Dia dos Avós: 400 netos e 200 avós reunidos em Ourém

Filomena (esq) e Irena (dir) partilham em comum a mesma neta, Maria Inês. Hoje os avós ocupam o espaço que os pais não conseguem preencher. Foto: mediotejo.net

Ser segundo pai e reconhecer ter mais paciência do que quando lidava com os próprios filhos. Mimar sabendo repreender, embora nem sempre se cumpra a segunda parte da ideia. Transmitir valores, contar histórias, ajudar os filhos que não têm tempo para nada, embrenhados na exigente vida profissional. Ser avó hoje não é muito diferente de antigamente, dizem, embora a longevidade seja outra e, por tal, a capacidade de auxílio também.

O CLDS 3G de Ourém organizou neste 26 de julho, terça-feira, Dias dos Avós, um encontro Intergeracional que reuniu cerca de 400 crianças e 200 avós de 11 instituições do concelho. Para a coordenadora do projeto, Fátima Duarte, procurou-se uma “partilha de saberes e valores” que se perdem na sociedade atual, mostrando à criança a importância dos mais idosos e a estes que ainda são necessários ao crescimento dos mais novos. Mais que não seja na transmissão de “saberes que os pais, pelo seu quotidiano, não têm tempo” de transmitir. No Centro de Negócios de Ourém contaram-se histórias, dançou-se zumba, fez-se yoga, realizaram-se ateliers do jogo do pião e ensinaram-se lengalengas. “Foi muito interativo”, frisou a coordenadora.

ao fim da tarde dançou-se zumba com avós e netos. foto mediotejo.net
Ao fim da tarde dançou-se zumba com avós e netos. Foto: mediotejo.net

Irene Marques, 73 anos, e a comadre, Filomena Subtil, 56 anos, têm experiências de vida diferentes e uma neta em comum, Maria Inês, de 6 anos. Irene teve seis filhos, tem quatro netos, dois dos quais estão neste momento à sua tutela. Emociona-se ao falar com o mediotejo.net. “É ser-se pais quando eles necessitam ou não podem”, constata.

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Com 25 anos já tinha três filhos. “Talvez os avós mimem mais os netos que os filhos, apesar de eu ter sido mãe galinha”, comenta, reconhecendo que a atividade profissional dos pais não lhes deixe hoje muito tempo para se dedicarem aos filhos. Na sua memória ainda recorda a própria avó, uma senhora que morreu com 94 anos e ajudava muito a sua mãe. “Era muito minha amiga, mimava-me muito. Estava sempre em casa da minha mãe e era muito boazinha”.

Filomena tem uma história diferente, lembrando-se mais de uma bisavó que dos avós. Morreram todos ainda era muito jovem e não traz grandes memórias. Da relação ficou a noção sobretudo da distância. “Os avós hoje estão mais próximos no crescimento, no dia-a-dia dos netos. Mas não lhes fazemos as vontades todas, também ralhamos”, salienta, olhando para a envergonhada Maria Inês que não parece estar a entender a conversa. “Sinto-me uma mãe”, comenta, uma vez que só tem uma neta.

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Belmira Gonçalves, 67 anos, ajudou a criar três dos quatro netos que possui. Por essa razão, desenvolveu com a mais velha, hoje com 17 anos, uma relação de maior proximidade. “É minha amiga, partilha muitas coisas”, confessa. Dos próprios avós de nada se recorda, pois não os chegou a conhecer. “Sou avó, mas gosto tanto dos meus netos quanto dos meus filhos”. A eles conta a sua vida no campo, o trabalho na agricultura, e de como o mundo mudou nas últimas décadas.

“Agora a vida é outra”, salienta também Ana Maria Batista, 58 anos. Ainda se lembra da sua avó, que morreu com 93 anos e trabalhou até ao fim da vida. Mas os tempos mudaram. Tem dois netos e reconhece ter mais paciência com estes de que quando era mais nova, com os filhos. “Temos mais calma” e consegue-se passar mais tempo com os mais pequenos. As circunstâncias são semelhantes: os pais trabalham todo o dia, ao fim-de-semana, por turnos. Restam os avós para dar o apoio de que precisam.

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