CRÓNICA: OS DESAFIOS DA ECONOMIA CRIATIVA NAS REGIÕES DE BAIXA DENSIDADE

 

Culture is more and more the business of cities – the basis of their tourist attractions and their unique, competitive edge.” (Zukin, 1995, 2)

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A partir da década de 80 do século passado, a desindustrialização e a crise financeira catapultou a cultura e a economia criativa como setor competitivo das cidades e base das atrações turísticas. As políticas urbanas, mais do que venderem apenas produtos e serviços, estão a mobilizar o turismo, a cultura, a gestão de eventos, as indústrias do património e entretenimento, os media e as Indústrias Criativas (onde podemos incluir Publicidade, Arquitetura, Artes Visuais e Antiguidades, Artesanato e Joalharia, Design, Design de Moda, Cinema, Vídeo e Audiovisual, Software Educacional e de Entretenimento, Música, Artes Performativas, Edição, Software e Serviços de Informática, Televisão e Rádio) por forma a produzir e vender experiências, num mundo global, e contudo ligado em rede («A Sociedade em Rede» de Manuel Castells). Esta é hoje a realidade para as cidades globais como para as regiões de baixa densidade.

Na verdade quanto menos competitivas/ atrativas forem as cidades/ regiões, maior é a necessidade de reunir e capitalizar os seus recursos criativos internos. Assim sendo, o desenvolvimento de uma política urbana dinâmica e focada na criatividade não só transforma a imagem da cidade como alimenta o desenvolvimento de uma economia simbólica (Vide Zukin, 1995).

O desenvolvimento de uma Economia Criativa está assim assente na capacidade dos territórios em atrair e reter indivíduos com talento criativo (a «Classe Criativa» de que nos fala Richard Florida, 2002), aliados a gestores de recursos económicos e tecnológicos e permitem gerar produtos vendáveis cujo valor assenta nas suas propriedades culturais e intelectuais. Entendemos facilmente esta ideia perspetivando a capacidade de atração exercida por Lisboa (ao ponto de atrair recursos humanos oriundos de outros países) mas também a capacidade de produzir símbolos culturais e espaços globais.

No jogo global de competição entre cidades, o recurso crítico são as pessoas.

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Caraterizada pela existência de 13 pequenas cidades ou vilas, a sub-região NUTIII – Médio Tejo pode ser perspetivada, em termos populacionais, como uma cidade de tamanho médio.  A existência nesta sub-região de um conjunto grande, ainda que disperso e pouco estabilizado, de atores: sejam artistas e criativos, entidades e instituições mas também espaços e infraestruturas que desenvolvem trabalho em diversas áreas criativas, permite-nos a questão: Existe a possibilidade de constituição de um ecossistema, um «cluster» regional em torno do que se convencionou chamar as Indústrias Criativas?

Neste âmbito, a definição de medidas públicas regionais de incentivo à organização e networking, mas também financiamento, promoção, dinamização e monitorização dos diversos setores de atividade poderão condicionar positivamente a estruturação e consolidação de um ecossistema criativo regional, permitindo a concretização de potencialidades económicas e empresariais relevantes.

O desafio colocado às nossas pequenas cidades e vilas passa assim por se reinventarem, fazendo uso do seu capital histórico, patrimonial e criativo.

# Zukin, Sharon, 1995, The cultures of cities.

# Florida, Richard, 2002, The rise of the Creative Class.

# Castells, Manuel, 2004, The Network Society: A Cross-Cultural Perspective.

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