Entroncamento | A comida sobre rodas está de volta com o Street Food

Street Food Entroncamento. Foto: mediotejo.net

A terceira edição do Street Food Entroncamento começou na sexta-feira, dia 7, e com ela regressaram os sabores dos food trucks ao Largo José Duarte Coelho, em frente à câmara municipal. Estivemos presentes nos primeiros momentos e falámos com os diversos intervenientes desta iniciativa que termina este domingo e tem uma “ementa” que permite aos visitantes provar sugestões gastronómicas e musicais para todos os gostos e idades.

Chegámos ao Largo José Duarte Coelho pouco antes da hora marcada para o arranque do terceiro Street Food do Entroncamento, organizado pela equipa local do CLDS. Final de tarde com temperatura amena, a puxar mais o lanche do que o jantar. Ainda na Rua Luís Falcão de Sommer ouvimos um casal perguntar entre si o que se passa no “largo da câmara” e a ouvir a resposta que são “os food trucks”.

Quem conhece os atrelados de cachorros quentes e kebabs que muitas vezes se encontram nas bermas das estradas num final de noite poderia dizer que se trata de um “upgrade”. O formato é o mesmo, comida preparada sobre rodas, no próprio local. No entanto, a “street food” levou a comida para a rua de forma “gourmet”, conquistando novos clientes (famílias incluídas) e integrando o conceito no contexto urbano.

No Largo José Duarte Coelho, por exemplo, é possível encontrar ementas com propostas para todos os gostos, desde crepes a pizza, passando pelas sandes com sabores inesperados, a tradicional bifana, wraps, burritos e pregos em bolo do caco. As mesas de esplanada convidam a sentar para apreciar os petiscos preparados à vista de quem pede e quem está do outro lado assume que os “food trucks” permitem um atendimento com maior proximidade e fugir da “prisão” que representa ter um espaço comercial convencional.

Street Food Entroncamento. Foto: mediotejo.net

É o caso de Maria João Botas e Filipe Pereira, que marcaram presença na primeira edição, saltaram a segunda por estarem noutro evento e regressaram para a terceira porque gostaram da experiência. O casal, ela das Caldas da Rainha e ele de Vila Nova de Gaia, andam, não com a casa, mas com o negócio “às costas” desde 2015, deixando para trás o restaurante concessionado na praia.

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“Aqui fazemos o que gostamos e somos livres”, diz Filipe, que já levou o “food truck” pelo país e até Espanha, muitas vezes por convite, comprovando que a mudança foi uma aposta ganha.

Como explicam o sucesso? Filipe diz que “o segredo está na minha mulher”. Maria João ri-se e ele completa a frase, “na simpatia”. Maria João prefere atribuir a causa às sandes que “têm um toque português” e no “food truck” “Pão com Segredos” encontram-se plumas de porco preto com lascas de parmesão, lombo assado com queijo da serra e cebola caramelizada ou salmão fumado com queijo de barrar e rúcula.

Existe ainda a opção vegetariana com pimentos de Padrón na qual se tem de descobrir se “unos pican e outros non”.

Filipe Pereira e Maria João Botas. Foto: mediotejo.net

As expetativas para a terceira edição são elevadas pois na primeira esgotaram o stock. No mesmo nível encontram-se as da organização que, de ano para ano, vê crescer o número de “food trucks” que, nesta altura, partilham o Largo José Duarte Coelho com tendas onde funcionam negócios locais, na maioria ligados à restauração, e stands de artesanato. Muitos já se fazem de “auto-convidados”, diz Carlos Marques, da Associação dos Lares Ferroviários.

O presidente da entidade que coordena o CLDS diz que a iniciativa é “uma forma de envolver a comunidade”, chamando-a a “estar presente”, a “sair de casa” e a contrariar as rotinas de uma cidade que é, para muitos, “um dormitório”.

A tendência é associar as equipas CLDS ao apoio social prestado à população mais desfavorecida e a aposta no “Street Food” mostra uma vertente menos visível que também se enquadra no trabalho desenvolvido.

Joana Ribeiro e Carlos Marques. Foto: mediotejo.net

Joana Ribeiro, coordenadora da equipa do Entroncamento desde que esta entrou em funções, no início de 2016, confirma, acrescentando que também se tem tentado trabalhar a questão social “de outra forma”, nomeadamente através do “empreendedorismo social e solidário”, da promoção do “auto-emprego” e a criação de eventos que envolvam os habitantes e lhes permitam “conhecer na cidade as coisas novas que o país tem”.

O Street Food é disso exemplo e este ano são 15 os “food trucks” que partiram de diversos pontos do país e estacionaram no Entroncamento. Juntam-se quatro negócios locais que completam a oferta gastronómica do festival urbano e asseguram que a iniciativa não gera concorrência aos espaços de restauração da cidade que, segundo Joana, estão “a lutar e a tentar ganhar dinheiro aqui durante o ano inteiro”.

Street Food Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Carlos Marques acrescenta que, a confirmar-se a perspetiva do projeto do CLDS do Entroncamento ser renovado por mais um ano, o Street Food poderá ganhar uma nova dimensão na quarta edição, com a possibilidade de se realizar noutro espaço da cidade, envolvendo mais entidades participantes e aumentando o número de “food trucks”. As ideias são muitas e, independentemente do formato adotado, a música continuará a marcar presença.

Luís Godinho aceitou o convite para ser o responsável pela animação musical deste ano, que começou na sexta-feira com a música eletrónica do Dj Loverman, ele, e juntou no sábado êxitos portugueses de todos os tempos durante o concerto do grupo Rock à Tuga e êxitos de todo o mundo quando o Dj White (aka Jorge Branco) assumir o controlo das colunas de som que passam música ambiente ao longo dos três dias.

Luís Godinho. Foto: mediotejo.net

Segundo Luís Godinho, tratando-se de um festival urbano, procurou que a “estética musical” fosse igualmente urbana, eclética e que abrangesse diversas faixas etárias. Música eletrónica e de dança para o público mais jovem e temas dos Taxi, GNR, Tiago Bettencourt e António Zambujo, entre outros, para quem preferir conhecer as sugestões dos “food trucks” com uma banda sonora mais calma assegurada através da guitarra, baixo e bateria.

Em suma, a ementa da terceira edição do Street Food tem propostas gastronómicas e musicais para todos os gostos e idades. A entrada no recinto é gratuita e, durante o fim-de-semana, o Largo José Duarte Coelho começa a receber os primeiros visitantes a partir do meio-dia. Os “food trucks” viram a tabuleta para “Fechado” pelas 02h00 de sábado e as 21h00 de domingo.

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