Gavião | Projeto ‘Reflorestar Belver’ consegue financiamento para iniciar plantação de 300 mil árvores

Projeto 'Reflorestar Belver' consegue financiamento para iniciar plantação de 300 mil árvores

Trabalhando para colmatar os danos dos trágicos incêndios de 2017, a ideia passa por plantar entre 250 a 300 mil árvores em 600 hectares de área ardida na freguesia de Belver (Gavião). E a primeira fase deste projeto já está em andamento. Para o ‘Reflorestar Belver’, a sociedade Terras de Guindintesta, responsável pela gestão desses 600 hectares de floresta, conseguiu angariar 50 mil euros em financiamento colaborativo, em menos de 24 horas. Uma forma de conseguir o auto financiamento necessário para iniciar o processo de plantação.

“São três os projetos a fundos comunitários já aprovados e outros aguardam. A nossa expectativa é que sejam também aprovados”, explicou ao mediotejo.net Carlos Machado, engenheiro da Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural, responsável pela implementação do projeto ‘Reflorestar Belver’.

O montante agora angariado – 50 mil euros – através de crowdfunding (financiamento colaborativo) representa a componente relativa ao “auto financiamento do projeto” entretanto aprovado a fundos comunitários e permite o início de atividade, enquanto os promotores aguardam pelo recebimento da primeira tranche desse apoio europeu, que depende da execução inicial de parte do projeto.

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Na prática, iniciar o processo de plantação nos 600 hectares de área ardida, que levará cinco ou seis anos a reflorestar com as tais 300 mil árvores, indica Carlos Machado. O projeto vai proceder também à recuperação de terrenos de mais de 130 pequenos proprietários locais. E esta “foi a primeira iniciativa, das três previstas, para realizar ao longo da execução do projeto”, refere.

Em 2017, os incêndios queimaram mais de 80% da área florestal de Belver, cerca de 5400 hectares, e este inverno, numa primeira fase, “no máximo até fevereiro serão plantadas entre 10 a 20 mil árvores, em cerca de 10 hectares mais uns hectares em linha de água”, indica.

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Cerca de 80% da área florestal de Belver, Gavião, ardeu em poucos dias. Foto: DR

Carlos Machado fala em “cautela” porque “estamos no fim da época de plantação, ainda decorrem trabalhos de limpeza dos terrenos, é um trabalho moroso e não podemos arriscar a que as árvores morram no verão”, explica. Por isso, o grosso da plantação de sobreiro, pinheiro manso, medronheiro e, de forma residual, pinheiro bravo e eucalipto, decorrerá no próximo outono “logo nas primeiras chuvas”, acrescenta, para que as árvores recebam o verão “já bem enraizadas”.

Ainda assim, e para prevenir, a área a plantar agora é preparada para ser regada este verão. Até porque “este é um projeto que pretende ser sustentável. A manutenção tem de ser sustentável, um projeto concebido para gerar rendimento no futuro. O objetivo é obter produtos que gerem rendimento para pagar às pessoas e para gerar emprego”, diz.

Isto porque, apesar de estar pensado “um dia aberto” em março, para o qual podem ser convidados voluntários para plantar árvores “por exemplo num hectare” nomeadamente os 123 participantes no financiamento colaborativo, para que possam “participar no projeto que financiaram e verem onde será investido o seu dinheiro”, refere Carlos Machado, contudo tratar-se-á de “uma ação simbólica” uma vez que a preparação dos terrenos e a plantação das árvores exige trabalho profissional.

O engenheiro Carlos Machado ajuda o cabrito recém nascido a mamar. Belver tem ainda um rebanho comunitário, de ‘cabras sapadoras’, financiado pelo projeto Caprinos e Companhia em parceria com a Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver. Créditos: mediotejo.net

Trata-se de um projeto que pretende gerar proveitos, até porque através da plataforma de financiamento colaborativo “o capital e os juros será devolvido” aos 123 investidores, vinca o engenheiro.

Ou seja, o projeto, que é agroflorestal – além da plantação de 300 mil árvores prevê obras de correção e proteção de território e preservação e fomento da biodiversidade para a exploração dos recursos de uma forma sustentável -, faz também uma gestão de risco, sendo que “o maior risco de todos, neste momento, são as alterações climáticas. Nunca se sabe o que a meteorologia nos reserva”, nota.

Para minimizar os riscos será implementado um sistema de rega, com financiamento próprio, que servirá “para proteger a floresta contra incêndios e também para regar as árvores entretanto plantadas”.

O projeto ‘Reflorestar Belver’ é desenvolvido pela Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural em colaboração com a Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver, num investimento de mais de 700 mil euros, sendo que 85% do investimento total está garantido (628.123,36 euros), a fundo perdido, pelo PDR2020, uma iniciativa do Estado português em conjunto com a União Europeia, para o desenvolvimento rural.

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