Legislativas | Quem vai sentar-se nas 9 cadeiras reservadas para deputados de Santarém?

*Por Mário Rui Fonseca e Patrícia Fonseca

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Alexandra Leitão, António Gameiro, Hugo Costa e Maria do Céu Albuquerque, pelo PS; Isaura Morais, João Moura e Duarte Marques, pelo PSD; Fabíola Cardoso, pelo BE; e António Filipe pela coligação PCP-PEV. São estes os nove deputados eleitos pelo círculo de Santarém, embora não seja expectável que todos venham a ocupar o seu lugar na Assembleia da República. Há, pelo menos, três incógnitas para já.

Alexandra Leitão e Maria do Céu Albuquerque, que faziam parte do elenco governativo de António Costa, deverão ser reconduzidas no Executivo socialista. Alexandra Leitão era Secretária de Estado Adjunta e da Educação desde 2015 e Maria do Céu Albuquerque cessou funções na Câmara de Abrantes em fevereiro deste ano para assumir o cargo de Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional.

Se assim for, suspendem o mandato de deputadas para assumir funções executivas, abrindo lugar à subida dos nomes que se sucedem na lista apresentada às eleições. Neste caso, mantendo António Gameiro (líder da distrital) e Hugo Costa (de Tomar) os seus lugares de deputados, que já exerciam na anterior legislatura, avançam Manuel Afonso (ex-vereador em Santarém e membro do secretariado distrital do PS) e Mara Lagriminha Coelho (de Coruche, presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas).

No PSD, Isaura Morais terá agora de decidir se regressa à presidência da Câmara de Rio Maior, cargo que suspendeu para ser cabeça de lista por Santarém, ou se assumirá o lugar de deputada, tendo já avançado à Lusa que vai renunciar ao mandato autárquico a seguir à tomada de posse no parlamento. João Moura (líder da distrital) e Duarte Marques (de Mação) já eram deputados na anterior legislatura, com trabalhos de grande responsabilidade em várias Comissões parlamentares, e assim deverão manter-se. Se Isaura Morais regressasse à Câmara de Rio Maior, abria-se a porta da AR para Sónia Quintino, consultora, de Benavente.

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António Filipe é já um decano do PCP no Parlamento, e Fabíola Cardoso, do BE, irá estrear-se nessas funções, substituindo o anterior deputado bloquista por Santarém, Carlos Matias.

A Constituição determina que a Assembleia da República deve reunir-se no terceiro dia posterior ao apuramento dos resultados gerais das eleições. Mas como o apuramento geral só se dará por concluído no dia 16 (no décimo dia posterior à eleição), depois de apurados também os votos dos círculos da Europa e de fora da Europa (que elegem, cada um, dois deputados), a primeira reunião deverá realizar-se a 21 de outubro.

O que nos contam os votos
Os resultados distritais espelham os valores obtidos a nível nacional pelos diferentes partidos, com 37,1% dos eleitores do distrito de Santarém a votar no PS e 25,2% no PSD, sendo que dos vários concelhos com Câmaras de maioria social-democrata apenas em Ourém, Mação e Rio Maior o PSD suplantou a votação dos socialistas.

Em Ourém, o PSD obteve 46,4% dos votos, contra os 21,8% do PS, em Mação (concelho de origem de Duarte Marques, eleito deputado) 38,1%, com o PS a ficar nos 36,5% e em Rio Maior (de que a cabeça de lista Isaura Morais era presidente da Câmara) obteve 36,1%, ficando o PS com 33,1 por cento.

Nos concelhos de Ferreira do Zêzere, Sardoal e Santarém (Câmaras de maioria social-democrata), o PSD obteve 34,4%, 28,5% e 25,7%, ficando atrás do PS, partido que teve 35,5%, 35,7% e 37,7%, respetivamente.

O PS elegeu assim quatro dos nove deputados do círculo eleitoral de Santarém, o PSD três, o BE um e a CDU outro, tendo o CDS perdido a deputada que havia eleito há quatro anos, no âmbito da coligação com o PSD.

A presidente da distrital de Santarém do CDS-PP, Patrícia Fonseca, foi deputada na última legislatura. Foto: DR

A centrista Patrícia Fonseca confessou ao mediotejo.net ter “pena” de não ser eleita: “Tenho pena porque entendo que fiz um bom trabalho neste meu mandato. Continuarei a fazer o meu trabalho político no distrito, da maneira que puder, mas tenho pena, de facto, porque entendo que há um conjunto de valores e de ideias que só o CDS representa”.

[Declarações de Patrícia Fonseca, do CDS-PP]

João Moura, presidente da distrital do PSD e deputado eleito por Santarém, também se mostrou desiludido com os resultados: “Obviamente que é um resultado que não nos pode deixar satisfeitos. É um resultado que, mesmo mantendo o número de deputados que o PSD já tinha, é um resultado abaixo daquilo que será exigível a um partido como o PSD. Houve aqui, de facto, resultados no distrito, em alguns concelhos, e, que lhe confesso que tinha uma expectativa muito diferente em termos de score eleitoral”.

[Declarações de João Moura, do PPD/PSD]

Mais satisfeito estava naturalmente Hugo Costa, deputado eleito por Santarém e coordenador da campanha do PS: “Foi um bom resultado do PS no distrito de Santarém, e passámos de três deputados eleitos para quatro deputados. Tivemos uma vitória clara em praticamente todos os concelhos do distrito, inclusivamente em alguns concelhos em que não somos poder, como os casos de Santarém, Sardoal, Ferreira do Zêzere e Alpiarça. É um grande resultado do PS no distrito de Santarém, que cresce simultaneamente no numero de deputados eleitos pelo distrito, e que se transforma neste grande resultado eleitoral”.

[Declarações de Hugo Costa, do PS]

Fabíola Cardoso, eleita pelo Bloco de Esquerda, também falou ao nosso jornal: “Eleger o deputado [por Santarém] era um dos nossos objetivos, assim como aumentar a votação no BE a nível distrital e a nível nacional. O BE fez uma boa campanha, tem um bom resultado, que é merecido, e que é a garantia de um bom trabalho para os próximos quatro anos”.

[Declarações de Fabíola Cardoso, do BE]

Pela CDU (PCP-PEV) falou Carlos Gonçalves, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP: “Nós recuperámos de um resultado muito difícil, recente, para o Parlamento Europeu, e este é um resultado [a eleição de um deputado por Santarém] que acreditamos é positivo para os trabalhadores e para o povo deste distrito. A voz do deputado António Filipe era uma voz indispensável no Parlamento para defender os interesses dos trabalhadores e do povo em geral e que se destaca em defesa do progresso e das conquistas sociais”.

[Declarações de Carlos Gonçalves, do PCP]

As próximas semanas irão revelar quem será, de facto, deputado por Santarém no Parlamento durante os próximos quatro anos. Até à tomada de posse, poderá haver mais dança de cadeiras.

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