Ferreira do Zêzere | Escola aposta em ação de defesa da saúde mental com adolescentes

A psicóloga Filipa Reinas interessou-se pelo projeto e trouxe-o para Ferreira do Zêzere, onde se pretende estimular a autoestima dos jovens e despistar casos de problemas mentais Foto: mediotejo.net

Sabia que morrem mais pessoas através de suicídio consumado que devido a guerra ou acidentes de viação? Ou que 33% dos adolescentes diz que se sente deprimido mais do que uma vez por semana, sendo que 20% apresentam uma perturbação mental antes dos 18 anos? Num país que regista carências ao nível do apoio a crianças e adolescentes com problemas mentais, o projeto “Programa + Contigo” vai diretamente às escolas, na tentativa de promover uma autoestima saudável e despistar casos de deterioração da saúde mental nos adolescentes. Na quarta-feira, 9 de janeiro, o projeto foi apresentado aos encarregados de educação da Escola Básica e Secundária Pedro Ferreiro, tendo estado presente o vereador do município de Ferreira do Zêzere, Hélio Antunes.

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O “Projeto + Contigo” é uma iniciativa que envolve a Direção-geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), os centros de saúde e a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, para além de possuir parcerias com a Administração Regional de Saúde do Centro, instituições hospitalares e municípios. Tem como população alvo os alunos do 3º ciclo e ensino secundário da região centro.

O objetivo é promover a autoestima através de várias atividades e jogos e prevenir comportamentos de risco, autolesivos, que possam conduzir os adolescentes, no extremo, ao suicídio. Tendo tomado conhecimento do projeto, a psicóloga do Agrupamento de Escolas de Ferreira do Zêzere, Filipa Reinas, trouxe-o para o concelho, tendo sido apresentado agora aos pais.

Os princípios e objetivos do programa foram apresentados por José Carlos Santos, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, que mostrou à cerca de uma dezena de pais presentes alguns dados estatísticos nacionais e internacionais e os fatores de risco para jovens entre os 10 e os 19 anos, período considerado como o da adolescência. “Queremos contrariar a ideia que a adolescência é a fase da asneira”, afirmou, “o que vamos falar com os vossos filhos é que a adolescência é um período de construção”, mas também de responsabilização.

Sendo que na adolescência a aprovação entre os pares é importante, assim como o equilíbrio com a família, o desenvolvimento para a autonomia ou a construção de um projeto de vida, são vários os fatores de risco no âmbito da deterioração da saúde mental, que podem provocar ansiedade e depressão. Problemas familiares, de saúde, bullying e cyberbullying, características psicológicas, perdas, etc, podem desencadear processos autolesivos.

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A criança que entra em depressão apresenta vários sintomas, aos quais os pais devem estar atentos: isolamento social, tristeza persistente, ansiedade e angústia permanentes, baixa autoestima, sentimentos de culpa, inutilidade e desvalorização, irritabilidade fácil, apatia, labilidade emocional (alterações bruscas de humor), alterações de memória e dificuldades de concentração, comportamentos impulsivos e/ou agressivos, comportamentos de risco/adição, insónia ou hipersónia, diminuição do rendimento escolar, dificuldade em lidar com a rejeição, transtorno alimentar, pensamento de morte, comportamento autolesivos e atos suicidas, etc.

Os números em Portugal são relativamente baixos (quatro em 100 mil adolescentes suicidam-se), mas há muitos mais casos de comportamentos autolesivos, que podem ser o princípio do processo. O suicídio “é um fenómeno complexo e multideterminado, que resulta da confluência de uma diversidade de fatores”, como crises, conflitos, baixa autoestima, sofrimento/angústia e da incapacidade de encontrar soluções, explicou o especialista.

É neste sentido que a escola assume uma posição central, como fator de proteção das crianças e jovens que vivem algum tipo de trauma. O “Programa + Contigo” vai desenvolver-se em três fases: cinco sessões de atividades com jovens, um Dia + Contigo e um Encontro final, com os resultados do trabalho. Os adolescentes que foram identificados como tendo problemas mentais serão encaminhados para o Hospital de Tomar.

A implementação do projeto em Ferreira do Zêzere vai ter inicio na próxima semana, com os alunos do 7º ano. Segundo Filipa Reinas, “o que esperamos é, de uma forma geral, promover a saúde mental e o bem estar dos nossos alunos e combater o estigma da doença mental”. É desejo da instituição, adiantou ainda ao mediotejo.net, que os alunos desenvolvam competências sociais e pessoais, “de auto-conceito, capacidade de resolução de problemas, assertividade na comunicação, expressão e gestão emocional”.

 

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