Crónica fotográfica, por Paulo Jorge de Sousa

Entroncamento, julho de 2019. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Lembro-me dos minutos que tinha, contados pelo relógio, para comer uma bifana no Faustino. Era sair da estação e ir logo ali em frente. A casa era grande, com um longo balcão, bancos elevados e sempre muita gente por ali. Mesmo muita gente.

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A estação estava sempre cheia, movimento para aqui e para ali, era um corrupio de pessoas no entra-e-sai da estação. Eu estava em formação no Centro Cultural e Regional de Santarém.

Fazia essa viagem todos os dias. E ali, no Entroncamento, havia sempre um compasso de espera ou para “mudar a máquina” ou a dar tempo para conciliar os horários dos comboios.  Estávamos em 1986/87. E lembro-me desse tempo, sempre que ali passo.

Agora é diferente. O Faustino já não existe, não há grande movimento de pessoas, os comboios são menos e quase sempre atrasados. E a estação está vazia. Por vezes até sinistra. Falta gente, falta vida.

E não é só no Entroncamento. Há certamente dezenas de “Faustinos” que também desapareceram por estas terras do Médio Tejo.

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Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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