Fátima | Portugal tem sido apenas um “país de passagem” para refugiados

Obra Católica Portuguesa das Migrações conduziu a conferência de imprensa desta 12 de agosto Foto: mediotejo.net

Na peregrinação aniversária de Fátima, em que se marca também a peregrinação dos migrantes, a conferência de imprensa que abre as celebrações, na segunda-feira, 12 de agosto, foi conduzida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, uma das fundadora da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR). Segundo dados avançados nesta sessão, a PAR recebeu até ao momento 726 pessoas requerentes de asilo. Um número pequeno face à realidade global de migrações e pedidos de refúgio à Europa, mas que, mesmo assim, reflete que Portugal é visto apenas como um país de passagem para a restante União.

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Nem sempre os processos de adaptação têm corrido bem, mesmo quando os refugiados optam por ficar em Portugal. D. António Vitalino Dantas, presidente do Secretariado Nacional de Apoio à Pastoral da Mobilidade Humana, admitiu, face às questões da comunicação social, que presenciou situações de pessoas colocadas a trabalhar na construção civil, ou outros empregos que requerem baixa formação, sem terem noção do que estão a fazer ou mesmo aptidões para tal. São frequentemente detentoras de cursos superiores e estão em Portugal porque precisaram de fugir da guerra, não por iniciativa própria, comentou.

“O país nem sempre está atento a esses problemas”, refletiu, não obstante algumas das instituições de apoio a refugiados tenham procurado conseguir equivalências de diplomas e alguns refugiados tenham conseguido voltar a trabalhar nas áreas de formação. De uma forma geral, porém, “sabemos que Portugal é muito escolhido como país de passagem para a Europa”, ao abrigo do espaço Schengen.

Ao fim da tarde de 12 de agosto o Santuário ainda se encontrava bastante vazio Foto: mediotejo.net

“O acolhimento faz parte de um processo livre da pessoa”, procurou também explicar Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações, sobre as condições de acolhimento de refugiados em Portugal. O país, referiu, continua disponível para receber estes requerentes de asilo, “aprendendo com o passado”, e continuam a ser precisas instituições que estejam dispostas a acolher estas pessoas. “Estamos a trabalhar para que a pessoas percebam que beneficiamos com a diversidade”.

Os dados da PAR apontam para 726 as pessoas recebidas em Portugal, desde que a plataforma que une instituições da sociedade civil para o acolhimento de requerentes de asilo foi criada no final de 2015.

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“726 pessoas é um número pequenino, se pensarmos que estão dispersas por diferentes comunidades e regiões [do país]. É um número que não custa a acolher e, portanto, a Europa tinha capacidade – se não fosse esta recusa de alguns países – de acolher muitos mais”, disse a responsável. Eugénia Quaresma sublinhou ainda que este número ajuda também “a combater a lógica do discurso da invasão” de refugiados na Europa.

Questionada sobre a necessidade de as migrações serem debatidas aquando do arranque da campanha das eleições legislativas, Eugénia Quaresma considerou que é importante esse assunto estar na agenda dos partidos políticos, “mas também da parte de quem os elege”.

“É preciso combater os medos”, defendeu.

A atual configuração do Parlamento Europeu e a posição do Governo italiano relativamente aos refugiados também preocupam Eugénia Quaresma, salientando que é necessário uma resolução “conjunta e colaborativa” para esta questão.

“Temos que olhar para as migrações como algo que faz parte da vida da humanidade”, vincou, frisando que, se hoje uns são refugiados, “amanhã poderemos ser nós”.

A Peregrinação Internacional de agosto arranca esta segunda-feira e termina na terça-feira, com as celebrações a serem presididas pelo cardeal canadiano Marc Ouellet. Segundo o Santuário de Fátima, estão inscritos 50 grupos de peregrinos de diferentes países, como Vietname, Senegal, Polónia, Malásia, Argentina ou Alemanha. Na peregrinação de agosto de 2018 estima-se que tenham marcado presença cerca de 150 mil peregrinos.

c/LUSA

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