“Happy new-art-year”, por Massimo Esposito

Foto: Massimo Esposito

Depois de muitas festas, brindes, fogos de artifícios, desejos postos nas estrelinhas, garrafas de espumante deixadas nas praias e praças, oculinhos com a data do novo ano ou os barretes de papai natal, muitos beijos e recomendações, recomeçamos o nosso dia-a-dia.

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Ok, isto acontece todos os anos, fazem-se promessas e logo depois esquecem-se delas, abraçam-se com TODO o amor e depois ninguém se lembra, às vezes penso ”meu Deus! Depois de tantos anos passados, de tantas promessas não cumpridas, de tantos projectos frustrados, ainda continuam a acreditar que com a passagem do ano tudo muda?”

Eu acredito só que as mudanças podem vir do empenho, do compromisso assumido, com a vontade de realizar o que se tem na cabeça, com trabalho e com alegria em cumpri-lo.

Por favor… somos adultos, a maioria dos que estão lendo estas linhas, e não podemos defraudar-nos com estas festinhas, estas prendinhas de muito amor só porque… é tradição, não deixemos que “porque é assim” nos castre a importância de pensar com a nossa cabeça.

Naturalmente não quero tirar a alegria de quem se quer divertir ou esquecer o que não vai muito bem… mas… façamos isto com naturalidade e cabeça nos ombros. Apesar do tempo passar não devemos ficar presos ao calendário e assim podemos mudar o 23 de Março como o 15 de Setembro, seja à meia noite ou às seis da tarde… mas que devemos mudar… devemos.

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Estamos com certeza cientes que há muito para fazer e não quero entrar em questões políticas ou do ambiente mas sim da arte, que é o “ambiente” que conheço melhor e para fazer isto deveríamos ser mais sinceros, mais claros connosco e estou a falar dos tantos artistas que há no Médio Tejo e de que, por muitos, tenho muito apreço pelo empenho e arte produzida.

Então o que se pode mudar? O que se pode melhorar? Fácil. Principalmente realizar obras que saiam do nosso âmago e sentimentos, podem ser poucas, mas pessoais e autênticas, depois não pensar em ser os melhores mas ser mais empáticos, abrir os nossos ateliers, convidar os colegas, trabalhar em conjunto e nas nossas exposições abrir também os nossos corações e a coisa mais importante é eliminar a inveja, a competição, o mau costume de rebaixar os outros e o isolamento em que se trabalha egoisticamente. A arte deve ser compartilhada, deve ser comunicada, sim! Espero vivamente que no futuro possamos fazer mesmo isto.

UTOPIA? Talvez, mas continuo a acreditar nisto e estou ciente que é possível… depois sim poderemos beber espumante e lançar foguetes.

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