“Linguado”, por Armando Fernandes

Foto: DR

Não, não, descansem os leitores, não irei discorrer acerca das virtudes do linguado do início do fim da adolescência, daquela prática quantas vezes suburrosa da língua espalmada noutra língua antes da mesma penetrar na goela sem gola protectora oferecida pelo ministro Cabrita, o senhor do microfone é meu. Tais usanças de língua passaram à categoria de tudo a idade levou, parafraseando o célebre filme da época em que os actores ostentavam garbosos bigodes à Clark Gable, ou pindéricos apontamentos de bigodes popularizados pelo mexicano Cantinflas cujos filmes ainda hoje me arrancam gargalhadas.

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Nesta crónica procuro evidenciar as virtudes deste peixe a lembrar raquetes de madeira e revestidas a corticite, de carnação branquíssima, de gosto delicado e substancioso isto se o peixe tiver sido preparado culinariamente como inteiramente merece, seja assado, cozido cuidadosamente ao vapor, frito ou grelhado. Cada cozedura pode ser objecto de inúmeras receitas criadas pelo talento de notáveis cozinheiros, destacando-se o notável chefe Carême.

Grassa por aí a moda de os linguados sofrerem com golpes nos dorsos, a ideia dos oficiantes é a de poupar tempo, ora cozinhar é a arte da paciência, uma arte inimiga da pressa, do desvario na composição das receitas, revelando negativamente a dita pressa quando se trata de cozinhar produtos delicados, mimosos, como é o caso do linguado.

Renunciando ao desejo de evidenciar receitas, atrevo-me a sugerir às leitoras a consulta de composições envolvendo amêndoas e nozes, frutas ricas em potássio (as bananas são), lacticínios líquidos (o leite é), legumes verdes (os brócolos são), tubérculos (as batatas são). Estas indicações não passam disso mesmo. Dirá a leitora: ameixas, cerejas, ginjas, maçãs, peras, pêssegos, em cru ou em seco, também resultam bem. Dirá e diz bem. Acrescento alperces e dióspiros.

É melhor não agigantar a crónica, termino recordando o gigante glutão Carlos V, Imperador do mais extenso império da cristandade de todos os tempos, adorava linguados que se prendiam nos anzóis dos pescadores da Ericeira. Depois de ter renunciado ao ceptro exilou-se num Convento em Yuste nas cercanias de Cáceres, porém não renunciou aos apetitosos linguados. Dada a sua omnipotência ordenou a criação de um serviço de mudas de forma a receber os linguados frescos e formosos. Assim aconteceu.

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Conde Vimioso, Rosé

Os vinhos rosados de uma forma geral são efusivos, frescos, elegantes, tornando-se apetecíveis seja a acompanhar refeições, seja bebidos ao modo de aperitivo ou entretém de boca. Este rosé Conde Vimioso não foge a esse padrão, antes pelo contrário acentua-o dado a bom casamento entre a casta Touriga e a casta Syrah, não sei qual é a proporção de uvas de cada casta, sei, isso sim, quão impressiva prova sensorial e posteriormente no decurso do almoço, no qual acompanhou galhardamente recheio de sapateira como entrada, a seguir pregado legítimo assado no forno, brócolos e batatas.

Já no pós-praandial, sem qualquer esforço do jovial vinho ficou a saudade depois de se ter extinguido na garrafa. Hossanas ao produtor e ao enólogo. Salvo melhor opinião, o rosé em causa é parceiro adequado a acompanhar fumados de peixe e carne, ovas, peixes brancos e frutos vermelhos marítimos.

Origem: TEJO. Produzido e engarrafado por : Falua, S.A, Vinhos. Ano de colheita: 2018. Graduação: 13º.

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