“Espargos”, por Armando Fernandes

Foto: DR

A regra antiga ensinava a consumirmos os espargos de Dezembro a Junho. A regra de agora, é não existir sazão, a desregra entronca no facto de as técnicas de conservação e mobilidade dos produtos possibilitarem a sua consumição a todo o tempo e a todas as horas. Embora dê prioridade à sazão, ainda no mês de Junho tive a oportunidade de comer espargos verdes, grelhados, apenas com grãos de sal e azeitados como convém.

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Já no mês de Julho, concedi vazão à gula apreciei espargos brancos, rotundos, vindos acamados em latas de Navarra. Frios, ao lado maionese, rodelas de ovos, pimenta preta em grão na companhia de um capitoso vinho branco constituíram merenda refrescante, agradável, onde também participaram fatias de centeio torradas.

Os egípcios exaltaram as virtudes dos espargos, os romanos associavam-nos à manutenção da virilidade masculina, talvez por isso no reinado de Luís XIV fossem tão aplaudidos na corte francesa e os cozinheiros tivessem elaborado tantas receitas nas quais os espargos são elemento principal.

Os tratados de cozinha inspirada em Afrodite e erótica não os esquecem, seja a nível das sopas frias, a acompanharem mariscos e peixes brancos, carnes frias e fumadas, confeitos e pastéis de carne. Os espargos e vinhos intranquilos consubstanciam felizes casamentos. Experimentem para acreditarem!

Quinta do Penedo

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Há esquecimentos benéficos. Na semana passada fui almoçar a um restaurante lisboeta onde costumo beber vinho tinto de determinada chancele região. Pois bem, o proprietário esqueceu-se de recolocar o dito cujo vinho na garrafeira de serviço, saí ter entendido presentear-nos com o tinto oriundo da zona de Mangualde, Quinta do Penedo, cuja história está ligada a um famoso general salazarista fulminador dos oposicionistas do Botas nas hostes do Exército.

A Quinta do Penedo pertence agora ao universo das Caves Messias, o tinto em questão é proveniente das castas Alfrocheiro e Touriga e após aspiração e inspiração fundas e bem respiradas demos assentimento a ser colocado nos copos dos convivas.

A análise da pituitária demorou mais do que o habitual dada a sua idade, sete anos. Sete nos de idade num vinho nos tempos correntes é idade avançada para muitos enólogos e produtores, no entanto, para nosso prazer, o vinho apresentava-se em perfeitas condições – brilhante, perfumado, guloso no palato –, salientando-se as notas a fruta madura, mentol, e a algum mineral, vigoroso e bem estruturado.

Uma garrafa não chegou, o Senhor da lembrança recebeu elogios, nas próximas refeições os convivas vão-se esforçar no sentido de honrarem o néctar cuja graduação (12º) nos possibilita alargar um pouco o desejo de superar a quantidade estabelecida.

Se o leitor conseguir vislumbrar este vinho não hesite em o adquirir. Elabore uma refeição e beba-o com os amigos, assim em amizade que alegra o coração.

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