“Discurso de 1 de março”, por Hugo Costa

No último dia 1 de março comemorou-se o dia da cidade de Tomar. Recordo o meu discurso completo em nome do Grupo Municipal do Partido Socialista. Por cumprimento do limite temporal o mesmo foi mais curto na cerimónia.

Exma. Sra. Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Dra. Anabela Freitas na sua pessoa saúdo as senhoras e senhores vereadores, assim como as mulheres e homens que trabalham diariamente no município e nos serviços municipalizados, e que todos os dias dão o melhor de si na defesa do interesse público e do concelho de Tomar. Aproveito ainda para sublinhar a importância simbólica de pela primeira vez termos uma mulher a dirigir o município. A igualdade de género é uma realidade e todos devemos ser escolhidos em pé de igualdade, não devemos aceitar barreiras e preconceitos.

Exma. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Professor José Pereira, na sua pessoa cumprimento todas as senhoras e senhores deputados municipais. A Assembleia municipal é o garante da pluralidade democrática e do debate político no seio do concelho. Podemos e devemos divergir nas opções para o concelho, mas não devemos permitir que a intolerância nos leve a criar muros, onde devem existir pontes.

Exmos. Senhoras e Senhores Presidentes de Junta de Freguesia, num período em comemoramos os quarenta anos do poder local democrático nascido das eleições de 12 de dezembro de 1976 os autarcas de freguesia representam esse espírito de abnegação ao serviço público. A política de proximidade para os vizinhos, o assumir de responsabilidades e o lutar pelo bem das freguesias sem pedir nada em troca é a marca. Esta é a herança de 40 anos que todos reconhecemos aos autarcas de freguesia. Quarenta anos de empenho em prol do desenvolvimento do concelho.

Cumprimento as instituições, as entidades oficiais, as coletividades do concelho (com especial enfoque para as que hoje vão ser homenageadas),os homenageados que muito dignificaram o concelho ao longo de décadas e décadas, além de todos os cidadãos aqui presentes. Uma palavra para a comunicação social garante da liberdade de informação, não devemos esquecer as décadas em que um lápis censor impedia a liberdade.

Hoje comemoramos mais um 1 de Março 1160 data da fundação do Castelo de Tomar pelo Mestre D. Gualdim Pais, o mesmo que em 1190 venceu o cerco nesta cidade pelas forças do Califado Almóada. Esta origem templária numa ordem que teve como último grão mestre Jacques de Molay perseguido e morto pelo rei de França Filipe, o Belo, e que deve ser um orgulho para Tomar. Os Templários deram depois origem em Portugal à Ordem de Cristo, que muito contribuíram para o futuro e História de Portugal, dando novos mundos ao mundo.

Tomar, cidade templária, é a nossa marca. Tomar uma terra das luzes e do conhecimento, respeitando a ancestralidade dos construtores de templos que escolheram Tomar para a sua sede templária. De Gualdim Pais a Lopo Dias de Sousa somos nós os seus herdeiros e guardiões do templo.

A História é a ciência que estuda o Homem no seu tempo e espaço, dessa forma é fundamental para compreender o presente e o futuro do nosso concelho. Este é o tempo presente, e por isso saúdo que pelo quarto ano consecutivo tenha sido possível celebrar esta data, assim como o 25 de Abril, com a dignidade que merecem, espero que no futuro não nos esqueçamos de celebrar o passado e o presente.

Este é o tempo de homenagem aos homens e mulheres que construíram a nossa grande festa. A festa dos tabuleiros. Foram milhares os que trabalharam ao longo dos anos na festa e em cada uma das freguesias do concelho, mas como não pudemos homenagear todos que se homenageei em seu nome, os mordomos da festa maior, a festa do Espírito Santo. A festa dos tabuleiros merece ser classificada património mundial imaterial pela UNESCO, algo que deve ser trabalhado e unanimemente considerado como objetivo de todas as forças vivas do concelho. O prémio que recebeu este ano é fruto do trabalho e do empenho de todos os tomarenses, e a todos sem exceção deve orgulhar.

Tomar é um concelho do conhecimento e da inovação, respeitando a velha tradição templária como é demonstrativo o trabalho dos dois agrupamentos de escolas e do Instituto Politécnico de Tomar. Mas não devemos estar satisfeitos e devemos ter capacidade de inovar e responder a todos os desafios como é também a formação profissional e a escola profissional. Tomar deve atrair os melhores, mas dar espaço a todos no seu processo de aprendizagem como seres humanos e cidadãos.

Tomar é um concelho que junta a diversidade e a realidade das localidades das 11 freguesias que o compõem. Do Vale Meão aos Soudos, da Roda Grande aos Montes, do Alqueidão à Carregueira ou das duas Vilas novas do concelho. Esta multiplicidade só pode ser encarada como uma mais-valia. Um concelho de forte tradição militar, banhado por dois rios, com o atravessamento de duas linhas ferroviárias, várias estradas importantes e até uma base área, só pode ser um concelho especial. Um concelho que soube também festejar, e bem, os forais dos seus antigos concelhos de Asseiceira e Paialvo.

Mas também olhemos para os problemas. O acesso aos cuidados de saúde é historicamente um dos mais sensíveis no nosso concelho, no último ano foi possível a reabertura do internamento em Medicina Interna no nosso Hospital. É uma boa notícia? É certamente, mas continuamos a querer mais do nosso serviço nacional de saúde, onde todos os cidadãos do nosso concelho tenham acesso a médico de família e às urgências que necessitam, independentemente da sua origem e extrato social.

Tomar é uma cidade de turismo por excelência. Nas nossas ruas assistimos com gosto a ver cada vez mais turistas. É importante por isso salvaguardamos o nosso património, como é o caso das intervenções na Sinagoga ou no Aqueduto dos Pegões, onde sublinhe-se a atitude proactiva da Câmara Municipal que foi aplaudida pelo ministério da Cultura. Mas também o turismo natureza é estratégico para Tomar. A ligação ao nosso ex-libiris Convento de Cristo é uma necessidade e uma aposta de todos.

O Rio Nabão e o Rio Zêzere dotam o concelho de diversos pontos de interesse e que nos dão vantagens comparativas com outros concelhos. Saibamos nós aproveitar a nossa riqueza ambiental. Mas os recursos naturais também nos dão uma imensa mancha floresta que deve ser economicamente e ambientalmente sustentáveis. Os fogos de Verão são uma calamidade, mas aproveito para cumprimentar os soldados da paz do nosso concelho na pessoa do senhor comandante Carlos Gonçalves pelo trabalho desenvolvido para salvar vidas e bens.

Os caminhos de Santiago, parte integrante do eixo estratégico do turismo nacional através do turismo religioso, são oportunidade para Tomar, assim como a proximidade geográfica com Fátima pode e deve ser aproveitada em ano de centenário das aparições, e com o mundo em cima da visita do Papa Francisco.

Tomar é também um concelho de desporto e onde sugiram grandes atletas. Os olímpicos como os anteriormente homenageados, os campeões de múltiplas modalidades do futebol ao hóquei, da ginástica ao judo, do badminton à patinagem, do ténis de mesa à da natação ou do atletismo ao halterofilismo, como é demonstrativo de um dos homenageados de hoje, entre tantos outros desportos, e até um dos heróis dos magriços de 1966 em Inglaterra que hoje homenageamos.

Só a Inglaterra nos bateu nesse Mundial, onde, entre outras equipas, deixamos para trás o Brasil de Pelé e Garrinha, dois dos melhores jogadores de sempre, e a URSS de Yashin, o melhor Guarda Redes de todos os tempos. Tomar também aí esteve representado. O ecletismo é sinónimo de desporto em Tomar, desporto que deve ser para todos e para formar jovens, independentemente da sua origem social.

Mas Tomar também é sinónimo de desenvolvimento económico. A captação de empresas e de investimentos é um dos maiores desafios de uma autarquia do interior do país. É preciso saber reinventar e procurar oportunidades. Só essa aposta pode permitir em conjunto com o turismo, a criação de emprego, vital para o futuro do concelho. As pessoas só se fixam com emprego, e o desafio demográfico é o maior desafio da nossa região.

Tomar também tem der ser um concelho de solidariedade social. Um concelho inclusivo e para todos. Enquanto tomarenses como todos nós, não tiverem habitação, ou condições básicas de sobrevivência a nossa missão enquanto comunidade está incompleta. Muito tem sido feito nesta matéria, como demonstra o reconhecimento pela primeira vez como autarquia familiarmente responsável. Mas o social deve continuar a ser uma prioridade.

Este é o tempo do futuro. O tempo de Tomar. Viva Tomar.

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