Gavião | Projeto turístico de 1,5 milhão de euros leva glamping até Cadafaz

Glamping significa acampar com glamour e destina-se a quem quer contacto com a natureza sem as preocupações de montar a tenda, carregar o carro ou dormir no chão com falta de espaço. É nesta tendência que assenta o novo projeto “Gavião Nature Village”, apresentado em março de 2018 na Casa do Povo de Gavião, pelos promotores Fernando Couteiro, Paulo Almeida e as respetivas cônjuges Geny e Maria do Carmo, que se preparam para apostar no Alto Alentejo, vindos da capital, mas com raízes na região. O investimento previsto é de 1,5 milhões de euros. O lançamento da primeira pedra para a criação desta unidade hoteleira vai decorrer esta segunda-feira, dia 15 de abril, a partir das 11:00.

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A ideia prevê que, num vasto terreno de 42 mil metros quadrados junto ao cruzamento “dos 4 caminhos” (para Belver, Alamal, Cadafaz e Gavião), se possa instalar este empreendimento com capacidade para 150 pessoas, usufruindo estas de um conjunto de serviços muito ligados à natureza, à cultura e gastronomia local e aos recursos e produtos endógenos. Os temas e vetores desta iniciativa assentam na cortiça, pedra e café. Prevê-se a criação inicial de 14 postos de trabalho diretos.

Os promotores do Gavião Nature Village junto à maquete, e durante a visita promovida ao local, após a apresentação pública, onde será instalado o empreendimento. Foto: mediotejo.net

O projeto engloba a existência de 10 bungalows, 13 tendas glamping, área de campismo livre para 16 tendas, spa e piscina, restaurante, loja regional, espaço para animais, retiros, campo de jogos tradicionais, eventos e reuniões empresariais/team building, bem como todas as potencialidades em termos de atividades de lazer/desporto como canoagem, passeios pedestres, cicloturismo, yoga, são alguns dos pontos-chave da oferta para esta nova unidade turística.

Quanto ao local, será reaproveitado, uma vez que é ideia dos promotores aproveitarem a vinha muito presente e que os antigos donos, José Bispo e Miquelina, apregoam como vinha que “dá bom vinho, de categoria”.

Apesar não terem querido vender a propriedade numa primeira tentativa, agora agem como autênticos “relações públicas” do projeto na terra, Cadafaz. “Agora temos só um pedaço de terra junto da porta, e cultivamos as nossas coisinhas. Aqui já dava muito trabalho”, explicou José Bispo.

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O casal mostra-se expectante e curioso quanto ao que irá nascer ali, naquele terreno que foi herança dos pais de Miquelina, e que já estava quase como “terra de ninguém” devido às partilhas do mesmo entre familiares.

Foto ilustrativa do conceito de glamping. Créditos: Ian Norman

Ali a vista é privilegiada, vendo-se vigilante o castelo de Belver, e aos seus pés passa o rio Tejo, também próximo ao ex-libris do concelho, a Praia Fluvial do Alamal. A vila de Gavião também fica já ali, a cerca de 2 minutos de carro.

Para o presidente da CM Gavião, José Pio (PS), este projeto representa um “novo paradigma do turismo do concelho”, que vem acrescentar inovação ao território e atrair mais pessoas a Gavião e a toda a região do norte alentejano.

Foto: mediotejo.net

Enquanto isso, António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo Alentejo/Ribatejo, congratulou a autarquia por apoiar a implantação deste investimento na área do turismo no seu concelho, considerando que se trata de “um projeto diferenciador que vai captar um tipo de mercado que nos interessa muito”, referindo-se a segmentos de mercado essencialmente internacional [na estimativa de adesão dos hóspedes, os promotores prevêem que 24% seja para mercado nacional, e 76% mercado internacional].

Lembrou ainda o responsável que o turismo tem sido “uma das vias principais para as dinâmicas de desenvolvimento económico do território”, não esquecendo de mencionar a potencialidade da região do Alentejo enquanto destino turístico nacional com crescente procura no mercado internacional.

Foto: mediotejo.net

“Temos não só mais turistas, como melhores turistas”, disse, acrescentando ainda que o conceito de turista se prende com o facto de alguém passar mais de 24 horas em determinado local, levando isso à sua pernoita.

O que, por sua vez, determina a necessidade de existir alojamento, a atual “lacuna imensa” da região, pois é isso que vai “induzir as dinâmicas de desenvolvimento”, ajudando não só a restauração, a animação turística, mas também o comércio local, os equipamentos e os percursos pedestres, entre outros.

Também na sessão de apresentação do projeto esteve Rogério Grilo, presidente da CCDR Alentejo, que classificou o mesmo como “de elevada qualidade e diferenciação”.

Maquete. O projeto é de autoria do arquiteto Luís Cachola, da empresa Connective Architects. Foto: Connective Architects

A calendarização inicial apontava para maio de 2019 a abertura do espaço, mas o processo atrasou algum tempo, uma vez que se teve de aguardar pelos resultados de candidatura no âmbito dos Sistemas de incentivo dos fundos comunitários atuais. Do investimento de 1,5 milhões de euros, 25% representam capitais próprios e 75% aguardavam aprovação da candidatura submetida ao SI Inovação e Empreendedorismo Qualificado e Criativo.

O lançamento da primeira pedra para a criação desta unidade hoteleira vai decorrer esta segunda-feira, dia 15 de abril, às 11:00.

Perspetiva do terreno, em Cadafaz, onde será instalado o projeto turístico, com vista para o Castelo de Belver e ainda com marcas do incêndios de 2017. Foto: mediotejo.net

*Reportagem publicada a 21 de março de 2018, republicada a 14 de abril de 2019

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