Incêndios | MacFire incorpora SIRESP e é alargado de Mação ao distrito de Santarém (C/VIDEO)

MacFire incorpora SIRESP e é alargado de Mação ao distrito de Santarém, obtendo reconhecimento nacional. Foto: mediotejo.net

O sistema MacFire, ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, incorporou hoje os dados do SIRESP num sistema de georreferenciação “pioneiro” que envolve todas as corporações de bombeiros do distrito de Santarém.

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“A Proteção Civil tem necessidade de introduzir mais ciência, mais conhecimento e mais sistemas de apoio à decisão para respostas aos riscos recorrentes, aos novos desafios, e para maior eficácia no combate aos incêndios. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) põe as suas ferramentas ao serviço deste sistema em prol da segurança e que é um exemplo de pioneirismo e didatismo em termos nacionais”, destacou o presidente da ANEPC, Mourato Nunes, em Mação, na cerimónia de assinatura do protocolo entre o município, as Comunidades Intermunicipais do Médio Tejo e da Lezíria, e a própria ANEPC.

O secretário de Estado da Proteção Civil, por sua vez, disse que “esta interconexão entre o MacFire e o SIRESP, sistema que permite geolocalizar todos os operacionais que estão no terreno de norte a sul do país, é uma ferramenta operacional de apoio à decisão”.

“Vem ao encontro, na sequência dos incêndios de 2017, do primeiro relatório da Comissão Técnica Independente, que era o de introduzir mais conhecimento no sistema, robustecer o sistema do ponto de vista profissional e ter operacionais mais habilitados para responder a situações de emergência”, acrescentou José Artur Neves.

O sistema MacFire foi desenvolvido em Mação e integra o dispositivo distrital sendo referência a nível nacional. O protocolo com a ANEPC decorreu num ambiente de boa disposição. Foto: mediotejo.net

Questionado sobre se este projeto piloto – Gestão de Ocorrências, organizado pelo distrito de Santarém, em articulação com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) – pode ser alargado a todo o país, José Artur Neves disse que este sistema, com este protocolo, “já está” no país.

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“A ANEPC, tendo esta ferramenta, vai com certeza potenciá-la para outras Comunidades Intermunicipais que, aliás, têm manifestado vontade e estão também a desenvolver ferramentas. Esta já existe no terreno, já está testada e faz todo o sentido estendê-la para outros locais, é uma prioridade da ANEPC”, afirmou o governante.

O MacFire (Mac de Mação; Fire de fogo, em inglês) é um sistema desenvolvido por técnicos informáticos de Mação em 2004 e por especialistas de uma empresa do ramo das novas tecnologias. Foi implementado em 2018 no distrito de Santarém e permite levar a informação existente sobre a zona de combate a incêndios rurais para o posto de comando móvel existente em cada sinistro.

Na base do sistema está a cartografia militar, mas também as cartas de risco de incêndio e os hortofotomapas (fotos aéreas retificadas no solo), numa estrutura que, agregada aos dados disponibilizados pelo SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, permite também aceder e integrar no programa os dados da localização no terreno de cada uma das cerca de 300 viaturas existentes no distrito.

Até agora, isto acontecia via GPS, com custos que ascenderam aos nove mil euros em três meses da fase piloto desenvolvida em 2018.

O sistema MacFire, ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, incorporou hoje os dados do SIRESP num sistema de georreferenciação “pioneiro” que envolve todas as corporações de bombeiros do distrito de Santarém. Foto: mediotejo.net

A novidade introduzida por António Louro, vice-presidente e responsável pela Proteção Civil em Mação, foi integrar esta informação e sobrepor os mapas, permitindo visualizá-los todos ao mesmo tempo.

O trabalho desenvolvido, primeiro através do GPS e doravante com a utilização dos dados SIRESP, possibilita aceder à localização exata das viaturas no terreno, bem como a posição das frentes de fogo e o valor rigoroso da área atingida, prevendo a sua provável evolução.

O MacFire, no entanto, “não apaga fogos”, disse à Lusa o mentor do sistema, engenheiro florestal de profissão.

“É uma ferramenta que ajuda numa situação complexa como em grandes incêndios florestais, é uma ferramenta de apoio à decisão, para que quem tiver de decidir o consiga fazer de uma forma mais acertada e num tempo mais curto. Penso que é um passo importante para todo o distrito e um reconhecimento nacional da importância deste instrumento”, afirmou.

Questionado sobre se este projeto piloto – Gestão de Ocorrências, organizado pelo distrito de Santarém, em articulação com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) – pode ser alargado a todo o país, José Artur Neves disse que este sistema, com este protocolo, “já está” no país. Foto: mediotejo.net

O secretário de Estado, Artur Neves, anunciou ainda a operacionalização de um núcleo de apoio à decisão em parceria com a Direção-Geral de Veterinária (DGAV), que vai permitir o resgate de todos os animais em risco num incêndio de grandes dimensões.

“Temos agora oficiais de ligação da DGAV que vão estar dotados de toda uma logística para retirar também todos os animais […] e está tudo preparado para não haver problemas com a alimentação dos animais, com o aparcamento dos animais e com a sua retirada”, descreveu.

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1 COMENTÁRIO

  1. O sistema não funcionará bem.
    O motivo é haver apenas umas 7 frequências de rádio espectro, e cada vez que alguém fala ocupa pelo menos uma frequência.
    Como o SIRESP dá prioridade à voz e num cenário de emergência/ catástrofe podem existir centenas de pessoas a falar/ tentar falar os dados que não têm prioridade podem nunca chegar ou demorar horas a chegar ao centro de comando.
    Acresce ainda a péssima cobertura em imensos locais e está criada a receita para que este sistema bem intencionado não possa funcionar bem na prática. Os decisores não vão poder basear-se nestas informações porque as mesmas na prática não lhes vão chegar de todo ou pelo menos em tempo útil.
    Quando a base não presta, tudo o que se mete em cima só pode agravar a situação e eventualmente fazer a coisa colapsar totalmente.
    Para começar deveriam aumentar para pelo menos 1000 frequências de rádio espectro, para evitar a saturação fácil em casos de emergência/ catástrofe em que o sistema rádio esteja a funcionar.
    Para futuro deveriam optar por um sistema diferente, talvez um como o utilizado pelos militares que usa saltos de frequências e muitas outras técnicas para permitir a comunicação entre mais pessoas (centenas de milhares de pessoas em muitos dos sistemas a falar em simultâneo sem se interferirem) e um melhor aproveitamento do espectro rádio ao mesmo tempo que permite uma maior segurança nas comunicações.

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