Fátima | Há pessoas que peregrinam descalças colocando a vida em risco – Podologistas

Associação Portuguesa de Podologistas presta serviço em Fátima aos peregrinos a pé Foto: mediotejo.net

A Associação Portuguesa de Podologia terminou este dia 12, domingo, em Fátima, a rota que faz há 15 anos, apoiando os peregrinos a pé até ao santuário. O camião iniciou este ano o trajeto em Águeda, parando em Coimbra, Pombal e na cidade religiosa, num percurso realizado ao longo de seis dias e apoiado por 50 voluntários, entre estudantes e profissionais. Pelo caminho estes podologistas vêem um pouco de tudo, manifestando-se apenas apreensivos com casos frequentes de peregrinos descalços que, afirmam, estão a colocar em risco as próprias vidas, independentemente do significado espiritual do gesto.

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Ao final da tarde de domingo, os cânticos misturam-se com os rostos de alguma exaustão que se vão enfileirando junto ao posto da Associação Portuguesa de Podologia. Dentro de poucas horas terão início as cerimónias da peregrinação aniversária de maio a Fátima e os pés têm que estar refeitos e tratados após centenas de quilómetros realizados a pé, a partir das mais diferentes zonas do país.

Ana Cristina Pereira, 37 anos, veio de França de propósito para realizar esta peregrinação, a partir de Arcos de Valdevez. Foram 340 quilómetros. Sorridente, aceita com resignação alguma dor que lhe é infligida quando as podologistas lhe tocam nos pés e realizam os primeiros tratamentos. Valeu a pena. Pelo percurso nunca desanimou, admitindo porém que o cansaço aliado à dor física é a fase mais difícil da viagem.

associação tratou de cerca de 1200 pessoas ao longo de seis dias Foto: mediotejo.net

Não consegue explicar porque resolver empreender esta viagem a pé a Fátima, a qual realiza pela segunda vez. “É a fé, é algo interior. Precisava de vir e agradecer à Senhora, de agradecer o que a Senhora de Fátima faz por mim”, comenta.

Ao lado, o pai, Manuel Pereira, 63 anos, fez o mesmo percurso. Com a voz embargada e alguma comoção, não consegue explicar por palavras o que o moveu neste trajeto de oito dias desde o norte do país. “Fizemos uma média de 50 quilómetros por dia, chegámos ontem”, referiu, encontrando-se agora a aguardar a sua vez para fazer um breve tratamento aos pés. Não é nada, garante, digno de preocupação, mas já havia encontrado os podologistas em Coimbra e vem repetir o tratamento.

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Quando lhe perguntamos o que leva a repetir este caminho tão longo até Fátima, suspira. “É muito forte para explicar…”.

Durante a semana em que estão na estrada a dar apoio gratuito a peregrinos, os podologistas encontram um pouco de tudo, de simples bolhas nos pés a problemas mais complicados, resultado também de alguma falta de cuidado dos próprios peregrinos. Segundo Manuel Portela, presidente da Associação Portuguesa de Podologia, “nestes dois últimos dias as lesões aumentaram, pelo acumular de quilómetros e o calor que se fez sentir”.

Camião da Associação de Podologia esteve estacionado junto ao Posto de Turismo de Fátima Foto: mediotejo.net

Há peregrinos que se repetem no posto ao longo do trajeto, mas a equipa não acompanha nenhuma peregrinação em específico. O técnico de saúde alerta para a necessidade de se começar a treinar para a peregrinação algumas semanas antes, com caminhadas, começando a desgastar o calçado que se vai usar. Ir trocando de meias durante o dia e consultar o médico ou o podologista antes de empreender a viagem é importante para prevenir vários problemas.

Mas o que assusta mais estes profissionais são os peregrinos descalços. “Nós encontramos peregrinos que colocam a vida em risco, caminhando descalços. O pé fica com queimaduras e corre-se o risco de infeções elevadíssimas”, frisa, o que deve ser tido seriamente em consideração pelos peregrinos, independentemente da fé que levem.

Nestes seis dias, adiantou ao mediotejo.net, atenderam 1200 pessoas. O dia mais forte este ano foi o 12 de maio, ao contrário de anos anteriores, eventualmente devido ao facto de ser fim de semana. “O balanço é positivo. A ação é para manter e isto só é possível graças a estes 50 voluntários e alguns parceiros”, referiu.

Para Manuel Pereira, este serviço gratuito de podologia é uma “responsabilidade social”. “Somos uma associação profissional e temos essa responsabilidade”, para além do que “como católicos, como devotos, temos aqui o nosso contributo”.

 

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