Entroncamento | Jornadas do ACES sobre saúde mental juntam mais de 400 profissionais (c/ vídeo)

A saúde mental está em debate durante dois dias no Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Ultrapassou todas as expectativas a adesão às 7ªs Jornadas do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo sobre o tema genérico ” Saúde Mental”, que junta durante os dias 13 e 14 de fevereiro mais de 400 profissionais no cineteatro S. João, no Entroncamento.

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A organização registou 420 inscritos e teve de rejeitar inscrições por falta de espaço no recém-inaugurado cineteatro. Durante dois dias, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde debatem o tema da saúde mental que, reconhece a nova Diretora do ACES, “tem sido um pouco esquecido nos últimos anos”.

Diana Leiria, que assumiu o cargo no início do mês, considera que “a saúde mental, sobretudo as perturbações mais comuns, são uma das principais causas de absentismo no trabalho e das reformas antecipadas”.  Em Portugal as doenças do foro mental têm uma prevalência na ordem dos 23%. Por isso, a nova Diretora é de opinião que o tema se impõe e disse esperar que as Jornadas sejam um contributo para “colocar o tema em cima da mesa e despertar o interesse de toda a população”.

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Recém-empossada no cargo sucedendo a Sofia Theriaga, Diana Leiria foi o alvo das atenções e de mensagens a desejar bom trabalho no mandato que agora inicia.

Antes da cerimónia de abertura decorreu uma mesa redonda com intervenções de eleitos de várias autarquias: Ilda Joaquim, Vice-Presidente da Câmara do Entroncamento, Manuel Mourato, Vereador na Câmara de Vila Nova da Barquinha e Celeste Simão, Vereadora na Câmara de Abrantes, entre outros.

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“Saúde mental: responsabilidade de todos” foi o tema em análise com os três eleitos a elencarem as atividades que desenvolvem nos seus Municípios com vista a dinamizarem sobretudo os seniores numa lógica de prevenção para as doenças mentais. Ao mesmo tempo apresentaram uma radiografia de cada um dos seus territórios com enfoque no apoio à terceira idade.

7as. Jornadas do ACES Médio Tejo – Agrupamento de Centros de Saúde no Entroncamento

Publicado por mediotejo.net em Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Ao introduzir a sessão de abertura, a apresentadora referiu que “um quinto da população portuguesa tem perturbação psiquiátrica” e que tal “representa cerca de 12 por cento da carga global de saúde da população, somente ultrapassada pelas doenças cérebro-vasculares”.

As jornadas “pretendem contribuir para uma melhor prestação de cuidados aos nossos doentes através da partilha de conhecimento e experiências, do cruzar de olhares e da colaboração inter-pares”, acrescentou, desejando que a iniciativa sirva também como “um momento de convívio entre os profissionais do setor”.

Coube à Vice-Presidente da Câmara do Entroncamento dar as boas vindas aos participantes e à Diretora do Internato Médio, Manuela Ambrósio, apresentar os agradecimentos e contextualizar as jornadas que abordam “um tema muito atual e pertinente”.

Na sua intervenção, a nova diretora do ACES, lembrou que “a saúde mental é a base do bem-estar geral de cada indivíduo e como tal é uma competência de todos nós”, englobando não só as entidades de saúde, mas também instituições como as autarquias ou as empresas, que devem ter a responsabilidade de promover a saúde mental.

Neste campo, um dado relevante sublinhado por Diana Leiria é que Portugal é o país que mais consome Benzodiazepinas na Europa. Considerou ser um “problema gravíssimo de saúde pública o uso e abuso” daquele tipo de medicamentos.

A encerrar a sessão de abertura, interveio Luís Pisco, Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que aproveitou a presença de autarcas para falar na transferência de competências numa lógica de “um trabalho cada vez mais em conjunto”. Neste aspeto, considerou que o Médio Tejo “tem sido exemplar na colaboração com as instituições de saúde e na promoção da saúde”.

Sobre o tema do encontro, lembrou a existência de um Plano Regional de Saúde Mental (disponível no site da ARS) e realçou a dinamização que a coordenadora Teresa Maia tem imprimido na promoção da saúde mental na região.

Luís Pisco revelou que “a ansiedade e a depressão estão a crescer”, da mesma forma que, “com o envelhecimento da população, as demências também aparecem mais”. A juntar a isto temos “as novas adições nos jovens relacionadas com utilização de computadores e jogos”.

Daí considerar que “a saúde mental é uma prioridade para a saúde da região”, deixando um apelo ao incentivo à criação de parcerias na saúde mental com as autarquias e com a comunidade no sentido de procurar proporcionar saúde e bem-estar a todos.

Diana Leiria é a nova Diretora do ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

Direção do ACES: um desafio encarado “com muita coragem”

Diana Leiria, que tomou posse como Diretora do ACES Médio Tejo no início do mês, encara as suas novas funções “com muita coragem e muita vontade de trabalhar”. Apesar de ainda estar a conhecer os cantos à casa, confessa que encontrou “uma equipa motivada, empenhada e colaborante”.

Reconhece que o ACES abrange “uma enorme extensão” de 11 concelhos, com 96 portas abertas, o que representa “um desafio enorme à gestão”. Nesta altura há ainda cerca de 20 mil utentes a aguardar a atribuição de médico de família, mas apesar de tudo a zona abrangida pelo ACES “está longe de ser a região com mais falta de médicos na região de Lisboa e Vale do Tejo”.

Para Diana Leiria, os objetivos à frente do ACES passam por “tentar atribuir uma equipa de saúde familiar a todos os utentes e manter a qualidade dos cuidados de saúde”.

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