Entroncamento | Casa cheia e emoção a rodos no lançamento de livro e video sobre os fenómenos

Casa cheia e muita emoção no lançamento do livro e do video sobre os fenómenos do Entroncamento. Foto: DR

Passar para a escrita e para a música a “marca indelével do Entroncamento como terra de fenómenos, antes que a memória coletiva se perca” foi o propósito de um projeto iniciado há cinco anos por Paula Carloto e ao qual se associaram muitas pessoas. O resultado desse trabalho foi apresentado no dia 30 de novembro num Cine-teatro S. João completamente esgotado e onde a plateia não escondeu a emoção e algumas lágrimas.

PUB

O espetáculo foi apresentado pelo ator Carlos M. Cunha, dos Comédia à la Carte, também ele do Entroncamento.

“O que hoje acontece aqui é um tributo à nossa terra, ao povo do Entroncamento e à nossa história. Estamos todos, mas todos, de parabéns”, disse Paula Carloto durante a sessão de apresentação do livro “Fenómenos do Entroncamento – A História das Estórias”, a que se seguiu a estreia do videoclip e da música, “três originais que mexeram muito com as emoções”, como caracterizou a coordenadora do projeto.

O espetáculo foi apresentado pelo ator Carlos M. Cunha, dos Comédia à la Carte, também ele do Entroncamento, perante um S. João repleto de populares.

Para si, os fenómenos “foram encarados com fama e glória no tempo do seu surgimento, depois perderam graça, foram vistos com chacota e com gozo e até caíram no esquecimento de quem não os percebia. Provavelmente foi preciso passar este tempo para que hoje se olhem os fenómenos do Entroncamento com a maturidade cultural de quem reconhece neles um passado que se respeita e de que se gosta”.

 

Paula Carloto agradeceu a “entrega estupenda” ao desafio do vídeo e da música com autoria e coordenação de Pedro Dyonysyo. “É um orgulho haver tanto talento nesta terra”, realçou, afirmação que merecer um grande salva de palmas. Os agradecimentos foram estendidos às Juntas de Freguesia e à Câmara Municipal pelo apoio. O espetáculo foi apresentado pelo ator Carlos M. Cunha, dos Comédia à la Carte, também ele do Entroncamento.

PUB
Foto: Luis Filipe do Carmo

Se em meados do séc. XX os fenómenos do Entroncamento “foram encarados com fama e glória”, hoje “são considerados uma inspiração” e por isso importava “passar para a escrita e para a música esse património imaterial”.

Apresentação do livro, música e vídeo ''Fenómenos do Entroncamento – A História das Estórias'" no Cine-Teatro São João no Entroncamento

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 30 de novembro de 2019

Igualmente emocionado estava o editor António Vieira da Silva porque foi no Entroncamento que cresceu e aqui viveu até 1986. Lembrou memórias emocionantes da sua família e histórias divertidas. “É uma honra estar de regresso ao Entroncamento e sinto-me honrado por ter editado o livro”, sublinhou.

Também colaborador do livro, Manuel Fernandes Vicente lembrou os fenómenos do Entroncamento “com todo o seu mundo naif, ingénuo, com as histórias singulares e pitorescas que este livro muito bem testemunha e apresenta” ao longo de 100 páginas.

Foto: Luis Filipe do Carmo

Compõem a obra fotografias, recortes, depoimentos e entrevistas dos fenómenos que “marcaram uma época do Entroncamento, numa comunidade que era também singular”. Ao mesmo tempo são histórias “que também marcaram um tempo do jornalismo, onde pontuavam os fait-divers em que o Entroncamento tomou uma presença marcante”, realçou Fernandes Vicente.

Na sua intervenção falou de “dois protagonistas excecionais”: os jornalistas Eduardo O.P. Brito (pai dos fenómenos), falecido há 10 anos e Antero Fernandes “que lhe sucedeu como cronista das coisas pitorescas e bizarras que aconteciam nesta cidade”. A estes dois nomes, Manuel Fernandes Vicente acrescenta António Carloto, a completar um “trio de visionários” que exploraram “a dimensão económica e cultural que os fenómenos podiam ter”.

“Estas três figuras deixaram-nos um legado do qual temos responsabilidade. Nós temos esta gema que está por explorar”, afirmou, defendendo a recuperação do “êxito que os fenómenos já tiveram”, porque a sala do Cineteatro cheia “representa que os fenómenos estão bem vivos”.

Os oradores na apresentação do livro. Foto: mediotejo.net

Outra colaboradora na obra, Manuela Poitout, leu um trecho de um livro editado em 1972, “Contos do Ribatejo”, de José Amaro. Este médico em Lisboa dedica um dos contos aos fenómenos do Entroncamento no qual cita diálogos com Eduardo O.P. Brito e onde há referência a uma série de fenómenos que foram notícia a nível nacional e até com repercussão no estrangeiro.

Coube ao Presidente da Câmara Municipal, encerrar a série de discursos, começando por realçar “o papel e a persistência que Paula Carloto teve nesta iniciativa de grande mérito”.

Jorge Faria considera ser “indesmentível que os fenómenos fazem parte da nossa vida, da nossa memória coletiva, da nossa herança cultural” e são “uma imagem distintiva da cidade”.

O autarca confessa que sempre apreciou a ideia da sua cidade como “terra dos comboios, terra dos fenómenos”, e disso orgulha-se porque está no ADN do Entroncamento.

O espetáculo foi apresentado pelo ator Carlos M. Cunha, dos Comédia à la Carte, também ele do Entroncamento. Foto: Fenómenos

O momento seguinte, aguardado com expectativa, era a estreia do videoclip sobre os fenómenos e a história das estórias, com música e realização de Pedro Dyonysyo. Ao fim dos cerca de 10 minutos de projeção a plateia aplaudiu efusivamente o trabalho

E a terminar, dezenas de músicos – incluindo coralistas do grupo Concordia – subiram ao palco para interpretar ao vivo o tema que ficará nos próximos tempos no ouvido dos entroncamentenses.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here