“Educação”, por Vasco Damas

Cada vez mais com menos fazemos acontecer mais e mais vezes.

Esta é uma frase com a qual me identifico e que faço questão de cultivar em ambiente profissional.

Tem associada uma vertente de otimização dos recursos, que são naturalmente escassos, mas sem perder a ambição na maximização do resultado.

É uma filosofia para o sucesso e nunca um argumento para o fracasso.

O meu entendimento muda para os antípodas quando entramos no universo da educação ou da formação.

Nesta matéria não podem faltar recursos e o tema não pode ser reduzido à frieza dos números.

Os países desenvolvidos não olham para a educação como um custo…tratam-na como um investimento que trará retorno e que manterá esse desenvolvimento em níveis desejáveis.

Educar e ensinar é uma arte nobre, que cria competências e que provoca desenvolvimento intelectual. Talvez seja este o perigo, porque um povo formado é um povo que pensa, que deixa de se satisfazer apenas com os caprichos da bola e que deixará de dar importância a vidas ocas e medíocres mediatizadas num qualquer reality show.

Atrevo-me mesmo a afirmar que o maior inimigo de quem se quer perpetuar no poder sem ter competência para tal é precisamente um povo educado e informado, e por isso, talvez faça sentido o desinvestimento que o país tem assistido na área da educação nas últimas décadas.

Não é financeiramente justificável a alteração de critérios sem critério nem pedagogicamente aceitável que as salas de aulas se transformem num depósito heterogéneo de alunos com diferentes idades e diferentes níveis de conhecimento.

Por mais motivados ou competentes que sejam os professores, eles não deixam de ser professores, pelo que não é legítimo exigir-lhes que façam milagres sem condições logísticas e humanas.

Aquilo que somos, individual e coletivamente, é reflexo da qualidade da nossa educação e essa qualidade é reflexo do compromisso de quem nos governa e de quem nos tem governado.

Mas perante o cenário atual, talvez seja exagerado falar em compromisso…

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É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.
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