Gavião | Beatriz gosta das estórias da História e a última, em livro, é uma viagem há 500 anos

As autoras Beatriz Grácio (à esquerda) e Inês Claro (à direita) na apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

“A Beatriz gosta de História. A Beatriz gosta das estórias da História. A Beatriz gosta de escrever e por isso escreve sobre História”. Estas são as primeiras palavras da professora Isabel Borda d’Água no prefácio do livro ‘O Foral de Gavião visto por uma criança’, da autoria de Beatriz Simões Grácio, uma menina abrantina de 13 anos que acabou de lançar o seu segundo livro. As ilustrações são uma estreia de Maria Inês Rodrigues Claro, outra menina abrantina, com 14 anos, que manifesta “um amor incondicional pela arte e pelo desenho”.

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“Escrever é quem eu sou! De certa forma é um passatempo, de outra forma é a minha profissão, é também o que quero fazer no futuro, para sempre. É o que me mantém viva!”, diz Beatriz Grácio ao mediotejo.net, embora também sonhe ser médica por achar “uma profissão muito nobre”.

Também poderia ser jornalista… se tal não impusesse a condição de sair de Abrantes, situação que recusa. “Gosto muito de Abrantes, é a mistura perfeita de uma cidade um bocadinho movimentada e ao mesmo tempo tranquila. É mesmo o sítio que amo!”, afirma.

Para Beatriz a permanência dos jovens nos concelhos do interior do País revela-se cada vez mais “importante! Até por causa do envelhecimento, e os jovens têm de desenvolver novas ideias para os territórios do interior”, defende.

Apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

Uma “nova ideia” passa pela criatividade da escrita. Antes de aprender a escrever, quando a mãe lhe contava histórias “curtas, à noite, pensava que um dia iria escrever a minha história, criar. Até que um dia comecei a escrever textos e surgiu esse gosto pela escrita. Tenho muitas histórias guardadas numa gaveta”, revela.

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Inspira-se nos livros que lê. As temáticas inspiram-na para criar uma história. Mas também a realidade. “Observo todos os dias o que está à minha volta”, assegura. No futuro, quem sabe, “possa escrever livros para adultos mas por enquanto fico-me pelas crianças e jovens porque é uma mente que eu entendo”.

Vê a experiência de escrever ‘O Foral de Gavião visto por uma criança’ como um desafio. “Não bastou a inspiração só na ficção nem só na realidade. Tive de me inspirar na História, no passado, e para tal tive de aprender. Foi muito interessante descobrir o passado de Gavião”.

Apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

A proposta para escrever o livro, numa edição da Câmara Municipal de Gavião, chegou em final de 2018, e desde essa data Beatriz teve de “recolher a informação histórica efetiva. Exigiu muito trabalho. Tive a ajuda do senhor João Florindo na recolha da informação, da professora Isabel Borda d’Água no texto. A parte da ficção, a criação das personagens como o Bartolomeu das albardas ou a Gertrudes costureira foi minha, é o que gosto de fazer”, afirma.

Sem se esquecer de explicar que “um Foral é uma carta que transformava um senhorio num concelho, as terras passavam da propriedade de um senhor para propriedade do rei. Esta história é sobre a minha viagem no tempo, a Gavião há 500 anos”.

Beatriz contou uma história mas utilizando uma linguagem simples, “que as crianças pudessem ler e entender. Quis refletir também o encanto de ser criança. E imaginar porque efetivamente sou mais de imaginar do que de relatar”, acrescenta.

Após o desafio, pediu a Maria Inês que ilustrasse o livro. A amiga que desde tenra idade vive entre riscos e rabiscos com um “amor incondicional pela arte e pelo desenho”, conta. “Criei as minhas próprias personagens e desde que me lembro desenhei a minha vida toda”, disse Inês ao mediotejo.net.

Para a jovem esta foi “uma estreia, nunca tinha ilustrado qualquer livro e por isso uma experiência muito enriquecedora ao nível pessoal e artístico. Tive de me esforçar muito!”, garante, numa arte que exige também “muita paciência”.

Para Maria Inês, “o último desenho do livro, aquele que está na capa, foi o mais difícil” de criar. E no seu processo de criação a jovem ilustradora ia contando com a ajuda daqueles que a rodeavam, inclusive a mãe, para tomar decisões quanto às cores das camisolas da Gertrudes ou do Carlos Zarolho, por exemplo.

Apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

A primeira obra de Beatriz intitula-se ‘As Aventuras da Gotinha Lara’, um livro “de consciência ambiental para ensinar as crianças a tomar conta do futuro que vai estar nas mãos delas”.

Uma iniciativa de Beatriz que logo na escola primária sentiu o apelo e a preocupação pelo meio ambiente. “Comecei a interessar-me pelo ambiente, em perceber que temos de ajudar o planeta porque o mundo é tudo o que temos, e comecei a escrever”. Mais tarde surgiu a oportunidade de publicar, com o lançamento d’As Aventuras da Gotinha Lara’ a decorrer no dia 2 de abril de 2018.

Também no ano passado, Beatriz ganhou o 1º prémio do concurso ‘Uma Aventura Literária’ da Editorial Caminho, na modalidade de texto original do 2º Ciclo, e obteve uma Menção Honrosa na concurso de escrita criativa do Autor Publica subordinado ao tema ‘…Do Nada…” em que concorreu com adultos. Recebeu outro prémio da Biblioteca da sua escola, a Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes.

E já tem outros projetos em mente. Sem querer levantar demasiado o véu avança que será um livro para jovens. “Não quero revelar muito, porque ainda é só uma ideia, não sei se será publicada, mas é uma história envolvente para jovens”, antecipa.

Por seu lado, Maria Inês Claro é menos clara nas ideias do que poderá a ser a sua profissão futura. Sabe que estará ligada às artes. “Talvez ilustradora, se a Beatriz continuar a dar-me estas oportunidades”, brinca. “Ou algo relacionado com o desenho, algo que gosto e sempre gostei de fazer. Se não for lustradora sou artista de rua, pronto!”, diz, a rir.

Também abrantina, estudante na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, pensa já no 10º ano escolher “artes” no sentido de dar continuidade ao interesse que revelou cedo e à aptidão inata pelo desenho.

Apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

Na apresentação do livro ‘O Foral de Gavião visto por uma criança’, esta quarta-feira, 20 de novembro, na Biblioteca Municipal de Gavião, o vice-presidente da Câmara, António Severino, notou que Beatriz tem “a imaginação suficiente para se dedicar” à história do Foral, e “uma capacidade e talento de contar histórias que não poderíamos desperdiçar. No interior somos tão poucos que não podemos desperdiçar recursos”, vincou.

O lançamento do livro contou com a presença de vários convidados, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos, familiares e amigos das autoras e ainda a presença de alunos de duas turmas do terceiro e quarto anos do Agrupamento de Escolas de Gavião.

No Dia Nacional do Pijama as crianças fizeram perguntas, cantaram e dançaram, atividades lúdicas e educativas inspiradas pela Missão Pijama. A data coincidiu com o dia da Convenção Internacional dos Direitos da Criança.

Apresentação do livro ‘O Foral do Gavião visto por uma criança’ na Biblioteca Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net
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