Ferreira do Zêzere | Passos Coelho e Jacinto Lopes (PSD) preocupados com contaminação do Zêzere (c/vídeo)

Jacinto Lopes alertou Passos Coelho para a contaminação das águas em consequência dos incêndios. Foto: mediotejo.net

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu na quarta-feira, 13 de setembro, em Dornes, Ferreira do Zêzere, uma “resposta articulada” para evitar que ocorram “problemas muito sérios” decorrentes dos incêndios deste verão, nomeadamente a contaminação das águas que abastecem populações. Uma preocupação que lhe foi transmitida pelo presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Jacinto Lopes, que explicou ao mediotejo.net que o município corre o risco de ter que poupar água no inverno. O rio Zêzere abastece também a cidade de Lisboa.

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Pedro Passos Coelho reuniu-se na quarta-feira na aldeia de Dornes – que se situa junto ao rio Zêzere e cuja população teve que ser retirada durante um incêndio, em 13 de agosto – com autarcas social-democratas de cinco concelhos do distrito de Santarém que foram afetados pelos fogos deste verão (Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Abrantes e Tomar).

“Pode haver problemas muito sérios, que têm que ser já preparados e minimizados”, advertiu, depois da conversa com os autarcas, apontando em particular a possibilidade de contaminação das águas que servem de abastecimento às populações por infiltração de cinzas e arrastamento de solos por erosão dos terrenos para os leitos dos rios e as barragens.

Pedro Passos Coelho em Dornes, Ferreira do Zêzere

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017

Sublinhando que este é um problema que “trará desafios muito grandes em termos de resposta pública”, Passos Coelho lembrou que é a partir da albufeira de Castelo de Bode, que se situa na região, que é feito grande parte do abastecimento de água à população de Lisboa.

Passos Coelho afirmou que foi alertado para este impacto pot Jacinto Lopes e sublinhou que estes “problemas mais imediatos” precisarão de uma resposta concertada das administrações central e local.

O líder social-democrata afirmou que a reunião de hoje constituiu uma oportunidade para “ter uma noção do impacto dos incêndios” nesta zona, já que o norte do distrito de Santarém foi uma das regiões mais afetadas pelos fogos que ocorreram, sobretudo no mês de agosto.

Ferreira do Zêzere | Passos Coelho e Jacinto Lopes (PSD) preocupados com contaminação do Zêzere (c/vídeo)
Líder do PSD falou com autarcas de Ferreira do Zêzere, Sardoal, Tomar, Abrantese Mação. Foto: mediotejo.net

As mensagens que ouviu deram conta “da grande descoordenação da resposta” por parte da Proteção Civil e de “uma falta de planeamento estratégico”, que se refletiu numa deficiente resposta no combate aos incêndios e na forma como os próprios meios foram empregados, disse.

“As queixas foram muitas. Houve também muitas sugestões que podem ser úteis para o futuro”, acrescentou, afirmando que o PSD tem vindo “a contribuir com propostas que são bastante construtivas” e que visam “garantir que, para o futuro, a resposta possa ser melhor”.

Em particular, Passos Coelho destacou a intervenção ao nível do Plano Juncker (plano de investimentos para a Europa) e das ajudas da União Europeia, bem como a nível nacional, no sentido do cadastro e do ordenamento, referindo ainda o contributo para “a fase que se vai abrir, de reconstrução, de reflorestação, de limpeza, de preparar o futuro, quer do ponto de vista estrutural quer do ponto de vista operacional”.

Passos Coelho afirmou aguardar pelo relatório sobre o que se passou em Pedrógão Grande, onde, no incêndio que se iniciou em 17 de junho, morreram 64 pessoas, e que será apresentado pela comissão técnica independente, que frisou ter sido criada por proposta do PSD e aprovada por todos os partidos no parlamento.

“Esperamos que traga indicações muito claras sobre o que aconteceu, independentemente de indicações para o futuro, mas pelo menos que fiquemos a saber o que aconteceu naquele caso”, disse, reafirmando que o que aconteceu em outros concelhos “vem evidenciando” falhas na coordenação e planeamento mal feito.

“Isso são indicações que recorrentemente aparecem e não apenas da parte de autarcas do PSD”, declarou, acrescentando que chegará o momento “em que se fará, com princípio, meio e fim, a avaliação de tudo o que se passou e haverá uma imputação de responsabilidades aos vários níveis”, para depois se “saber o que se pode fazer para futuro, de modo que as coisas que correram mal sejam prevenidas e se evite que volte a acontecer”.

Ferreira do Zêzere | Passos Coelho e Jacinto Lopes (PSD) preocupados com contaminação do Zêzere (c/vídeo)
Passos Coelho foi informado do real impacto dos incêndios na região do Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

Passos Coelho afirmou não haver “dúvida nenhuma” que o sentimento de que “o Estado falhou e de que muitas das coisas que eram importantes correram mal” é “partilhado pela generalidade das pessoas” e “não pode ser combatido apenas com palavras”.

Ao mediotejo.net, Jacinto Lopes explicou que a captação de água do município é feita pelo rio Zêzere, estando em causa, juntamente com Lisboa, um universo de 3 milhões de pessoas. “Os 50 mil hectares que arderam vão drenar para o rio”, desde cinzas a materiais pesados, o que “pode colocar em causa a qualidade da água”.

“Pode acontecer no inverno apelarmos à poupança de água”, uma vez que o pior cenário, que é chover intensamente durante poucos dias e o inverno manter-se seco, é o que se antevê para este ano, referiu. “O ideal era uma chuva gradual”, salientou.

O autarca garantiu porém que não está em causa o abastecimento às populações. “Mas vamos começar a preparar os piores cenários”, admitiu.

c/LUSA

2 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde . Excelente artigo. Pequeno reparo , maioria dos concelhos referidos não são do distrito de Santarém .

  2. Os três paragrafos da noticia que a seguir passo a transcrever, demonstram bem a ignorância que o lider da oposição tinha acerca dos efeitos nefastos para as linhas de água e para os seus grandes reservatórios, como é o caso do Castelo do Bode depois dos incêndios: – “Sublinhando que este é um problema que “trará desafios muito grandes em termos de resposta pública”, Passos Coelho lembrou que é a partir da albufeira de Castelo de Bode, que se situa na região, que é feito grande parte do abastecimento de água à população de Lisboa.

    Passos Coelho afirmou que foi alertado para este impacto pot Jacinto Lopes e sublinhou que estes “problemas mais imediatos” precisarão de uma resposta concertada das administrações central e local.

    O líder social-democrata afirmou que a reunião de hoje constituiu uma oportunidade para “ter uma noção do impacto dos incêndios” nesta zona, já que o norte do distrito de Santarém foi uma das regiões mais afetadas pelos fogos que ocorreram, sobretudo no mês de agosto.” Já em 20 de Agostei a lertei a opinião pública e consequentemente os poderes centrais para o que ai acontecer se nada for feito para ebitar essa calamidade: “Calamidade
    Neste dia de Domingo, 20 de Agosto de 2017, segundo dia abrangido pela Declaração de Calamidade, sinto as maiores dificuldades para alinhavar algumas ideias sem falar dos incêndios que têm pintado de negro o nosso País e de uma forma horrorosa o nosso Distrito.
    Mas não falando dos incêndios que estão na memória visual de todos nós, não posso deixar de falar da seca que amarelece este país, para além da cinza escura derivada de tantos milhares de hectares ardidos nos últimos tempos
    É certo que ainda temos a felicidade da nossa região ser banhada por dois grandes rios, para além de outros mais pequenos mas também importantes, mas infelizmente muito mal tratados pelo bicho homem, o Tejo, cada vez mais seco e o Zêzere, que ainda assim vai resistindo, com algumas dificuldades é certo, devido às suas várias barragens, cujas albufeiras, esperamos, possam ser geridas criteriosamente para que se consiga resistir, minimamente, à seca extrema que fragiliza ainda mais o país. Estou certo e convicto de que não fossem os caudais esporádicos do Zêzere, já se ia a pé, sem molhar os sapatos, à ilha do Almourol todos os dias e a qualquer hora.
    O Tejo, não é de agora, há muito que grande parte da sua água vai ficando por Espanha. E agora que a seca aperta, parece que o rio já vem seco, ou para lá caminha e, lamentavelmente, não se tem sentido ao longo dos tempos, especialmente dos últimos anos, a força suficiente dos vários governos portugueses para que nuestros hermanos cumpram, pelo menos, os normativos dos caudais mínimos de acordo com a Convenção de Albufeira. E nós sentimos que não cumprem. E a pouca água que ainda vai escorrendo do lado de lá, quanto a qualidade nem é bom falarmos. Eles fazem o que querem e ainda lhes sobra tempo, porque quem cala consente. Mas para “compensar”, nós por cá, também contribuímos, e que maneira, para que o que resta do Tejo lhe acrescentemos mais poluição de toda a ordem.
    Para complicar tudo isto, parece que o mês de Outubro irá ser fértil, não digo em chuva mas em chuvadas fortes e abundantes que arrastarão as cinzas para as barragens e, possivelmente criarão muitas dificuldades á boa gestão e à distribuição de água potável por uma região muito alargada.
    Dizem os técnicos da matéria, que os terrenos ardidos, especialmente as grandes encostas, deveriam estar a ser tratadas para que as chuvadas não provocassem enxurradas de cinza. Teriam que ser feitos socalcos, teriam que ser estudados todos os casos para que pudessem ser acautelados os interesses de tanta gente. Mas não se pode perder tempo. Setembro está à porta e Outubro vem logo a seguir.
    Não queremos outra calamidade – a falta de água no inverno – em cima das calamidades dos incêndios e da seca.
    Carlos Pinheiro
    20.08.17”

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