“Filosofia, Economia e Felicidade”, por Hugo Costa

Participei no passado sábado, 17 de novembro, enquanto deputado do PS eleito pelo distrito de Santarém, no interessante Festival de Filosofia de Abrantes, intervindo num debate sobre robótica e trabalho. Ao longo destes últimos anos, e devido à minha actividade política e parlamentar, tenho participado num conjunto alargado de fóruns de debate um pouco por todo o distrito e também a nível nacional mas confesso que, pela sua temática, este foi um dos debates mais desafiantes e desconcertantes em que participei.

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Gostaria de sublinhar a qualidade deste evento e o desafio que é para todos nós, nos tempos velozes que correm, nos sentarmos para falar destes assuntos. A Filosofia apresenta raízes com milhares de anos e personifica a razão.

“Num mundo cada vez mais complexo, onde reina a incerteza, onde as evoluções sociais e as revoluções tecnológicas confundem as referências estabelecidas, onde os desafios sociais e políticos são imensos, a filosofia continua a ser um recurso extremamente valioso”. Cito a Diretora Geral da Unesco, Audrey Azoulay, que escreveu estas palavras por ocasião do Dia Mundial da Filosofia:

Largando o registo frio dos cálculos da Economia, decidi nesta ocasião  fazer uma primeira abordagem sobre a Felicidade e no fundo relacionar a economia com a filosofia da felicidade. Um dos conceitos mais interessantes e basilares da economia são os custos de oportunidade. No fundo, o custo de estar a fazer algo e não outra coisa qualquer. Qual será o custo de não sermos felizes? Não será que, muitas vezes, trocamos o nosso tempo de vida a fazer determinadas tarefas só para lá mais à frente termos tempo de felicidade?

Os normais métodos de contabilização de riqueza de um estado estão bem longe do conceito de felicidade. Se não, por exemplo Singapura, estaria no topo da felicidade, devido aos rendimentos em PIB per capita. Por outro lado, estudos feitos e publicados indicam que o Butão, um país localizado num pequeno vale entre as montanhas do Himalaia, é o local com os habitantes mais felizes do mundo. E que neste país o PIB terá sido substituído antes pelo FIB – índice de Felicidade Interna Bruta. Uma interessante reflexão a fazer.

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Voltando ao nosso mundo, assistimos nos últimos anos a grandes avanços tecnológicos. A robótica e a inovação é mesmo a isso que devem levar: à felicidade. Uma inovação que deve chegar a todos os setores da atividade económica e não ficar somente pelos setores mais avançados.

A inovação não deve ser o sinónimo de um aumento das desigualdades económicas. Outro conceito que devemos colocar é o da sustentabilidade e o futuro. A questão da robótica e da inovação e da inteligência artificial deve estar ao serviço também do meio ambiente e da descarbonização da economia. Isto também é Felicidade. Isto também é Filosofia.

Porque ao cuidarmos do futuro, com estas medidas, estamos a cuidar das pessoas e do seu bem-estar. Só existe futuro para a humanidade se houver respeito pelo meio ambiental.

Sim, a inteligência artificial é importante, mas nunca retirará ao humano o papel essencial.

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