Desaparecimentos de menores duplicaram na região

Lista de crianças desaparecidas da Polícia Judiciária e da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas. Foto: DR

Guerras entre pais, notas abaixo do esperado, noitadas sem pré-aviso, o descobrir de novas realidades. São variados os motivos que podem estar por trás do desaparecimento de uma criança ou adolescente e a serem alertadas as autoridades. A maioria dos casos registados no distrito de Santarém nos anos de 2014 e 2015 já foram encerrados e os jovens encontrados. Mas, segundo dados da Polícia Judiciária (PJ) avançados ao mediotejo.net, os desaparecimentos de menores duplicaram no último ano na região: foram 44 casos. Apenas um continua em aberto.

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A jovem de 14 anos, residente em Alcanena, Sophie Freire está dada como desaparecida desde o início de 2016. A par de um complicado processo em tribunal, neste momento em segredo de Justiça (o caso já não está sobre a alçada da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Alcanena), a adolescente não se encontra à tutela de nenhum dos progenitores, estando a mãe e um enteado desta proibidos de contactar a menina. Sophie desapareceu da instituição onde estava a residir e é uma irmã, maior de idade, que tem desenvolvido esforços para localizar o seu paradeiro. Com um núcleo familiar de risco, Sophie precisa de ajuda, é o alerta de Aurelie Duarte.

sophie

O caso de Sophie parece, no entanto, mais complicado que a maioria dos que chegam aos registos da PJ. Não existem dados concretos sobre as causas de tais desaparecimentos, explicou fonte da PJ ao mediotejo.net, sendo que a informação prestada deve-se sobretudo à experiência em campo dos investigadores.

Os fatores de desaparecimento estão muito relacionados com a faixa etária. Até aos nove anos, adiantou a mesma fonte, a causa está frequentemente ligada com as relações entre os progenitores. Numa fase de pré-adolescência surgem os problemas com as notas escolares e a entrada em contacto “com novas realidades”. Com o avançar da idade são causas mais simples, como o ficar a dormir em casa de um colega e não avisar a família.

Os adultos desaparecidos muitas vezes não querem simplesmente ser encontrados, devido a, por exemplo, problemas com dívidas. Já o desaparecimento de idosos está bastante relacionado com doenças de foro físico e psicológico e são estes casos que se tornam de mais difícil resolução.

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Um exemplo desta última faixa etária foi o desaparecimento de um homem de 67 anos no Olival, concelho de Ourém, durante o fim-de-semana de 6 e 7 de fevereiro. O senhor, que sofre de problemas psiquiátricos, viria a aparecer no domingo à noite, tendo confessado que havia estado escondido numa arca do milho enquanto o procuravam.

Mas o desaparecimento de crianças pequenas, salienta a PJ, é quase sempre fruto de problemas familiares. Salvo casos excecionais, e por isso mais mediáticos, em que estão envolvidos crimes.

O caso do jovem Rui Pedro (hoje com 29 anos, a sua fotografia continua na lista das Pessoas Desaparecidas da PJ), ainda está bem presente na memória do país, tendo a família participado na criação da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD). Na mesma lista da PJ e da APCD figura a pequena Madelein Mccann.

Quando a criança não tem para onde regressar

Quando uma criança desaparecida não tem uma casa fixa uma estrutura familiar coesa para onde regressar, o processo após o retorno pode tornar-se mais complicado. O mediotejo.net contactou o Instituto de Apoio à Criança (IAC) e procurou saber quais as respostas do Estado a situações de maior complexidade.

Se uma criança ou adolescente estiver ao abrigo de uma instituição, será para a mesma que deve regressar após ser encontrada. Mas, alerta o IAC, se o jovem em causa foge devem ser procuradas as causas dessa fuga, sendo que esta medida poderá eventualmente ser revista. Entre as alternativas apresentadas pelo IAC surge a figura do “apadrinhamento civil”, um processo de apoio realizada por quem tenha afinidade com a criança e queira apadrinha-la.

“Há também uma outra medida de proteção que se traduz no Apoio para Autonomia de vida, a qual em determinadas circunstâncias pode ser aplicada a jovens”, adianta o IAC. “A referida medida traduz-se na integração dos menores numa casa de autonomia, e sendo alvo de algum acompanhamento, aposta-se na sua aquisição gradual de autonomia no sentido de se “bastarem” a si próprios, apoiando-se a sua educação ou formação profissional, e outras áreas”.

Sophie continua desaparecida. Quaisquer informações a seu respeito devem ser reportadas à GNR de Alcanena, pelo telefone 249 882 385.

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