Ferreira do Zêzere | Na terra dos “Bons Maridos” há um sabor a Maravilha (c/vídeo)

Depois da vitória de Dornes nas 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias, o município de Ferreira do Zêzere está na linha da frente para voltar a alcançar uma nova maravilha, desta vez na temática da doçaria. Os “Bons Maridos”, da Pastelaria Pérola do Zêzere, foram um dos doces vencedores da fase distrital, no distrito de Santarém, e vão agora ser sujeitos à votação do público. Uma vitória importante face a uma vasta concorrência de quase um milhar de doces regionais, que passaram pelo escrutínio de um júri de especialistas, e que já garantiu um lugar de destaque nas 7 Maravilhas Doces de Portugal, entre 140 doces finalistas.

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Os “Bons Maridos” de Emília Peixoto conseguem ser simultaneamente um doce com história e da História. Afinal, conforme narra a doceira de 64 anos, foi a esposa de um antigo presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Beatriz Soeiro, que criou a receita original, tendo vencido um concurso de doçaria que se realizou no concelho em 1970. Emília Peixoto não sabe exatamente porque o pequeno pastel feito à base de ovos e grão-de-bico recebeu o nome de “Bom Marido”, mas calcula que tenha sido por a mulher do ex-autarca ter vindo encontrar em terras ferreirenses tão bom companheiro.

O doce, ao que narra ao mediotejo.net, ganhou designação de doce regional do concelho nessa data, mas Emília Peixoto não o conhecia quando, há já alguns anos, um juiz local, natural dos Açores, lhe veio pedir um “Bom Marido”. Atrapalhada, foi aos serviços municipais e descobriu a receita de Beatriz Soeiro, tendo-a personalizado com amêndoa e limão e começado a vender na sua pastelaria, a Pérola do Zêzere.

Doce é feito à base de açúcar e grão-de-bico, possuindo também um característico travo a limão Foto: mediotejo.net

Os “Bons Maridos” ganharam tal fama que a doceira acabou a criar um outro doce, já de sua lavra, as “Boas Esposas”, trocando o grão-de-bico pela gila. Estava feito assim o casamento que tem trazido algum sucesso e mediatização a este negócio familiar da vila de Ferreira do Zêzere, potenciado recentemente pela vitória de Dornes nas 7 Maravilhas – Aldeia e, nos últimos tempos, com a conquista de uma posição entre as sete maravilhas do distrito de Santarém, vencendo uma extensa concorrência e sujeitando-se agora ao escrutínio do público para chegar à desejada posição nacional.

Num país rico em doces conventuais, Emília Peixoto já está feliz pela inesperada vitória. Quando criou o negócio com o marido, nos finais dos anos 80, este era voltado para os petiscos. Só alguns anos mais tarde o casal se focou na doçaria, mantendo até hoje um cunho essencialmente caseiro em tudo quanto vendem na superfície.

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Da pastelaria às compotas, passando pelas refeições diárias disponíveis, tudo é feito com produtos locais, frescos ou comprados a grosso (nunca em lata), e confecionados na cozinha que existe no interior da pastelaria pelo punho e exigência de Emília Peixoto.

Talvez isso explique o sucesso do negócio. Num tempo em que não existe tempo para nada, Emília Peixoto prefere confecionar tudo de forma tradicional, contribuindo a já treinada técnica para ultrapassar constrangimentos de urgência e pouco pessoal.

Com a massa dos “Bons Maridos” e das “Boas Esposas”, Emília Peixoto criou ainda uns biscoitos caseiros Foto: mediotejo.net

Um “Bom Marido”, explica-nos, demora mais de duas horas a ficar confecionado. Nos entretantos Emília Peixoto não pára, já tendo mentalmente delineado o programa de outros tantos passos a dar na sua exígua cozinha, oferecendo aos clientes toda uma ampla variedade de pastelaria de sua produção: biscoitos (uma variedade de “Bons Maridos” e “Boas Esposas”), estrelas do zêzere, tigeladas, queijadas de requeijão, croissants, bolas de berlim, folhados, empadas, bolos de aniversário, etc, etc.

A par desta oferta, consegue ter disponíveis doces ou salgados para todos os festivais gastronómicos do concelho, das favas aos lagostins. “Todos os dias vamos pensando um bocadinho como inovar”, reflete a doceira, que sempre foi uma apaixonada pela culinária, tendo realizado um curso de três anos em Coimbra, um dos seus projetos de vida, já depois dos 40 e com filhos ainda pequenos.

“Para mim o tradicional é o melhor. Estico a massa toda a mão, corto peça por peça”, confessa.

Mas na Pastelaria Pérola do Zêzere há outras pequenas maravilhas. Apaixonado por café, é o marido de Emília, António Peixoto, que faz a própria torra, mediante a combinação de várias variedade de grãos que consegue ter, mediante encomenda, no estabelecimento.

Conhecedor desta área, vai explicando as variedades e as características do café, acabando a conversa numa bica bem servida e com um aroma muito característico, já pouco comum de se encontrar.

Vai um “Bom Marido” e um cafezinho, que a hospitalidade está no coração do interior de Portugal.

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