Gavião | Observatório de Avifauna do Outeiro pronto para mostrar as aves das arribas do Tejo

Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Com a concretização da obra no Observatório de Avifauna do Outeiro, em Gavião, instalado numa arriba do rio Tejo, encerra-se “um ciclo dramático” dos incêndios de 2017, responsáveis pela danificação de várias infraestruturas e equipamentos municipais, nomeadamente turísticos.

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O Centro de Observação de Avifauna do Outeiro, em Gavião, situado entre a paisagem deslumbrante do Tejo permite uma ampla vista sobre o vale do maior rio da Península Ibérica, localizado junto à localidade de Outeiro. Apresenta várias formações rochosas e fragas, apreciadas pelas aves de rapina para nidificar. Este sítio alberga a maior colónia de grifo exclusivamente em território nacional e também outras espécies rupícolas ameaçadas, como a cegonha-preta e a águia perdigueira.

A mãe natureza primou na pintura deste quadro, apesar do fogo de 2017, o verde continua vivo. Os incêndios deixaram marcas e a vegetação ainda não se recompôs na totalidade mas por certo, em breve, os mantos coloridos das flores da murta, da urze, do rosmaninho, das estevas, dos lírios selvagens, voltarão a cobrir as encostas que se espreguiçam à beira rio.

A caminho do Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

As flores selvagens nativas daquele lugar – esteva, lírio amarelo dos montes, alvafaca dos montes, dedaleira -, já espalham os seus odores pelas brisas frescas das manhãs. Só pelo verde despontado apetece respirar, a finura do ar quase que nos dá asas para voar e igualar as aves no céu.

Quanto ao observatório de avifauna, “ardeu todo. O que fizemos foi pegar no projeto antigo, reformula-lo e implantá-lo um pouco mais a baixo. Os técnicos entenderam que o vale do Tejo era ainda mais visível se o descessem 10 metros e foi isso que se fez. Colocou-se numa perspetiva diferente. Penso que ficou melhor. A paisagem em si é que perdeu muito porque tudo à volta ardeu. Mas a natureza é fantástica, regenera-se com muita facilidade. Para já cresce o mato e uns sobreiros que estão a rebentar”, explicou ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio.

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A infraestrutura do Centro de Observação de Avifauna do Outeiro “está concluída desde o final de novembro de 2018”, acrescentou. “Possui duas placas explicativas, uma das aves a observar e outra de localização” onde é possível identificar pontos de interesse no concelho, como museus ou obras de arte.

Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Distancia cerca de 30 quilómetros a jusante da IBA (Important Bird Area) de Portas de Ródão e Vale do Mourão. Este sítio alberga a maior colónia de grifo exclusivamente em território nacional e também outras espécies rupícolas ameaçadas, como a cegonha-preta e a águia perdigueira.

Especificamente, aquele local conta com três colónias de grifos de ruppell com cerca de cem animais, abutres e outras aves como ferreirinha-alpina, corvo-marinho-de-faces-brancas, melro-azul, andorinha-cafre, pica-pau-verde, toutinegra-de-cabeça-preta, pega-rabuda, alvéola-branca, chapim-de-poupa, cia ou capim-carvoeiro.

Um projeto no Sítio da Pedra da Moura Encantada comparticipado em 60% pelo Fundo de Emergência Municipal “no valor total de 50 mil euros”, indicou José Pio.

Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

O Cabeço das Vinhas sempre foi um lugar muito estimado pelas populações residentes nas aldeias do Outeiro Cimeiro e Outeiro Fundeiro. De acordo com a tradição oral, o local é conhecido pelo sítio da Pedra da Moura Encantada. Diz a lenda que os penedos existentes foram transportados à cabeça por uma moura que levava ao colo o pequeno filho.

A disposição das pedras, debruçadas sobre as arribas do rio Tejo, constituem um anfiteatro natural com vistas privilegiadas sobre o vale do Tejo. As aves, muitas delas espécies protegidas, planam nas alturas, como é o caso do grifo, da cegonha preta, da águia de bonelli, da águia calçada ou da garça-real. Ainda é possível encontrar o cada vez mais escasso chasco-preto.

Conta com diferentes habitats distintos, entre eles: matos, zonas húmidas (cursos de água), áreas rochosas (falésias/fragas rochosas), zonas artificiais (terra arada; plantações florestais).

Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Não é por acaso que as populações locais contam histórias ligadas ao fantástico sobre o lugar. De facto, apetece acreditar, que só por artes mágicas se explica que o Cabeço das Vinhas tenha chegado aos nossos dias sem intervenções castradoras da sua beleza, não é fácil encontrar um lugar assim.

Se durante o dia, a paisagem, as águas mansas do rio, o voo das aves, as cores das flores, nos deixam encantados, com a noite chega o feitiço. Do céu brotam milhões e milhões de estrelas, neste lugar, parece que estamos mais perto do céu, somos tentados a esticar os braços para as tocar. Lá em baixo, no fundo do vale, chega-nos o murmurar das águas do rio, a corrente, corre entre seixos e cascalheiras, sem pressas. O coaxar das rãs nos juncais junto à água e o pio dos mochos por entre o arvoredo, são música que certamente não vamos esquecer.

Para encontrar o Observatório de Avifauna do Outeiro, há que chegar primeiro a Belver, virar no sentido do Museu do Sabão, passar ao lado da Ermida da Nossa Senhora do Pilar e seguir em frente durante quilómetros por estradas estreitas em ziguezague. A meio do caminho encontramos a povoação de Alvisquer. Depois é seguir as placas indicativas até chegar à aldeia de Outeiro separada em duas: Fundeiro e Cimeiro. O Tejo é logo ali ao fundo.

Dizem os entendidos, que a melhor hora para observar as aves é durante a manhã, quando planam para que o sol seque as asas da humidade da noite.

Observatório de Avifauna do Outeiro, Gavião. Créditos: mediotejo.net

*Fotos: Jorge Santiago e David Pereira

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