“Governo fecha agências da CGD no distrito de Santarém”, por Duarte Marques

Escrevo uma espécie de “Carta aberta” ao Ministro das Finanças,

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Como bem sabe, o Plano de restruturação da Caixa Geral de Depósitos é um documento quase secreto, cujo conhecimento foi negado à Assembleia da República e escondido da esmagadora maioria dos portugueses.
Apesar de por diversas vezes questionado sobre tal, nunca o Governo assumiu algumas das consequências deste plano de restruturação que segundo notícias vindas a público passará pelo encerramento de agências e redução de funcionários.
Em 9 de Janeiro deste ano, os Deputados do PSD eleitos pelo círculo de Santarém dirigiram-lhe uma pergunta parlamentar para saber quais as intenções da CGD para o respetivo distrito, se havia agências em risco de fechar ou horários de atendimento que seriam reduzidos. Em clara violação pelos direitos dos Deputados à Assembleia da República e do dever de se submeter ao escrutínio do Parlamento, o senhor Ministro das Finanças não se dignou até agora a responder. As perguntas então colocadas poderão ser consultadas aqui:
Curiosamente, alguns dias depois, a 20 de janeiro, o senhor Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares afirmou numa reunião do Partido Socialista que teve lugar no Entroncamento   e assim relatado pela imprensa “Notícia menos positivas tiveram os presidentes das Câmara Municipais de Alcanena e Vila Nova da Barquinha, Fernanda Asseiceira e Fernando Freire, que questionaram o Secretário de Estado sobre o processo de reorganização administrativa e a redução de horários da Caixa Geral de Depósitos”. Pedro Nuno Santos foi mais longe e garantiu mesmo que existe “o sério risco” de alguns territórios ficarem sem qualquer agência” como se poderá ler em http://www.mediotejo.net/entroncamento-governo-vai-investir-na-ferrovia-cgd-e-freguesias-em-stand-by/ Ou seja, para o Parlamento não há informação mas para as reuniões do Partido Socialista sim.
Esta semana chegou a algumas agências a confirmação oficial que já não abririam no primeiro dia de março, como são os casos da Golegã e Santa Margarida, no concelho de Constância.
Estes encerramentos e redução de horários não serão os únicos, mas são os primeiros a ser conhecidos no distrito de Santarém. Os Deputados do PSD exigem do governo, e em particular do Ministro das Finanças, um esclarecimento cabal sobre que agências da CGD irão fechar e que horários irão ser reduzidos.
Os problemas de capitalização da CGD não são devidos a estas pequenas agências que prestam verdadeiro serviço público, mas sim a um conjunto alargado de negócios ruinosos que abalaram o banco público e cujos principais responsáveis passaram até agora impunes.
É injusto, imoral e injustificado que sejam as populações de territórios mais desertificados a pagar em primeiro lugar a fatura da gestão ruinosa que passou pela CGD nos tempos do Eng. Sócrates, Dr. Santos Ferreira e do Dr. Armando Vara.
Recordo que é precisamente nestes territórios de baixa densidade onde as populações têm menos acesso aos meios digitais para tratar dos seus interesses com instituições bancárias.
Por outro lado, estes encerramentos são altamente incoerentes e contraditórios com o discurso oficial do governo. São medidas penalizadoras das populações, da sua qualidade de vida e pelas quais o Ministro das Finanças ou o Primeiro-Ministro são incapazes de dar a cara ou assumir.
Para muitos cidadãos, ter acesso a uma agência da CGD é muito mais importante do que um Tribunal, uma Loja do Cidadão, ou um serviço de Finanças.
Nem mesmo em quatro anos de austeridade, que tirou Portugal da bancarrota, o anterior governo deixou sedes de Concelho sem uma agência da CGD. Por princípio, era menos doloroso fechar agências onde existe mais do que uma na mesma localidade, mas este governo não decidiu assIm É lamentável que apesar do anunciado fim do período da austeridade o governo que se diz socialista, apesar de não dar a cara pelas decisões difíceis, tenha decidido impedir o acesso aos balcões de CGD a milhares de habitantes do distrito de Santarém.
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Duarte Marques, 34 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias. Escreve no mediotejo.net à quarta-feira.
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