sul, quer a norte, e de alguma forma o percurso apanha todos eles, bem como outros equipamentos que é o caso da Praia fluvial e o Parque de campismo… praticamente varre a Ortiga de sul a norte, e quem o fizer… fica a conhecer a Ortiga toda!”, contextualizou Leonel, convicto da obra que fica agora disponível para os amantes desta atividade ou novos aventureiros, que queiram passar pelo território maçaense e, sobretudo, conhecer os cantos e encantos de Ortiga com auxílio das coordenadas geográficas.

E o que é ser geocacher? Para Leonel é, acima de tudo, ter “espírito de aventura” e sabendo que nesta atividade participam “todas as pessoas, de todos os estratos sociais, de todas as idades, de todas as raças, de todos os credos, de tudo. Não há clubes, políticas,… Nós aqui não distinguimos ninguém. Aqui somos todos iguais” em busca do mesmo objetivo: a próxima geocache.

*Reportagem de Joana Santos publicada em julho de 2018, republicada em dezembro de 2019. Leonel Mourato vai começar este mês a escrever no jornal mediotejo.net sobre o Geochachingworld e a relatar aos nossos leitores as suas aventuras.

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