Mação | Concelho com esperança no futuro e pronto a arregaçar mangas pela floresta (C/VIDEO e FOTOS)

Foto: mediotejo.net

A 26ª Feira Mostra de Mação recebeu o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas, naquela que é a habitual visita oficial ao certame, realizada na sexta-feira, dia 5 de julho. Nesta tarde foram ainda distinguidas cinco empresas maçaenses classificadas como PME Excelência, bem como inauguradas as obras de “Cinquenta anos a fazer P.Arte” e a eternizada “Chaimite Palavril” do artista plástico António Colaço. Vasco Estrela, autarca maçaense, aproveitou para deixar “uma mensagem de esperança no futuro”, lançando “repto” para que o concelho possa ser incluído em próximos projetos-piloto previstos para a área da floresta.

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Após a participação nas inaugurações das obras de António Colaço, que se revestiram de emoção, memória e História, e com grande simbolismo, a comitiva constituída pelo executivo municipal, pelo Secretário de Estado Miguel Freitas e demais convidados e representantes de entidades e instituições concelhias, hora de visitar os expositores e participantes nesta mostra, que é um evento-maior de especial importância por ser “cada vez mais a Feira do concelho”.

Disse-o Vasco Estrela, presidente da CM Mação, que assumiu “sentir cada vez mais presente” a identidade coletiva do território que lidera, dado o número crescente de expositores de Mação ou que têm ligações a este concelho, que não passam já sem participar no evento.

Por outro lado, o autarca disse crer que esta iniciativa representa “uma boa oportunidade para dar a conhecer as suas empresas, o seu artesanato, aquilo que as suas associações fazem, o dinamismo que cada um tem”.

Segundo Vasco Estrela, esta Feira “não seria aquilo que é se não fosse o empenho de muitas e muitas pessoas, anónimas, por quem passamos e que fazem questão de aqui estar”, sublinhou o edil, deixando um “principal agradecimento” às pessoas e às associações do concelho, pelo envolvimento quer diretamente no certame, quer na dinamização de atividades “diversificadas e para vários públicos”, sendo complementares da programação.

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“Este é um concelho vivo, que tem dinamismo, e apesar de todas as adversidades, as pessoas continuam a ajudar a dinamizá-lo e a estar ao lado das suas forças vivas”, salientou o presidente de Câmara, constatando que este é um evento que irá “continuar a demonstrar aquilo que Mação tem e sabe fazer” ao mesmo tempo que deixa “uma mensagem de esperança no futuro do concelho”.

“Tenho esperança no futuro, e tenho de ter esperança no futuro. Espero daqui a alguns meses poder anunciar algo de importante para este concelho” – Vasco Estrela

Durante o seu discurso, Vasco Estrela dirigiu-se ao Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, lançando o repto para que “ajude a população do concelho de Mação a encontrar esperança na floresta, que está enraizada em todos e em cada um de nós e que nos ajude também por este ponto de vista a termos esperança no futuro”.

O edil não deixou de lembrar os esforços do município e o trabalho no setor florestal, na valorização da paisagem e na diversificação da atividade económica ligada ao mundo agrícola, orientados pelo vice-presidente da CM Mação, António Louro, acreditando que “o concelho lhe fará a devida justiça” por estes feitos.

Momento ainda para registar o facto de a ferramenta MacFire, pensada e desenvolvida por António Louro e a sua equipa, ter sido reconhecida e que será objeto de protocolo a ser assinado esta quarta-feira, dia 10 de julho, entre a Câmara Municipal de Mação, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a CIM da Lezíria do Tejo, no sentido de proceder a cedência de Dados da Aplicação SIRESP-GL, a nível do distrito de Santarém, para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Vasco Estrela não deixou de frisar que Mação e as suas gentes estão preparados para assumir um compromisso junto do Estado a fim de encontrar soluções e iniciativas que vinguem em património florestal. O autarca referia-se ao “desafio” já deixado aquando a sua participação no programa Prós & Contras, da RTP, no sentido de proporcionar a integração de Mação numa das cinco Zonas Piloto que a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, (AGIF, I.P.) pretende desenvolver.

Quanto à “mensagem de esperança” que quer continuar a passar, o autarca lembrou outros caminhos que o Município tem conseguido percorrer com sucesso, caso do Centro de Negócios e Ninho de empresas do concelho que, após dois anos da sua inauguração e sem grande estratégia de divulgação, conta já com 10 empresas instaladas.

Por outro lado, focando os produtos do concelho, expostos através da associação Amar Mação, e o projeto Rotas de Mação que tem sido dinamizado por um grupo de pessoas de forma voluntária, envolvendo a autarquia, as associações e as juntas de freguesia, Vasco Estrela quis lembrar os vários impulsos que elevam este município a partir da sociedade civil e das empresas ali sediadas com os seus contributos para que se deixe de viver “de costas viradas para o território”.

Vasco Estrela quis também cumprir com a sua “obrigação” ao “passar uma mensagem de esperança e de futuro para o concelho” estando seguro que se for construído de forma coletiva “será um futuro melhor”.

Mação “tem de ser um concelho de referência” para o futuro da floresta no país, diz Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural

Depois de assumir participar com “emoção” no terceiro dia da Feira Mostra de Mação, Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, disse ter percebido “o quanto corajosos são aqueles que continuam a resistir nesta terra e a fazer coisas tão bem feitas”, algo que marcou a sua passagem pelo concelho.

“Depois da tragédia vivida neste concelho, e neste território, em 2017, aquilo que precisamos primeiro é ter memória (…) para não nos esquecermos e para que não se volte a repetir aquilo que se passou”, mencionou, acrescentando ter certeza que em Mação “se fazia bem porque a floresta era da melhor floresta que tínhamos em Portugal. E mesmo assim, ardeu”.

“Significa que não basta fazer bem, temos de fazer diferente”, relevou, adiantando ser este o “verdadeiro desafio” para o futuro do território, uma vez que é “preciso perceber que a floresta não pode ser vista apenas à escala do município” uma vez que não podem existir fronteiras, sendo imperativo “derrubá-las” e “pensar a floresta para ser vivida”. Como tal, o plano tem de passar por mudar a floresta que o país hoje tem.

Entre as várias declarações do governante, foram indicadas por si algumas das medidas necessárias e urgentes para que tal aconteça, nomeadamente “estreitar relações entre a administração central e a administração local, sendo os municípios os novos protagonistas da floresta que andaram muitos anos afastados do setor”.

Já o Estado “tem de ser parte interventiva do processo” para uma gestão de propriedade, referiu, fazendo notar que “este é o momento das grandes e verdadeiras escolhas” e que o concelho de Mação e a região do Pinhal Interior pertencem ao “território mais crítico do ponto de vista florestal em Portugal”.

“é evidente que qualquer projeto que tenhamos, qualquer plano que façamos para a floresta portuguesa, Mação terá que ser, certamente, um concelho de referência de todo esse trabalho”, Miguel Freitas

Miguel Freitas sublinhou a importância de “trabalhar com os agentes no terreno, sem lhes virar as costas”, tendo noção que “aquilo que tem sido feito é muito pouco quanto àquilo que é necessário fazer”.

O Secretário de Estado vincou ter-se chegado “à parte mais difícil” do processo, que passa por “meter a mão na floresta”, que se traduz em “mudar a floresta que temos”, algo que só resultará com “trabalho em conjunto” no sentido de lidar com “grandes desafios em territórios muito complicados”.

Por outro lado, referiu-se um dos problemas do interior do país que anda de mãos dadas com os incêndios florestais, tema que é igualmente caro ao concelho de Mação: a desertificação.

Nesta medida, defendeu Miguel Freitas que “a valorização do Interior não pode ser só simbólica, tem que ser a grande prioridade do próximo programa comunitário”, uma vez que “não podemos viver com um país a duas velocidades”, isto é, “um país no Interior e um país no Litoral a velocidades diferentes”.

“O país tem que investir para ter mais gente, mais jovens, tem que encontrar novas soluções”, disse, falando nomeadamente em projetos em discussão como o estatuto do Jovem Agricultor que se quer fixar no Interior do país e desenvolver projetos agrícolas.

Miguel Freitas terminou o seu discurso deixando a garantia de levar “muitas mensagens” e “muita emoção” do dia que vivera em Mação, considerando ir dali “um filho da terra”.

Esta segunda-feira soube-se que o Tribunal de Leiria deu razão ao município de Mação numa ação contra o Estado devido à exclusão do concelho do Fundo de Solidariedade europeu, na sequência dos incêndios de 2017, anulando o aviso de lançamento dos apoios.

Espreite aqui a fotogaleria composta pelos vários momentos desta visita oficial à edição de 2019 da Feira Mostra do concelho de Mação:

 

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