“Legislativas!”, por Vasco Damas

O último domingo deu-nos parte das respostas com as quais teremos de conviver durante os próximos 4 anos. À primeira vista nada de novo, mas talvez não seja bem assim quando voltamos a olhar com mais atenção.

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A começar pela representação renovada e inovadora do hemiciclo. Sem querer parecer ingénuo, mas antes de me preocupar com os perigos, parece-me salutar e uma lufada de ar fresco dar voz a quem nunca a teve porque esse é um sinal inequívoco de um novo folego para a democracia portuguesa. Pelo menos em teoria. Aguardemos pelo que nos trará a prática.

Em relação aos partidos tradicionais o resultado acabou por se afastar daquilo que muitos foram desejando em surdina no recato bastidores e longe dos “media” e da vox populi. Refiro-me ao renascimento de um novo bloco central como solução para enterrar a “geringonça”.

Pelos vistos a solução governativa passará por uma nova “geringonça à esquerda” reformatada, renovada e, provavelmente, aumentada. Bem sei que PS e BE ficam com número de deputados suficientes para tomar decisões em conjunto, mas pelo que julgo conhecer de António Costa, não me parece que ele se sinta confortável em ficar dependente de um único parceiro e que adotará uma estratégia mais abrangente que lhe dê outra margem e outro poder negocial. E não ficarei nada surpreendido se lá mais para a frente desta legislatura assistamos ao regresso do “tal” bloco central e que algumas das decisões estruturais e estruturantes passem a ser aprovadas pelos dois partidos com maior representação na Assembleia da República.

Uma reflexão ainda sobre a abstenção. De acordo com muito do que li, ela continua a ser justificada pela desatualização dos cadernos eleitorais. Confesso que não entendo como, em plena época de revolução digital e com uma capacidade de cruzamento de dados nunca antes tida, se continue a utilizar este argumento sem colocar o foco na resolução do problema. E para que fique claro, nem me estou a referir à implementação do voto eletrónico que seria a resolução imediata para afastamento comodista de muitos portugueses.

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Seja como for, com desatualização ou sem ela, o valor da abstenção tem que ser lido com preocupação por todos aqueles que desejam a renovação da representatividade do sistema democrático português. Porque também é efetivamente disso que se trata. Um afastamento dos portugueses destes atos eleitorais por não se sentirem representados por aqueles que têm de eleger devido ao tacticismo dos partidos políticos. E este é um tema que tem de passar a estar na ordem do dia para levar os partidos com assento parlamentar a efetuar as mudanças necessárias para alterar o estado das coisas. Resta saber se têm vontade ou interesse nessa mudança.

Por último, estas legislativas fizeram cair Assunção Cristas e é provável que façam cair Jerónimo de Sousa. Rui Rio aguentou-se com dificuldade mas terá ganho tempo para recuperar o fôlego e reconstruir o partido à sua imagem, o que me parece ser positivo para o país. Em relação aos restantes partidos e candidatos, os próximos 4 anos ajudarão a esclarecer dúvidas e a revelar surpresas. Uma positivas outras nem tanto. Cá estaremos para as ir acompanhando.

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