Ensino Profissional: Alcanena e Torres Novas apostam nas Novas Tecnologias

Foto: Pixabay

Com cursos criados especificamente para garantir entrada no mercado de trabalho, os concelhos de Torres Novas e Alcanena têm apostado numa oferta voltada para as novas tecnologias, nomeadamente o Multimédia e a Gestão de Sistemas Informáticos. Logística, Turismo e Vendas fazem também parte da oferta, mas Multimédia é o curso que tem atraído mais alunos em ambos os municípios, devido às várias possibilidades de resposta ao meio empresarial atual. Muitas expectativas foram colocadas também no curso de Transportes, em Torres Novas, mas não obteve interessados.

“Tivemos o cuidado de escolher os cursos que os alunos preferissem”, esclareceu ao mediotejo.net a diretora da Escola Secundária de Alcanena, Ana Cláudia Cohen. “Foram-nos mostradas as prioridades de emprego na região” e a instituição escolar optou por abrir este ano os cursos de Técnico de Animação e Turismo e Técnico Multimédia. Nos restantes anos letivos encontram-se em funcionamento os cursos para Técnico de Vendas e Técnico de Comércio. Cada turma tem uma média de 24/30 alunos, abrindo uma turma por cada curso.

FOTO: Agrupamento de Escolas de Alcanena
FOTO: Agrupamento de Escolas de Alcanena

A oferta tem respondido à expectativa, havendo até algum registo de excesso de alunos para a capacidade. “Multimédia é um curso muito apreciado”, refere a diretora, adiantando que Alcanena perdeu alguns alunos por não existir oferta em Cozinha/Pastelaria e Desporto. Ainda se ponderou apostar na formação em Cozinha, mas seria necessário requalificar o espaço e não havia alunos suficientes que justificassem esse investimento, considerou a direção.

Ana Cláudia Cohen salienta que, tanto para Multimédia como para Animação e Turismo, há muita oferta de emprego, embora não adiante taxas de empregabilidade. Para o primeiro a escola dispõe de um estúdio e venceu este ano um projeto da Fundação Calouste Gulbenkian, no valor aproximado de 30 mil euros, valor “que será canalizado para equipamento”. Já o curso de Animação e Turismo pode ser dado em contexto de sala de aula, investindo-se também em visitas de estudo e parcerias para estágios dos alunos.  O mesmo sucede com os cursos de vendas e comércio.

“Há alunos que foram para a profissional e que agora pensam seguir para a universidade”, salientou a diretora, destacando que a formação profissional oferece competências diferentes a estes estudantes. “Há alunos desmotivados ou que têm poucas posses. Precisamos de um ensino mais prático ligado ao mundo real” que lhes permita abrir mais o seu leque de opções, defende. O aluno continua assim a estudar, ganhando gosto pela aprendizagem e mais autonomia, termina.

Em Alcanena este é a única escola que oferece ensino profissional, mas ainda assim há registos de alunos dos concelhos vizinhos, como Torres Novas, Porto de Mós ou Ourém.

Um cenário semelhante é traçado pelo diretor Acácio Neto, da Escola Básica e Secundária Artur Gonçalves. A instituição colocou alguma expectativa no curso de Transportes, dada a forte empregabilidade na área da logística que se verifica no concelho, mas não houve alunos interessados. Já o curso de Multimédia conseguiu abrir novamente turma, com 26 alunos, e apesar de não haver ainda dados referentes à empregabilidade, o mercado deixa bons indícios de que os formandos terão boas oportunidades, refere o diretor. A escola tem ainda no seu programa o curso de Gestão Desportiva, mas aguarda ainda autorização do Ministério da Educação.

“São os cursos preferidos dos alunos”, refere Acácio Neto, salientando o sucesso do Multimédia, onde a escola tem investido em equipamento e há empresas disponíveis para que os jovens façam os seus estágios. Há quatro salas de computadores e de produção de vídeo e imagem, enumera, explicando que os recursos se vão adaptando às necessidades.

FOTO: Escola Secundária Maria Lamas
FOTO: Escola Secundária Maria Lamas

Estes cursos profissionais, como os seus congéneres na região, têm todos eles apoios em alimentação, transportes e material escolar. Acácio Neto frisa que quem escolhe esta opção não está a excluir o ensino superior. “É uma alternativa válida que os alunos podem optar. É uma certificação de nível 4 que dá acesso ao ensino superior de uma forma mais prática”.

Nesta escola os alunos chegam sobretudo da “linha dos transportes”, nomeadamente dos concelhos de Torres Novas, Golegã e Chamusca, mas também há jovens de Alcanena ou Entroncamento.

Já a Escola Secundária Maria Lamas, em Torres Novas, apesar de bem equipada para o curso de Mecatrónica (que engloba a área automóvel e industrial), não conseguiu captar alunos suficientes para o próximo ano letivo. Os programas dos cursos exigem uma aposta em novas tecnologias, explicou a diretora, Isilda Pereira, que a escola tem vindo a adquirir ao longo do tempo. No entanto, admitiu ao mediotejo.net, a instituição sofreu alguma concorrência da oferta na vertente automóvel em Ourém, não conseguindo abrir o 10º ano.

Este ano letivo abrem assim os cursos de Turismo Ambiental e Rural e Gestão e Programação de Equipamentos Informáticos. No restante secundário há a Mecatrónica e a Gestão de Equipamentos Informáticos. Cursos escolhidos a pensar nas “necessidades dos alunos, manifestação de interesses, necessidades do mercado” e mesmo da avaliação dos psicólogos da escola.

Falar em empregabilidade no atual panorama de mercado é complicado, constata a responsável. Isilda Pereira refere que os alunos que não seguem para o ensino superior por norma são integrados em grande superfícies, pequenas e médias empresas.

O ensino profissional tem na Escola Secundária Maria Lamas seis turmas, com uma média de 24/30 alunos. A instituição possui seis salas de informática, um laboratório de eletricidade, um laboratório de eletrónica, uma sala de mecânica, entre outros equipamentos. Os alunos chegam sobretudo de Torres Novas, Entroncamento, Golegã, Alcanena e esporadicamente de Minde e Mira D’aire, já no concelho de Porto de Mós.

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