“Famílias de Acolhimento”, por Vânia Grácio

Na primeira crónica do ano, quero começar por desejar a todos e todas um ano cheio de saúde. Saúde e amor são o mais importante, o resto logo se resolve de uma forma ou de outra.

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Desejo sinceramente que este novo ano traga também a vontade de fazer o que ainda não foi feito, já diz a música. E começo por falar nas famílias de acolhimento. Legislada mas não regulamentada, é uma resposta social que há muito aguarda para ser verdadeiramente posta em prática.

Não que já não se vá fazendo aqui ou ali, havendo até uma entidade a nível nacional que o faz (segundo sei) bem, mas porque há a necessidade de que esta resposta esteja disponível para mais crianças. Diz o Governo que ainda não estaremos prontos para isto, uma vez que não há equipas para fiscalizar estas famílias. Ora, se houver uma boa formação e equipas para darem apoio, não haverá grande necessidade de “fiscalizar”.

Sempre me interessei pelas famílias de acolhimento mas houve uma altura em que tive alguns receios de facto, pelo vínculo que as crianças vão criar com estas famílias, que não cuidarão de si para sempre. Há uma expectativa que não será concretizada. No entanto, nas instituições isso também vai acontecer e terão aqui (nas famílias de acolhimento) com certeza outro tipo de acompanhamento, mais próximo, mais afetivo. Pelo menos é o que se espera. Que exista mais colo, uma relação e ralação parental.

É certo que as famílias recebem um valor por mês para cuidar destas crianças, mas também é certo que as instituições o recebem. Porém, parecia-me mais justo que o mesmo investimento que se faz nas instituições de acolhimento, se fizesse antes demais nas famílias em meio natural de vida para prevenir os acolhimentos residenciais (em instituição).

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Cerca de 800€ por mês, por criança, é quanto o Estado entrega às instituições. Não quero com isto dizer que é muito ou pouco, é o acordado. Não é nisso em que me pretendo focar, mas parece-me que 800€ será mais do que aquilo que muitas famílias terão para cuidar dos seus filhos. Quero acreditar que no meu país já não se retiram crianças por os pais não terem condições económicas para cuidar delas, mas não sou ingénua.

Bem sei que esse fator pesa e muito na decisão. Depois há equipas em meio natural de vida, para apoiar as famílias e evitar que as crianças sejam retiradas, no entanto a sua capacidade de resposta é também por vezes limitada.

Assim, claro que as instituições são importantes como último reduto para uma proteção necessária, mas as famílias de acolhimento também o poderão vir a ser. O que não quero para o futuro é que continuemos limitados nas respostas para as situações em que as crianças têm mesmo de sair de junto da sua família de origem, mesmo que temporariamente.

Já vi muitos casos de sucesso, famílias que voltaram a reunir-se, que a separação os fortaleceu e foi muito importante para a sua reestruturação. Também já vi crianças seguirem o seu caminho para outra família, porque na sua não foi possível. Acredito que existirem mais resposta só traz vantagem. Há que ter coragem para avançar.

Assim espero que aconteça num futuro próximo, para que mais crianças possam crescer sem culpa, sem sofrimento e sem saudades dos seus pais por muito tempo.

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