“Ensopado de eirozes”, por Armando Fernandes

Aquelas enguias de antanho, de pele esverdeada, gordas, corpulentas, em muitos lados conhecidas por irozes ou eirozes, nos dias de hoje aparecem raramente mesmo nas localidades ribeirinhas. Os antigos captores nas valas ribatejanas atribuem a escassez às modernas práticas agrícolas eivadas de desinfectantes agressivos do seu modo de vida provocando salivadas nostalgias nos admiradores das suas suculências gustativas.

Costumo frequentar o CISCO em Almeirim, nas imediações da Praça de Touros, pelo apuro na confecção de receitas da cozinha tradicional com ênfase na ribatejana, porque o serviço é profissional e amável e porque obriga o cliente a perceber que a causa de Almeirim, no tocante à gastronomia, não é só febras e sopa da pedra, intuindo-se de imediato no tocante à amensendação.

Após degustar convincentes pezinhos de leitão e fatias de bom presunto, veio o ensopado em taxo de cobre, rodeado de gulosas e estaladiças fatias de pão, no meio tassalhos de eirozes convenientemente guisadas num caldo substancioso a ressumar odores recendentes a ervas campestres, colorau, cebola, alho, cravinho e batatas, tudo numa cozedura perfeita. Duas porções avantajadas para duas pessoas, duas refeições de perdurar na memória dada a excelência da confecção.

Um branco delicado

Além das enguias, dos eirozes, para peixes brancos de carnação delicada, atrevo-me a lembrar o branco donairoso, o Cabeça de Toiro, colheita de 2017, edição limitada, da reputada e sensível casta Sauvignon Blanc.

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Brilhante num tom amarelo palha, no copo de prova deu claras indicações de estarmos ante um vinho fremente nos aromas, suave e guloso no palato nos seus 13.º. Para além de exuberantemente evidenciar o amanteigado em excelente conúbio com fruta branca bem madura, deixou agradável e duradoura impressão.

Origem – TEJO. Produzido e engarrafado por Caves Velhas.

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