Entroncamento | Conversas com Café foram a bordo d’“O Foguete”

Conversas com Café, sessão de abril. Foto: mediotejo.net

A sessão de abril das “Conversas com Café” foi a bordo do Foguete, as composições da marca Fiat que integravam o serviço ferroviário rápido inaugurado em 1953 e que fazia a ligação entre as cidades de Lisboa e Porto, Este deu nome à revista da Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário (AMF), cujo novo número foi apresentado esta sexta-feira, dia 29, na tertúlia que teve como oradores José Eduardo da Silva e Marcelo Teixeira, moderados por Manuela Poitout.

PUB

O ponto de partida das “Conversas Ferroviárias” foi a Biblioteca Municipal do Entroncamento e a “carruagem” seguiu caminho cheia de passageiros ao longo de mais de uma hora em que José Eduardo da Silva, fundador da AMF, e Marcelo Teixeira, elemento da direção e diretor da revista “O Foguete”, falaram sobre a associação fundada em outubro de 2001 e a publicação dedicada à história e à memória dos caminhos-de-ferro lançada no segundo trimestre de 2002.

Pormenor da capa do número 29 da revista “O Foguete”. Foto: mediotejo.net

O número 29, apresentado publicamente esta sexta-feira na tertúlia moderada pela atual presidente da AMF, Manuela Poitout, materializa a vontade de retomar a periodicidade trimestral após um período de estagnação. A historiadora destacou a comemoração do Ano Europeu do Património em 2018, reforçando a missão da revista em perpetuar o património material e imaterial associado aos caminhos-de-ferro.

PUB

Os artigos da autoria de profissionais e entusiastas da ferrovia estão de regresso e a nova edição é composta por 10 que vão desde trabalhos de investigação histórica a linhas ferroviárias e museus, sem esquecer o material circulante ou a filatelia. Marcelo Teixeira falou sobre os diversos temas abordados, assim como a importância do Museu Nacional Ferroviário (MNF), que a AMF ambiciona transformar numa referência a nível europeu.

Manuela Poitout. Foto: mediotejo.net

A última reunião da direção da associação terá marcado uma viragem no seu percurso e para o futuro estão previstas diversas iniciativas como uma exposição no MNF sobre os 60 anos da chegada do comboio elétrico ao Entroncamento, agendada para o próximo mês de junho. Entre as desenvolvidas atualmente encontram-se a edição do boletim interno “Comboio Correio”, a realização de tertúlias temáticas na sede, a organização de palestras e conferências ou assessoria em trabalhos académicos.

PUB

Em declarações ao mediotejo.net antes do início da tertúlia, o diretor da revista também confirmou a intenção da AMF, hoje com mais de centena e meia de sócios (nacionais e estrangeiros), em dar continuidade ao projeto editorial que esteve parado mais de um ano. Um “reflexo das vicissitudes do movimento associativo”, referiu, que se pretendem contrariar e trazer de volta “o patamar qualitativo que teve reconhecimento imediato quer por parte de pessoas ligadas ao caminho-de-ferro, amadores, quer por parte de entidades oficiais”.

Marcelo Teixeira. Foto: mediotejo.net

Não só pelos conteúdos mais técnicos, mas também pelos testemunhos da rubrica “Personalidade do Trimestre” que constituem um “excelente trabalho para memória futura”. José Eduardo da Silva tem sido responsável pelas entrevistas e durante a tertúlia foram apresentados casos de antigos profissionais dos caminhos-de-ferro que nasceram ou escolheram morar no Entroncamento. Ao mediotejo.net esclareceu que alguns já faleceram e os artigos tornam-se no “testemunho histórico daquilo que é a vida ferroviária e a vida pessoal dos ferroviários”.

Ele próprio tem uma história para contar. Neto e filho de ferroviários, apaixonou-se pelos caminhos-de-ferro desde tenra idade e revela-nos que pegava no dinheiro que a mãe lhe entregava e trocava, às escondidas, o bilhete de cinema pelo quarto de bilhete de comboio para viajar de Santa Apolónia até ao Entroncamento. O motivo era “ver os comboios” e continuou a fazê-lo aproveitando as oportunidades que a vida profissional na TAP lhe deu.

José Eduardo da Silva. Foto: mediotejo.net

Correu mundo e tem dedicado a vida à ferrovia, nomeadamente com a fundação do movimento que acabou por assegurar a fundação do Museu Nacional Ferroviário na cidade que hoje se intitula “ferroviária”. Questionado sobre a responsabilidade de falar sobre comboio em terra de ferroviários, respondeu que “para aqueles que nasceram, cresceram e hoje trazem o caminho-de-ferro no coração, como é o meu caso, é um prazer e é uma forma de dar a conhecer o valor que o caminho-de-ferro tem na vida das pessoas”.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here