Futebol/Alcanenense | João Belbute, “o futebol distrital de Santarém é difícil” (c/vídeo)

Em período de preparação para o arranque da época 2018/2019 do Campeonato Distrital da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Santarém, o mediotejo.net foi conhecer João Belbute, treinador do Atlético Clube Alcanenense. Na sua primeira época a liderar a equipa sénior, Belbute sabe que o espera um campeonato particularmente difícil, não estivesse afinal no distrito de Santarém. Um treinador alentejano de 32 anos que quer dar provas das suas capacidades e ambiciona altos voos. Este domingo, 16 de setembro, apresenta-se frente ao União de Tomar na 1ª jornada do campeonato.

PUB

B.I.

Nome: João Pedro Pires Belbute

Idade: 32

Naturalidade: Vidigueira (Beja)

PUB

Carreira futebolística: Clube de Futebol Vasco da Gama (da escola aos séniores), Centro Desportivo Cultural Freguesia Pedrógão do Alentejo, Futebol Clube de Vera Cruz, União Desportiva de Rio Maior, Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense

Conquistas: Taça Distrital de Beja, campeão distrital de Santarém com o Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense

CV Treinador: (iniciados) Grupo Desportivo e Recreativo de Parceiros, Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense, (júniores) União Futebol Clube de Almeirim, Atlético Clube Alcanenense

Conquistas: campeão de júniores na 2ª divisão da Associação de Futebol de Santarém pelo Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense, segundo lugar da Taça do Ribatejo pelo Centro de Cultura Recreio e Desporto Moçarriense

técnico de 32 anos espera um campeonato difícil Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

mediotejo.net (MT): Como se iniciou o seu interesse por futebol?

João Belbute (JB): O futebol vem desde criança, sem saber muito bem porquê. Foi sempre uma paixão que existiu, até porque naquela altura o brinquedo mais desejado da minha geração era mesmo uma bola de futebol. Até uma bola de papel servia para jogar e servia para passarmos o dia inteiro.

A paixão nasce sem saber bem porquê e foi crescendo com o passar dos anos, até que acabei por entrar no futebol. Não tem uma explicação lógica. Foi uma paixão que surgiu espontaneamente, talvez, até porque na família não existe ninguém que tenha um passado no futebol.

Como é que um rapazinho de Beja chega aqui ao centro?

O rapazinho de Beja, da Vidigueira, chega a Rio Maior para estudar desporto na Universidade e acaba por ficar. Sempre procurei uma equipa para jogar e o próprio clube da cidade me acolheu, a União Desportiva de Rio Maior. Já lá vão 11 anos e passaram-se sempre comigo a representar alguns clubes da região, como jogador e como treinador. Foi com base no percurso académico que acabei por cá chegar e por cá ficar.

Como se dá a sua entrada no mundo do futebol, neste caso amador?

A minha entrada dá-se, como a maioria dos jovens, no clube da sua terra, que proporcionava na altura a entrada no futebol. Até porque os amigos todos lá estavam. O gosto que já era grande tornou-se um vício e acabamos por continuar. Ainda foram 23 anos da prática de futebol e às vezes ainda sentimos a falta. Continua-se do lado de fora agora.

Foi assim que começou, foi um percurso longo. Iniciou-se naturalmente, como qualquer jovem se inicia quando existe futebol no clube da sua terra. Tive esse privilégio. Numa altura em que o futebol ainda não era pago, como é hoje em dia. Tenho muito orgulho no trajeto que consegui fazer e olhando para trás deixa algumas saudades.

As minhas ambições são ser profissional, é atingir o patamar máximo do futebol em Portugal ou lá fora, como for possível. (…) Acredito que mais cedo ou mais tarde, se continuar a trabalhar forte, que posso conseguir esse sonho. É um sonho, mas temos que lutar pelos nossos sonhos e vou fazer por isso.

Como se dá esta sua transição para treinador? Era uma ambição que já tinha?

Foi crescendo. Em miúdo não pensava nisso, pensava apenas em jogar até que pudesse e até que conseguisse. Mas com o passar do tempo o gosto pelo futebol foi crescendo, fui pesquisando mais, comentando o futebol com amigos e pessoas na área. Acabou por surgir a minha entrada no mundo do desporto pela via académica e deu-se a oportunidade de começar a trabalhar. Já foi em 2008, já lá vão alguns anos, e tem sido muito positivo e estou feliz de ter tomada essa decisão.

É muito jovem, a maioria dos treinadores que tenho entrevistado têm em média mais 10/20 anos. Quais as suas ambições?

JB: As minhas ambições são ser profissional, é atingir o patamar máximo do futebol em Portugal ou lá fora, como for possível. Isto é uma profissão de grande exigência, ocupa-nos muito tempo, rouba-nos tempo com as nossas famílias. É preciso também ter sorte. Mas acima de tudo é preciso ter competência. Acredito que mais cedo ou mais tarde, se continuar a trabalhar forte, que posso conseguir esse sonho. É um sonho, mas temos que lutar pelos nossos sonhos e vou fazer por isso.

Qual a grande diferença entre ser jogador e treinador de futebol?

É uma diferença tremenda. O jogador de futebol termina o treino e vai para casa e não pensa em mais nada. O treinador está a dormir e está a sonhar com o que vai fazer no dia seguinte. No fundo o jogador tem que chegar ao campo e preocupar-se em cumprir as tarefas e as missões que lhe são pedidas; o treinador tem que pensar exatamente o que pretende de cada um e o que tem que tirar de cada um. No fundo o treinador pensa no todo e o jogador é por norma egoísta, pensa sempre em si. A diferença é essa.

A sensação de vir jogar e de estar no banco é totalmente diferente. Eu pessoalmente prefiro ser treinador que ser jogador, mas sinto saudades de ser jogador também, mais precisamente da parte do balneário, da convivência com os colegas.

É o primeiro treinador que me diz isso, a maioria diz que preferia ser jogador. A que se deve?

Não sei… Nunca fui o melhor jogador da minha equipa. Fui sempre um jogador de equipa, de grupo, que às vezes punha o meu lado pessoal para segundo plano. Se calhar é por isso. Vi sempre o jogo como um todo e nunca como uma parte. Se calhar é por isso que vejo o jogo de maneira diferente e comecei a procurar ser treinador mais cedo. Cada um é como cada qual. É claro que também gostei muito de ser jogador e tenho muito orgulho no meu percurso, apesar de ser no nível amador. Mas o treino e dirigir uma equipa é aquilo que mais gosto de fazer.

De todos os clubes por onde passou – e ainda foram alguns, apesar de ter terminado cedo – qual foi o que mais o marcou?

Não posso ser injusto ou ingrato com todos os clubes que me acolherem, todos eles têm um espaço especial para mim. É claro que o clube que me formou é aquele do coração, o Vasco da Gama da Vidigueira, que é o clube da minha terra, ainda hoje torço por eles e acompanho. E o Moçarriense porque foi o primeiro clube que me deu oportunidade de me lançar no mercado de trabalho já no futebol. Fizeram de tudo para me acolher bem, foram cinco anos, e fizeram de tudo para que não saísse. Devo-lhes a eles muito, assim como aos outros clubes porque apostaram em mim.

Sendo jovem é sempre difícil. Fala-se muito da experiência, a experiência é um termo que me faz um bocado de confusão. Se a experiência for anos acumulados, isso para mim não conta muito. Se for aquisição de competências, isso sim para mim é experiência, mas pode-se atingir em dois ou três anos e há treinadores que estão 20 anos no mundo do futebol e não evoluem praticamente nada, mantém-se sempre fiéis àquelas ideias. Essa ideia da experiência vale o que vale. Estou convicto que tomei as melhores decisões.

No fundo o treinador pensa no todo e o jogador é por norma egoísta, pensa sempre em si. A diferença é essa. A sensação de vir jogar e de estar no banco é totalmente diferente. Eu pessoalmente prefiro ser treinador que ser jogador

Como se encontra o Atlético Clube Alcanenense neste início de época?

A equipa está num período ainda de preparação, algo atrasado mas é fruto das consequências do mercado de transferências, digamos assim. Está a trabalhar forte, acho que vamos ter uma palavra a dizer neste campeonato, vamos ser um osso duro de roer.

Vamos lutar por todos os pontos do campeonato, isso vai ser ponto assente. Quem quiser bater o Alcanenense vai ter que soar muito, vai ter que trabalhar muito porque aqui mora uma equipa que, independentemente das dificuldades, vai deixar tudo lá dentro. Vou assegurar que isso aconteça.

Que equipas pensa que lhe vão despertar mais desafios?

Esta se calhar é a época mais difícil de definir um candidato ao titulo. Houve muito investimento, há muitas equipas que estão a fazer tudo para garantir esse título. Mas o futebol distrital é difícil, ao contrário do que as pessoas pensam, nomeadamente aqui na zona de Santarém, é muito difícil porque há muitos campos que são sui generis, há equipas que são sui generis, que têm muitas características específicas e muito vincadas. Quem não conhece as características das equipas do futebol distrital normalmente não se dá bem.

Acho que não vai haver certamente um campeão como houve o ano passado, que foi o Mação, que provavelmente ninguém estava à espera que fosse por uma margem tão grande. Acredito que até ao fim da campeonato vai sempre haver uma proximidade muito grande entre as equipas porque qualquer equipa pode bater qualquer equipa.

Qual é o objetivo do Alcanenense neste campeonato? Subir de divisão?

O Alcanenense vai lutar por todos os pontos do campeonato, isso é garantido. Agora é uma altura muito precoce para responder se a subida de divisão é um objetivo. Se lhe disser o que mais queria e para o que estou a trabalhar, claro, trabalhamos para isso, para atingir o máximo. Mas sabemos que o futebol é um conjunto de situações, um conjunto de momentos, e vamos ter que esperar para ver. Se estamos a trabalhar a bem, de certeza que os nossos adversários também o estão a fazer.

. Mas o futebol distrital é difícil, ao contrário do que as pessoas pensam, nomeadamente aqui na zona de Santarém, é muito difícil porque há muitos campos que são sui generis, há equipas que são sui generis, que têm muitas características específicas e muito vincadas.

O que é preciso para se ser um bom jogador de futebol?

JB: Primeiro que tudo é preciso ter talento, que é uma coisa inata e não dá para trabalhar. Ou se tem, ou não se tem. Mas depois há outra parte que também é muito importante, que é a responsabilidade, um espírito de abnegação enorme, uma crença na sua qualidade e um espírito de sacrifício enorme. Muita entrega, muita dedicação, tanto dos jogadores como dos treinadores. No fundo juntar essas componentes: a parte mental, a parte física e o talento. Sem o talento é impossível chegar a qualquer lado.

Neste início de época que mensagem gostaria de deixar aos sócios e adeptos do Alcanenense?

Gostaria muito que os adeptos do Alcanenense e as pessoas de Alcanena estivessem com a equipa, apoiassem a equipa sempre, mas acima de tudo nos momentos em que a equipa pode estar mais em baixo. Porque vai acontecer, e impossível uma equipa estar sempre em cima. Apelava para que todos estivessem com o clube, todos estivessem com a terra. Vinde ajudar-nos, vinde assistir aos nossos jogos, tentando levantar a equipa e levá-la para a frente. Às vezes apenas a presença basta, os jogadores sentirem que as pessoas estão connosco.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here