Ferreira do Zêzere | Na terra dos “Bons Maridos” há um sabor a Maravilha (c/vídeo)

Depois da vitória de Dornes nas 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias, o município de Ferreira do Zêzere está na linha da frente para voltar a alcançar uma nova maravilha, desta vez na temática da doçaria. Os “Bons Maridos”, da Pastelaria Pérola do Zêzere, foram um dos doces vencedores da fase distrital, no distrito de Santarém, e vão agora ser sujeitos à votação do público. Uma vitória importante face a uma vasta concorrência de quase um milhar de doces regionais, que passaram pelo escrutínio de um júri de especialistas, e que já garantiu um lugar de destaque nas 7 Maravilhas Doces de Portugal, entre 140 doces finalistas.

PUB

A 7 Maravilhas Doces de Portugal tem 140 doces vencedores das finais distritais e que desde quinta-feira, dia 27 de junho, já podem ser votados pelo público. No distrito de Santarém, o destaque vai para a região do Médio Tejo, com a doçaria de Tomar, Abrantes, Torres Novas e Ferreira do Zêzere a dar cartas. Os doces de Santarém são eleitos no dia 5 de julho. Em Castelo Branco, a Sertã também conseguiu eleger três doces maravilha. Ferreira do Zêzere vai acolher uma semifinal do concurso no dia 31 de agosto, anunciou Jacinto Lopes, presidente da autarquia.

Ferreira do Zêzere conseguiu ver apurado para esta fase os seus “Bons Maridos”, de uma vasta concorrência de centenas de doces nacionais. Foto: DR

Os “Bons Maridos” de Emília Peixoto conseguem ser simultaneamente um doce com história e da História. Afinal, conforme narra a doceira de 64 anos, foi a esposa de um antigo presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Beatriz Soeiro, que criou a receita original, tendo vencido um concurso de doçaria que se realizou no concelho em 1970. Emília Peixoto não sabe exatamente porque o pequeno pastel feito à base de ovos e grão-de-bico recebeu o nome de “Bom Marido”, mas calcula que tenha sido por a mulher do ex-autarca ter vindo encontrar em terras ferreirenses tão bom companheiro.

O doce, ao que narra ao mediotejo.net, ganhou designação de doce regional do concelho nessa data, mas Emília Peixoto não o conhecia quando, há já alguns anos, um juiz local, natural dos Açores, lhe veio pedir um “Bom Marido”. Atrapalhada, foi aos serviços municipais e descobriu a receita de Beatriz Soeiro, tendo-a personalizado com amêndoa e limão e começado a vender na sua pastelaria, a Pérola do Zêzere.

Doce é feito à base de açúcar e grão-de-bico, possuindo também um característico travo a limão Foto: mediotejo.net

Os “Bons Maridos” ganharam tal fama que a doceira acabou a criar um outro doce, já de sua lavra, as “Boas Esposas”, trocando o grão-de-bico pela gila. Estava feito assim o casamento que tem trazido algum sucesso e mediatização a este negócio familiar da vila de Ferreira do Zêzere, potenciado recentemente pela vitória de Dornes nas 7 Maravilhas – Aldeia e, nos últimos tempos, com a conquista de uma posição entre as sete maravilhas do distrito de Santarém, vencendo uma extensa concorrência e sujeitando-se agora ao escrutínio do público para chegar à desejada posição nacional.

PUB

Num país rico em doces conventuais, Emília Peixoto já está feliz pela inesperada vitória. Quando criou o negócio com o marido, nos finais dos anos 80, este era voltado para os petiscos. Só alguns anos mais tarde o casal se focou na doçaria, mantendo até hoje um cunho essencialmente caseiro em tudo quanto vendem na superfície.

Da pastelaria às compotas, passando pelas refeições diárias disponíveis, tudo é feito com produtos locais, frescos ou comprados a grosso (nunca em lata), e confecionados na cozinha que existe no interior da pastelaria pelo punho e exigência de Emília Peixoto.

Talvez isso explique o sucesso do negócio. Num tempo em que não existe tempo para nada, Emília Peixoto prefere confecionar tudo de forma tradicional, contribuindo a já treinada técnica para ultrapassar constrangimentos de urgência e pouco pessoal.

Com a massa dos “Bons Maridos” e das “Boas Esposas”, Emília Peixoto criou ainda uns biscoitos caseiros Foto: mediotejo.net

Um “Bom Marido”, explica-nos, demora mais de duas horas a ficar confecionado. Nos entretantos Emília Peixoto não pára, já tendo mentalmente delineado o programa de outros tantos passos a dar na sua exígua cozinha, oferecendo aos clientes toda uma ampla variedade de pastelaria de sua produção: biscoitos (uma variedade de “Bons Maridos” e “Boas Esposas”), estrelas do zêzere, tigeladas, queijadas de requeijão, croissants, bolas de berlim, folhados, empadas, bolos de aniversário, etc, etc.

A par desta oferta, consegue ter disponíveis doces ou salgados para todos os festivais gastronómicos do concelho, das favas aos lagostins. “Todos os dias vamos pensando um bocadinho como inovar”, reflete a doceira, que sempre foi uma apaixonada pela culinária, tendo realizado um curso de três anos em Coimbra, um dos seus projetos de vida, já depois dos 40 e com filhos ainda pequenos.

“Para mim o tradicional é o melhor. Estico a massa toda a mão, corto peça por peça”, confessa.

Mas na Pastelaria Pérola do Zêzere há outras pequenas maravilhas. Apaixonado por café, é o marido de Emília, António Peixoto, que faz a própria torra, mediante a combinação de várias variedade de grãos que consegue ter, mediante encomenda, no estabelecimento.

Conhecedor desta área, vai explicando as variedades e as características do café, acabando a conversa numa bica bem servida e com um aroma muito característico, já pouco comum de se encontrar.

Vai um “Bom Marido” e um cafezinho, que a hospitalidade está no coração do interior de Portugal.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here