Entroncamento | Debate confirma reduções tarifárias nos transportes do Médio Tejo e Lezíria do Tejo

Debate promovido pelo BE sobre o PART no Entroncamento. Foto: mediotejo.net

O Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART) e o seu impacto na região a partir de 1 de abril motivou o debate promovido pelo Bloco de Esquerda este sábado, dia 23, na Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima. O tema juntou oradores de diversas áreas na tarde em que se situaram as reduções nos transportes públicos nos 40% a 45% e não só. Outras estão previstas nos transportes urbanos dos concelhos do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo, assim como no serviço Transporte a Pedido.

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Henrique Leal, vereador bloquista no executivo municipal do Entroncamento, deu as boas-vindas a quem marcou presença no auditório ao longo de três horas. Pouco depois, a palavra passou para Ana Sofia Ligeiro, que moderou as intervenções dos secretários executivos das comunidades intermunicipais do Médio Tejo, Miguel Pombeiro, e da Lezíria do Tejo, António Torres, o deputado Heitor de Sousa e o investigador Fernando Nunes da Silva.

Heitor de Sousa foi o primeiro a intervir, começando por lembrar que o tema não era novo. Segundo o deputado do Bloco de Esquerda, os 104 M€ afetos ao PART não são suficientes para a “aplicação plena” do programa que caraterizou de “desequilibrado” e privilegia as Áreas Metropolitanas. Igualmente criticado foi o voto contra do Governo à resolução apresentada no mês de fevereiro que recomendava, entre outros, a abrangência da mobilidade entre comunidades intermunicipais.

O impacto deste programa a nível social foi um dos pontos destacados pelo deputado bloquista, assim como na maioria das intervenções da tarde. O consenso gerou-se, igualmente, na assunção de que a mobilidade é um direito e fator de inclusão e coesão social. Fernando Nunes da Silva fez-lhe referência quando tomou a palavra e continuou com referência às reduções previstas nos transportes públicos representarem “um acréscimo no poder de compra das famílias”.

Painel de oradores do debate promovido pelo BE sobre o PART. Foto: mediotejo.net

A necessidade de desenvolvimento do PART esteve presente nesta e noutras intervenções. Como soluções, o investigador do Instituto Superior Técnico sugeriu conhecerem-se as “bacias de vida quotidiana” a partir dos centros onde se localizam os serviços e equipamentos de saúde, educação e municipais. Adequar as respostas às necessidades e aplicar “técnicas financeiramente suportáveis”, sem esquecer o problema da acessibilidade, também foram sublinhados.

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O tema passou, de seguida, a ser abordado pelos representantes duas comunidades intermunicipais presentes. Miguel Pombeiro, da CIM do Médio Tejo, e António Torres, da CIM da Lezíria do Tejo, referiram o trabalho que ambas as entidades têm desenvolvido enquanto Autoridades de Transportes e as especificidades da mobilidade nos respetivos territórios antes de referirem o prazo limitado com que tiveram de preparar o processo e apresentar a materialização do PART no terreno.

O secretário executivo Miguel Pombeiro especificou que as reduções das tarifas no Médio Tejo no âmbito deste programa vão abranger as deslocações com origem e destino na região, assim como os passes mensais e não os bilhetes de bordo. A ferrovia e a rodovia vão ser apoiadas de igual forma e procurou-se harmonizar os descontos com os territórios vizinhos.

António Torres e Miguel Pombeiro, secretários executivos das CIMs da Lezírria do Tejo e Médio Tejo, respetivamente. Foto: mediotejo.net

A nível interno regional, o serviço Transporte a Pedido vai sofrer alterações com a redução dos tarifários para três escalões já a partir de 1 de abril. O preço máximo pago pelos utentes deste serviço pioneiro de transporte flexível até ao momento era de €3,00, valor que desaparece na medida em que os preços vão situar-se nos €1,00, €1,50 e €2,00, tendo por base o número de quilómetros.

Os transportes urbanos de Abrantes, Entroncamento, Tomar e Torres Novas também vão sofrer reduções, cujos valores serão dados a conhecer na próxima terça-feira, dia 26, pelos respetivos municípios. Para a manhã do dia anterior, segunda-feira, está agendada uma reunião entre as comunidades intermunicipais e a Área Metropolitana de Lisboa e, nessa tarde, a CIM do Médio Tejo apresenta os números oficiais numa conferência de imprensa.

No entanto, tudo indica que a percentagem das reduções no âmbito do PART irão situar-se na ordem dos 40% a 45%, conforme o mediotejo.net noticiou no seguimento da reunião da Assembleia Intermunicipal da CIM do Médio Tejo da passada quarta-feira, dia 20. Um dos exemplos apontados foi o do passageiro da CP entre o Entroncamento e Lisboa, com o título L1 incluído, que poderá usufruir de uma redução a rondar os €115,00 nos cerca de €250,00 pagos mensalmente.

O debate terminou com a intervenção do deputado Carlos Matias. Foto: mediotejo.net

No caso da CIM da Lezíria do Tejo, António Torres, não avançou a percentagem dos descontos tarifários, referindo que a mesma poderá sofrer alterações depois da reunião com a Área Metropolitana de Lisboa. Mesmo assim, o secretário executivo avançou que os valores atuais são “um bocadinho mais baixos” do que os da região do Médio Tejo.

O final do debate ficou marcado pelas intervenções da plateia em que se destacaram, sobretudo, limitações no PART fora da Área Metropolitana de Lisboa. Entre os pontos apontados estiveram o passe “Famílias”, no valor de €80,00, a extensão da gratuitidade do transporte escolar – que passa a abranger os alunos até ao ensino secundário – para uma utilização geral e o reforço dos descontos ou gratuitidade para os desempregados.

A última intervenção foi a de Carlos Matias na qual referiu que a “dinâmica” das comunidades intermunicipais em torno do PART foi “inesperada” e gerou “um bom problema político”. Segundo o deputado bloquista, as contas não podem considerar apenas “os custos”, devendo medir-se os benefícios de um serviço público que deve ser “igual para todos”, nomeadamente, em termos de ganhos ambientais, saúde e no combate à desertificação.

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1 COMENTÁRIO

  1. Independentemente de tudo o resto, só gostava de saber quais sais as ligações possíveis aos caminhos de ferro. Por exemplo para o Entroncamento de Torres Novas, de Alcanena, da Golegã ou da Chamusca, para não falar das terras mais pequenas que estão esquecidas no mapa.
    E para a estacão de Santarém, de Almeirim ou de Alpiarça, para não falar de Pernes ou de Alcanhões ou de Casével. São meros exemplos. Onde é que há transportes colectivos a horas para os vários comboios.
    E para quem more em Alcanena e trabalhe em Torres Novas e o contrário? Onde é que há transportes colectivos? E para Minde ou Mira de Aire?
    E de Torres Novas para Tomar e vice-versa?
    E de Amiais de Baixo para Alcanena, para Pernes para Alcanede ou para Santarém?
    Podíamos continuar aqui o resto da tarde, mas o problema é que não há transportes colectivos como havia antigamente, nem caros nem baratos.

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