Gostar de Constância realça as populações como “o maior ativo do concelho”

O Padre Miguel Coelho é natural de Montalvo. Foto: mediotejo.net

“Três lutadores e empreendedores”, um de cada freguesia, foram homenageados pelo município de Constância no dia 7 de dezembro em mais uma atividade “Gostar de Constância”: o empresário do ramo da restauração e hotelaria Márcio Medroa, de Constância, o Padre Miguel Coelho, de Montalvo, e o empresário do ramo do desporto-aventura Carlos Silvério, de Santa Margarida da Coutada.

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A iniciativa acontece todos os anos desde 2011, no dia 7 de dezembro, data que assinala, a mudança do nome de Punhete para Notável Vila da Constância, por decreto da rainha D. Maria II assinado em 1836.

Mas, 182 anos depois, mais do que assinalar a efeméride, o “Gostar de Constância” pretende “de uma forma digna e justa celebrar Constância”, como referiu a apresentadora Helena Calhau. Potenciar e incutir em cada um dos habitantes do concelho o gosto e o querer viver a terra em cada momento da sua vida coletiva é outros dos objetivos.

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Presidente da Câmara deixou uma palavra de otimismo quanto ao futuro do Concelho. Foto: mediotejo.net

No discurso de abertura, e perante cerca de uma centena de espectadores, o presidente da Câmara disse que aquele era “um momento de reflexão coletiva daquilo que queremos, do que fomos e do que ambicionamos ser enquanto comunidade”.

Para Sérgio Oliveira, o concelho é rico em património edificado e natural, mas o maior ativo e o maior património que Constância tem “são as nossas populações”.

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“São pessoas com uma tenacidade que abraçam as atividades em que se envolvem, que não desistem, que vão à luta e que fazem aquilo que a nossa terra é. Porque quem faz as terras são as pessoas que vivem nela”, exaltou o autarca.

“Tenho enorme orgulho do povo que temos e nestas pessoas que trabalham arduamente”, afirmou o presidente da Câmara num discurso empolgado, para de seguida elogiar os três homenageados bem como os músicos que animaram a sessão: a fadista Tina Jofre e o músico Sérgio Amarelo.

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Carlos Silvério dedica-se ao desporto aventura. Foto: mediotejo.net

“Três lutadores e empreendedores”

À semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, a conversa com cada um dos homenageados foi dirigida por António Matias Coelho, professor e presidente da Casa Memória de Camões.

Abriu a série de entrevistas aos “três lutadores, três empreendedores”, Carlos Silvério, empresário e professor de desporto natureza, que tem organizado há mais de uma década o Challenger Nersant.

O gosto pela atividade física e o desporto em geral começou cedo, logo na escola primária. Passou pelos escuteiros onde participou em raids e em atividades de sobrevivência. Uma das mais marcantes aconteceu durante a Expo 98, a mais louca descida do rio Tejo em canoa desde Espanha até Lisboa em qualquer tipo de embarcação.

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Assistiram à sessão cerca de uma centena de pessoas. Foto: mediotejo.net

Frequentou a escola do Tramagal e ingressou na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, tendo participado num curso de desporto aventura organizado pela Nersant, curso este que lhe despertou o gosto por outras modalidades. Após os estudos estagiou na Câmara de Constância e depois começou a trabalhar na empresa Diver, que na altura explorava o Centro Náutico de Constância.

Entretanto, em 2011, fruto da experiência prática e teórica, adquirida ao longo de mais de dez anos, criou a sua própria empresa, a Ponto Aventura, que é considerada uma referência na área do desporto de natureza.

Durante a entrevista contou que tem como cliente Tony Carreira em que uma das vezes terminou com o cantor “a pagar minis ao pessoal no café Central Park”, em Vale de Mestre.

Carlos Silvério alia a atividade empresarial ao ensino na Escola Superior de Desporto em Rio Maior e no  Instituto Politécnico de Leiria. Diz que se admira como é que há alunos que estudam desporto mas não praticam qualquer modalidade.

O combate à sazonalidade do desporto aventura e às atividades de massas são os grandes desafios que diz enfrentar, preferindo apostar na qualidade em detrimento da quantidade.

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Márcio Medroa é um empresário do ramo da restauração e hotelaria. Foto: mediotejo.net

O entrevistado seguinte foi Márcio Medroa, empresário que explora a esplanada Pezinhos no Rio, o restaurante Trinca Fortes e duas unidades de alojamento local na vila, tendo ainda uma participação no Glaciar Sports Bar.

A sua vida de estudante foi atribulada com alguns avanços e recuos. Depois de sair da escola C+S de Constância foi estudar contabilidade para a escola Solano de Abreu em Abrantes mas diz que não gostou. Passou pela Escola Naval, pelo ISCTE, pelo Politécnico de Tomar até que teve “de se fazer à vida”.

Começou como vendedor, de colchões, primeiro, e depois de telecomunicações para a marca TMN. Até que se iniciou na restauração na vila no restaurante D. José Pinhão. Ganhou o gosto e depois de participar nas festas de Constância com duas tasquinhas decidiu concorrer à concessão da esplanada Pezinhos no Rio, na margem direita do Tejo, junto à confluência com o Zêzere.

Ganhou o concurso e a partir daí tem apostado noutros desafios como o restaurante Trinca Fortes e o alojamento local. Nas várias frentes em que trabalha já garante uma dezena de postos de trabalho.

Para Márcio Medroa, o problema principal é “sobreviver no Inverno” uma vez que as áreas da sua atividade são muito sazonais.

Carlos e Márcio são, para o presidente da Câmara, dois empresários “com sentido empreendedor, sem ter medo de arriscar e acima de tudo na sua terra”. Apresentou-os como exemplo de lutadores incessantes que, passo a passo, têm conseguido atingir os seus objetivos.

“Precisamos de mais jovens, mais pessoas, que sejam empreendedoras e que estejam dispostas a fixarem-se e a investirem no concelho”, apelou o presidente da autarquia.

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O Padre Miguel Coelho é natural de Montalvo. Foto: mediotejo.net

Um padre cuja vocação acordou aos 30 anos

O último homenageado a ser entrevistado foi o Padre Miguel Coelho, natural de Montalvo e ordenado em maio na Sé de Portalegre.

Quando era pequeno e lhe perguntavam o que queria ser quando fosse grande, respondia: ser padre.

Criado numa família fervorosamente católica, Miguel Coelho sempre participou nas missas, nas procissões e em todas as atividades religiosas como o Natal ou a Páscoa.

Com a juventude, a vontade de ser padre “adormeceu um pouco”. Depois da Telescola, frequentou a escola Solano de Abreu em Abrantes onde estudou contabilidade até que desistiu e decidiu ir trabalhar. Durante 12 anos foi operário fabril numa unidade de perfis metálicos em Montalvo, atividade que conciliava com a catequese e o grupo de jovens. Fez teatro, participou no rancho folclórico e na banda filarmónica, foi dirigente associativo e pertenceu a várias listas para as eleições Autárquicas.

Para concluir o 12° ano frequentou um curso Novas Oportunidades, fase que fez despertar em si novamente a vontade de ser padre. Nessa altura surgiu a oportunidade de passar uma semana num seminário onde acredita ter havido “mão de Deus” para que tudo se tornasse fácil. E assim, em 2010, com 30 anos, inicia o seu trajeto na Igreja.

No dia da sua ordenação foram vários autocarros com centenas de pessoas de Constância e de outras localidades para assistir à cerimónia. “Foi um dia muito feliz”, recorda o Padre Miguel. Poucos dias depois viveu outro momento marcante, a missa nova na sua terra, Montalvo.

Atualmente tem à sua responsabilidade 10 paróquias em Alcains, no distrito de Castelo Branco, e é ainda capelão no hospital desta cidade.

Apesar de estar longe, todos os sábados faz questão de regressar a Montalvo. “É a minha casa, a minha terra, é onde me sinto bem, onde sou acarinhado”, realça.

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Animaram a sessão a fadista Tina Jofre e o músico Sérgio Amarelo. Foto: mediotejo.net

A todos os entrevistados a Câmara ofereceu um quadro a óleo com uma pintura de Constância.

Entre as entrevistas e no final da sessão atuaram a fadista Cesaltina Jofre, “que vive com intensidade tudo o que diz respeito ao concelho”, conforme referiu o presidente da Câmara, e o músico Sérgio Amarelo que, apesar de não ser natural do concelho, assume como sendo Constância a sua terra.

No seu discurso, o presidente da Câmara fez questão de deixar “uma palavra de esperança e de otimismo no futuro, acreditando nas potencialidades do concelho”. Terminou com “um grande viva ao concelho de Constância”.

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