“Espinafre”, por Armando Fernandes

Foto: DR

Os leitores meus coevos lembram-se da Olívia Palito e do musculado Popeye de cachimbo na boca a soltar baforadas tal qual as locomotivas, não faltando a estridência dos silvos ao iniciarem a marcha e/ou alertarem as populações da passagem ou partida.

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O famoso marinheiro Popeye herói da banda desenhada envolvia-se em lutas tremendas porque a Olívia e por isso mesmo, quando o seu rival estava prestes a levá-lo de vencida retirava do bolso uma lata contanto espinafres, ingeria-os e os seus músculos dos braços rebentavam a camisola de marujo, sem tirar o cachimbo da boca (ainda não estávamos no fascismo higiénico) e esmurrava e vencia quem lhe aparecia pela frente. O milagre residia nas virtudes dos espinafres.

Com efeito, as folhas desta erva rasteira congregam vitaminas, potássio e outros atributos a concederem-lhe importância enquanto alimento capaz de causar efeitos benéficos nos organismos de miúdos e graúdos para lá dos fundamentalismos das dietas adelgaçantes porque só os esbeltos têm o direito a hossanas e louvores neste reino cujas pessoas desconhecem o rifão – mente sã, em corpo são – longe dos exageros ou residisse a virtude na sábia doutrina do: nem de mais, nem de menos, como o sal na comida e a religião na sua prática.

Gosto de espinafres sem saladas quentes e frias, em sopas simples e complexas, em arrozes, massas e macarrões, em recheios, sem esquecer acompanhamentos de carnes brancas e vermelhas, só coloco de lado os espinafres no que tange a acompanharem crustáceos ao natural, acabados de cozer. No domínio das ovas o caso muda de figura, espinafres e as ditas cujas de peixes onde o azeite seja benquisto concedem-me prazer palatal, obviamente, ovas noutras preparações culinárias não me suscitam desejo de lhes acrescentar espinafres, nem assados ou estufados.

Este elogio ao espinafre não deriva do desejo de imitar o desembaraçado pinga-amor pela Olívia palito (pernas finas), deriva isso sim das folhas da humilde erva me proporcionarem agradáveis sensações gustativas. Não se me afigura azado trazer a terreiro os postulados nutricionais do jargão científico, o leitor interessado os encontrará a eito e a rodos na Internet.

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Abaladiço

Uvas das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Trincadeira são as responsáveis por este tinto granadino, vigoroso e apelativo, por isso mesmo o produtor o promoveu à categoria de reserva, oriundo de vinhas situadas no Casal da Fonte, Vale do Paraíso. Azambuja.

No copo de prova desprendeu aromas a fruto maduros, amoras, ameixas, abrunhos, algum mineral e arbóreo, no palato revelou-se elegante, 13,5º, e guloso no beber. Julgo-o ser indicado para acompanhar pratos de carnes vermelhas, caça e fumados, para lá de queijos em fase de entorna e secos. Produtor: J. Carvalho.

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