Greve/Professores | Em Abrantes e na região viveu-se um dia de aulas “quase normal”

Em todo o distrito de Santarém, a greve de professores rondou os 15% a 20%, segundo o SPIUL. Em Abrantes o registo foi similar. Foto: mediotejo.net

O habitual corrupio matinal e muito trânsito em Abrantes, com os autocarros escolares e os pais a deixarem os alunos nas escolas perto das 8:30, antecipou um dia quase normal de aulas, com poucos professores a aderir à greve.

PUB

Junto à escola secundária Manuel Fernandes, sede de um dos dois agrupamentos de escolas daquele município do distrito de Santarém, os autocarros escolares vindos das aldeias em redor deixavam os alunos e seguiam o seu percurso, ao passo que os pais faziam o mesmo e seguiam para casa ou para o seu local de trabalho, com o habitual beijinho de despedida e o aviso para telefonar, caso não haja aulas.

Greve/Professores | Em Abrantes e na região viveu-se um dia de aulas “quase normal”
Escola Manuel Fernandes, em Abrantes, sempre com muito movimento para o arranque de mais um dia de aulas. Foto: mediotejo.net

Em declarações à agência Lusa, Paula Duarte, professora, deixou a sua filha na escola, onde frequenta o 11º ano, e seguiu viagem para dar aulas na Chamusca, onde é educadora de infância, a cerca de 30 quilómetros de distância de Abrantes, tendo afirmado concordar com a greve e compreender os protestos dos docentes.

“Concordo com a greve e compreendo os professores, não concordo é com os sindicatos”, afirmou, tendo feito notar que, “apesar de ter 30 anos de serviço”, está “deslocalizada a 150 quilómetros de casa, que é em Aveiro”.

Antes do toque de entrada das 8:30, os pais chegavam de carro e, sem estacionar, deixavam os seus filhos para seguirem marcha rapidamente e sem questionar se haveria aulas na escola Manuel Fernandes, que tem cerca de 1.200 alunos.

Greve/Professores | Em Abrantes e na região viveu-se um dia de aulas “quase normal”

“Se for o caso, a minha filha telefona-me e eu venho buscá-la”, disse à Lusa Elsa Cristóvão, mãe de uma jovem estudante do 6.º ano, que hoje “vai ter um teste”. Sobre a greve dos professores disse “não estar dentro dos motivos”, tendo afirmado, no entanto, que a ela “têm direito”.

Numa cidade pacata, Celso Luís, pai de um jovem do 5.º ano, também disse poder vir buscar o filho, se não houver aulas. “Temos tempo para isso”, observou, tendo referido não estar dentro dos motivos da greve dos professores.

Abordado pela Lusa, João Frazão, por sua vez, disse saber da greve e concordar com a mesma.

“Todos têm direito à greve e a lutar por melhores condições”, disse Frazão, pai de um jovem a frequentar o 9.º ano de escolaridade, tendo também manifestado “disponibilidade” para vir buscar o seu filho à escola “à hora que for preciso”.

Às 08:35, em Abrantes, já não se viam alunos no pátio. Dentro das instalações, poucos estudantes não estavam em aulas, constatou a Lusa no local.

Greve/Professores | Em Abrantes e na região viveu-se um dia de aulas “quase normal”
Na escola de Tramagal a adesão à greve também não foi muito significativa. Foto: mediotejo.net

Em Tramagal, ainda no concelho de Abrantes, a escola secundária EB, 2,3/S Octávio Duarte Ferreira, pertencente ao Agrupamento de Escolas Manuel Fernandes, registava movimentação semelhante, cerca das 9:00.

Em declarações à Lusa, Alcino Hermínio, diretor daquele Agrupamento Escolar que agrega perto de 2.200 alunos do pré-escolar ao 12.º ano de escolaridade, disse que “houve pouca adesão” à greve na primeira aula da manhã e que as escolas estavam a funcionar “praticamente” como num dia normal, tendo ressalvado “não dispor” de números certos.

Greve/Professores | Em Abrantes e na região viveu-se um dia de aulas “quase normal”
Os alunos tiveram hoje um dia “quase normal” de aulas. Foto: mediotejo.net

Em Santarém, capital de distrito, no Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, faltaram três professores ao primeiro tempo da manhã em 30 turmas na escola sede, uma EB, 2,3. No primeiro ciclo não foram registadas faltas.

No agrupamento de escolas de Alcanena estão fechadas as escolas de 1º ciclo de Gouxaria, Bugalhos, Monsanto e Serra de Santo António. No restante agrupamento estão a faltar cerca de quatro professores, mas encontra-se a funcionar.

No Agrupamento de Escolar Artur Gonçalves, em Torres Novas, que congrega oito escolas do pré-escolar ao secundário, registava-se a ausência de três professores, mas sem certeza se a falta estava relacionada com a greve.

Da parte do Agrupamento de Escolas de Ourém, que integra 19 estabelecimentos de ensino do pré-escolar ao secundário, o mediotejo.net foi informado que apenas a escola de 1º ciclo da Gondemaria se encontra sem professores e educadores, estando, porém, o estabelecimento aberto, sendo as crianças acompanhadas pelos auxiliares.

Na sede do agrupamento, em Ourém, registou-se a falta de quatro professores, não se sabendo se as faltas estariam relacionadas com a greve. Este agrupamento possui cerca de 2400 alunos e 240 professores.

A Lusa contactou o Sindicato dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU), tendo o dirigente Eduardo Oliveira referido que a greve se situava esta manhã “entre os 15% a 20% de adesão”.

Reconhecendo que a adesão á greve “não é muito elevada”, o dirigente sindical observou, no entanto, que “muitos professores só dão aulas à tarde”.

Na segunda-feira, sindicatos dos professores e Ministério da Educação não chegaram a acordo em relação à contagem do tempo de descongelamento das carreiras.

A tutela admite descongelar dois anos e 10 meses de tempo de serviço aos docentes, enquanto estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses.

Como não chegaram a acordo, os professores mantiveram a greve prevista para entre hoje e sexta-feira.

A greve abrange hoje as escolas dos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém e na região autónoma da Madeira, na quarta-feira as da região sul (Évora, Portalegre, Beja e Faro), na quinta-feira as da região centro (Coimbra, Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco) e, na sexta-feira, é a vez da região norte (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) e na região autónoma dos Açores.

*Mário Rui Fonseca e Cláudia Gameiro

c/LUSA

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here