“#estouhappy”, por Vânia Grácio

Foto: Zippi

Devemos ser um país “rico” na carteira e “pobre” de espírito. Lamento imenso chegar a esta conclusão, mas parece ser mesmo assim. Uma marca de roupa para criança, lançou uma colecção unissexo. E entenda-se, UNISSEXO, quer dizer que é pró menino e prá menina. Mas, ao que parece, algumas pessoas quando deviam ler unissexo, lêem homossexual.

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Os comentários absurdos que se ouvem, as mensagens enviadas à marca, as promessas de boicote às compras/vendas… bem, um chorrilho de verdadeiras aberrações. Sim, estes comentários preconceituosos são verdadeiras aberrações. Que mal tem que uma criança menina vista a mesma roupa que uma criança menino? É a roupa que define a orientação sexual de alguém? Quem nunca vestiu uma peça de roupa assim?

Já todos vestimos fatos de treino, calças de ganga, calçamos ténis que tanto podem ser usados por rapazes como por raparigas. A marca já veio explicar que o objectivo era que as famílias pudessem poupar dinheiro e que a mesma peça de roupa desse para a irmã, o irmão, a prima e por aí fora.

A cultura de separação dos géneros continua bem presente nas mentes preconceituosas de muita gente. Lutamos por igualdade de oportunidades, por igualdades salariais, por igualdade de direitos, mas atenção, cada um veste a sua roupa. Azul para os meninos e rosa para as meninas (onde é que já ouvi isto?).

Era mesmo o que estávamos a precisar, que um grupo de fundamentalistas viesse criar um movimento “anti happy”, com palavras de ordem como “deixem as crianças ser crianças”. Mas que tem isto a ver? O que tem a roupa que vestem a ver com orientação sexual, com discriminação sexual? Será que a roupa traz algum upgrade escondido e que se um menino a vestir torna-se gay e se for vestida por uma menina, ela torna-se lésbica?

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Por favor dizemos nós, deixem as crianças longe dos preconceitos dos adultos. Deixem-nas crescer e ser quem elas quiserem ser. Desde que sejam happy’s.

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Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos. Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos. Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.
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