Fátima | Diocese de Leiria-Fátima vai ter Comissão para Abusos Sexuais em junho (c/vídeo)

Cardeal fez uma exposição sobre os principais problemas que afetam a Igreja e a ordem global Foto: mediotejo.net

O Cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, anunciou este domingo, 12 de maio, em Fátima que espera criar em junho a Comissão diocesana dedicada à recolha e triagem das denúncias de abusos sexuais dentro da Igreja. António Marto manifestou-se satisfeito com a decisão dos bispos e a recente ordem superior do Papa e considerou que, na sua perspetiva, as denúncias devem ser comunicadas “às autoridades judiciais o quanto antes”.

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O clérigo abriu a conferência de imprensa tradicional do 12 de maio, realizando uma exposição sobre os principais problemas que afetam atualmente a Igreja Católica e a ordem global. A sua intervenção passou pelo aumento das peregrinações asiáticas no Santuário de Fátima, as perseguições aos cristãos e o terrorismo, os refugiados e o aumento da xenofobia no ocidente, a crise económica e social na Venezuela, terminando a abordar os abusos sexuais na Igreja.

António Marto saudaria assim a posição do Papa Francisco sobre este último tema, que tornou obrigatória a criação de estruturas de denúncia e proteção das vítimas de abusos sexuais nas dioceses.

Questionado a respeito do tema pelos jornalistas, o Cardeal adiantou que espera que a respetiva comissão da diocese de Leiria-Fátima entre em vigor em junho, instando as restantes dioceses nacionais a seguirem o mesmo caminho no próximo ano. “Fiquei muito satisfeito por os bispos portugueses terem tomado esta decisão” por mote próprio, comentou, adiantando que já tinha intenção de constituir uma equipa do género.

O bispo de Leiria-Fátima reiterou assim esperar proceder às nomeações em junho, após reunião já agendada com colaboradores.

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Questionado pela agência Lusa sobre se a Igreja deveria fazer a triagem ou comunicar diretamente às autoridades as denúncias recebidas, António Marto referiu que, na sua perspetiva, “deve-se comunicar às autoridades judiciais o quanto antes”.

Essas autoridades “têm mais recursos humanos, mais instrumentos mais eficazes e mais eficientes para apurar a verdade”, sustentou o cardeal, vincando que esta é a sua opinião pessoal sobre o assunto.


António Marto recordou que o documento do Papa Francisco apenas torna obrigatória a denúncia na Igreja, recordando que, se em Portugal não é obrigatório fazer a denúncia às autoridades, já em França é obrigatório fazê-la, o que até levou à condenação de um cardeal.

Em fevereiro, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Barbosa, referiu que os casos “tratados nos tribunais eclesiásticos onde chegam as denúncias são pouquíssimos e, desses, mais de metade a investigação prévia parou por falta de fundamento”.

c/LUSA

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