Crónica fotográfica, por Paulo Jorge de Sousa

Outdoors nas rotundas de acesso à A23, em Alferrarede, 2019. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Eleições legislativas. Analisando o mapa de distribuição de deputados pelos distritos do nosso território, proponho ao leitor um breve exercício: a divisão do território do continente ao meio, de Santarém para baixo e de Santarém para cima.

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E o que podemos ver da nossa Capital de Distrito até ao Algarve? Vemos que o Distrito de Lisboa, sozinho, tem mais lugares que toda esta metade do território.
Lisboa tem 48 lugares. Santarém tem 9, Portalegre 2, Évora 3, Setúbal 18, Évora 3, Beja 3 e Faro 9 o que perfaz 47.

Acima de Santarém, os distritos de Porto, Aveiro e Braga têm dois terços de todo o resto dos 8 distritos. 75 contra 48 deputados.

Mas isto ainda se agrava mais quando temos de fazer conta com as “armas secretas” que muitos partidos escolhem e impõem às distritais para cabeças de lista ou para lugares elegíveis. E isso faz diminuir ainda mais a real representatividade destes distritos no Parlamento e nas decisões nacionais.

E isto é democracia? Creio que não, é antes um esquema consentido e usado há anos para manter os “carreiristas partidários” de Lisboa em lugares chave como deputados, para garantir um maior controle sobre as decisões parlamentares.

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Quanto ao verdadeiro interesse em desenvolver as regiões e dar condições para impedir este êxodo, isso é uma miragem e uma falácia. Ainda iremos ver implantada a “regionalização”, que não vai ser mais do que umas estruturas regionais a sobreporem-se a tantas outras já existentes e a consumirem mais recursos financeiros ao país, e que servirão apenas para servir de albergue a mais uns quantos cargos que irão ser ocupados pelos “arregimentados” do sistema.

Bem, é dia de eleições e uma forma de que dispomos para tentar inverter estes vícios é exercer o direito ao voto. Eu vou votar. Espero que o leitor também o faça. Se não o fizer poderá deixar de ter moral para criticar as decisões que os outros tomaram, uma vez que se absteve de participar nelas, a favor ou contra.

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Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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