“Identidade”, por Vasco Damas

As referências que nos inspiram revelam muito sobre nós. A ausência de referências também. Mas por mais genuínos que queiramos parecer acabamos todos por ser o resultado de tudo o que nos influencia. A família onde nascemos, o país onde vivemos, os amigos que temos, as viagens que fazemos, os livros que lemos, os filmes que vemos ou a música que ouvimos, entre tantas outras coisas que nos provocam os estímulos que vão contribuindo para a formatação e para a construção do nosso crescimento.

A todo o momento estamos começados mas até ao último suspiro estaremos sempre longe de estarmos terminados porque o processo é dinâmico e complexo. E será tão mais rico quanto maior for essa complexidade porque o número de interações está direta e proporcionalmente relacionada com o aumento da profundidade de conhecimento e com um maior desenvolvimento pessoal.

No entanto, por mais fortes ou profundas que elas sejam, as referências apontam-nos o caminho mas não são o caminho, ou pelo menos nunca serão o único caminho, para nos apresentarmos ao mundo. As nossas características individuais por cima da assinatura dos nossos traços de personalidade mostrarão a nossa singularidade e revelarão a nossa identidade.

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E essa sim, é única e mostra quem somos porque é ela que nos distingue dos outros.

Mas apesar de esta reflexão estar focada no individuo ela também serve para uma cidade, para um concelho ou para uma Região porque é através dessa distinção que se constrói o poder de atração e a capacidade de desenvolvimento.

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É a identidade que “nos” tira do anonimato, colocando-nos no mapa de quem procura os traços da nossa distinção. É também ela que permite a promoção desses traços para que “cheguemos” a quem ainda não sabe que “nos” procura. É ainda sobre ela que se comunica para que “entremos” nos trilhos do desenvolvimento e abandonemos os caminhos do esquecimento.

Como todos sabemos, há locais mal frequentados que estão cheios de boas intenções. Passe-se das boas intenções às ações, deixe-se de dar o dito pelo não dito, eliminem-se as estratégias de vitimização, erradique-se a acusação generalizada, defina-se uma estratégia e crie-se uma identidade para nos passarmos a focar naquilo que merecemos conquistar.

Talvez valha a pena pensar nisto, sacrificando-se a tática em favor da estratégia, porque mais importante que a próxima eleição será seguramente a próxima geração.

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